“Sófocles não é maior do que a gente. É todo mundo igual”, diz Mário Sergio Cabral, do Magiluth
Em cartaz com “Édipo REC”, releitura de “Édipo Rei” que inclui “festão tecnobrega”, pernambucanos se apresentam no Festival de Curitiba nesta quarta e quinta, na Ópera de Arame
Por Redação Fringe

Em sua oitava vez no Festival de Curitiba, os pernambucanos do Magiluth, hoje um dos grupos teatrais mais respeitados do país, chegam à programação da Mostra Lucia Camargo do Festival de Curitiba com a peça “Édipo REC”, uma releitura da tragédia grega de Sófocles com forte inspiração cinematográfica e crítica à realidade “recortada” das redes sociais.
O espetáculo reedita pela quarta vez a parceria com o encenador paulista Luiz Fernando Marques, o Lubi. E a receita para o sucesso do conjunto parece ser uma rejeição completa a qualquer cadeia de comando. “O Lubi só não é mais um integrante do Magiluth porque não quer. É o cara que mais usa o nosso boné”, brinca o ator e produtor Mário Sergio Cabral. “Parece que a gente pensa do mesmo jeito, via bluetooth. Nossa intenção em cada trabalho é estabelecer um diálogo com todo mundo, sem hierarquia. O Sófocles também não é maior do que a gente. É todo mundo igual.”

Foi essa “pegada horizontal”, digamos assim, que deu liberdade para o Magiluth transformar o clássico grego numa espécie de “festão tecnobrega” em sua versão contemporânea, com discotecagem, dança e até uma biritinha – pelo menos em sua primeira parte. A “tragédia” mesmo só começa depois da primeira hora de apresentação. “Essa festa é uma maneira de colocar a plateia dentro da tragédia. As pessoas precisam saber como as coisas estavam antes pra entender a dimensão do que vai acontecer”, defende Lubi.
“Édipo REC” tem duas sessões, nesta quarta e quinta, dias 08 e 09 de abril, às 20h30, na Ópera de Arame. O local foi uma sugestão da organização do Festival, que volta ao “teatro aberto municipal” depois de um hiato de anos.
“Quando chegou a proposta da Ópera pra gente, foi um pouco assustador. É um lugar lindo, mas é gigantesco”, confessa Giordano Castro, que assina a dramaturgia. “É interessante também ver como o curitibano se relaciona com a Ópera, e entende ela como a sua arena”, pontua Lubi. “Eu estava acompanhando a montagem lá ontem e o dia inteiro tem gente chegando, entrando, saindo.

No palco de “Édipo REC” estará Erivaldo Oliveira, integrante do Magiluth que recentemente participou do filme “O Agente Secreto”, do também recifense Kléber Mendonça Filho, indicado ao Oscar em quatro categorias.
“É um momento histórico para a cultura e a arte de Pernambuco. Estamos tirando a capa empoeirada que nos foi imposta e mostrando que essa subserviência não é o nosso rolê”, pontuou Mário Sergio Cabral. “Por muito tempo, nossa produção cultural foi vista como regional. Ninguém fala isso dos filmes que são feitos no Rio e em São Paulo. A gente é regional, mas é nacional também, como vocês”, completou Pedro Wagner.
Giordano Castro preferiu brincar: “Não é uma questão de ser megalomaníaco. É uma questão de ser, somente. A gente sabe que o Capibaribe, o Beberibe [rios da cidade de Recife] é que se juntam pra encher o Oceano Atlântico”, riu.


