Festival de Curitiba aposta na festa como linguagem e celebra diversidade em 2026

A curadoria do Festival de Curitiba de 2026 estruturou sua programação a partir de um princípio central: a ideia de que festa também é política e pode ser linguagem artística. Com esse olhar, a Mostra Lúcia Camargo, principal vitrine do evento, aposta na celebração do talento nacional como eixo central.

Responsáveis pela seleção, os curadores Daniele Sampaio, Giovana Soar e Patrick Pessoa reuniram 28 espetáculos, sendo seis deles voltados diretamente à ideia de festa, mas sem cair na alienação. Entre os destaques estão Tim Maia Vale Tudo – o musical, {Fé}sta, Édipo REC, Bailarinas Incendiadas, O Grande Cabaré Combo Drag Week e Deriva.

Em conversa com o Blog do Arcanjo, os profissionais falam sobre a escolha criativa: “A gente quer pensar a democracia como uma festa, não como um fardo. A diversidade é interessante”, afirma Patrick Pessoa. Já Giovana resume o espírito da curadoria: “É uma programação que celebra mesmo. Pode ser que estejamos otimistas”.

Sem partir de um conceito fechado, o trio adota uma curadoria “aberta”, baseada na observação do que está sendo produzido no país. O processo inclui viagens, acompanhamento de espetáculos e debates constantes até chegar à seleção final. “Não tem ideia pré-concebida”, explica Daniele Sampaio.

Entre os critérios, mais do que regras fixas, vale o impacto causado pelas obras. “Tudo depende do impacto que ele causa em um dos curadores. ‘Qualidade’ é um conceito em disputa”, diz Patrick. Ao mesmo tempo, há a preocupação em dialogar com o público da cidade. “O festival é pensado pra formar público, não só para os artistas”, completa Daniele.

A edição também reforça o compromisso com a diversidade regional, reunindo grupos de diferentes partes do país, embora, neste ano, a região Norte tenha ficado de fora. Ainda assim, a curadoria destaca a importância de fugir de rótulos. “Não queremos trazer trabalhos só por representatividade. Eles precisam dialogar com o todo”, afirma Giovana.

Interlocuções

Além dos espetáculos, o festival amplia a programação com o Interlocuções, espaço gratuito de debates e formação, reunindo palestras de nomes como Dione Carlos e João Falcão. Outro destaque é a performance de Fernando Marés, que constrói uma instalação ao longo de uma semana na Praça Santos Andrade, culminando em uma apresentação inspirada no épico A Odisseia, de Homero.

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