Festival de Curitiba aposta na diversidade em 2026

Tim Maia Vale Tudo – o musical é destaque da Mostra Lucia Camargo © Lina Sumizono Divulgação para Miguel Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial ao Festival de Curitiba

A curadoria do Festival de Curitiba de 2026 estruturou sua programação a partir de um princípio central: a ideia de que festa também é política e pode ser linguagem artística. Com esse olhar, a Mostra Lúcia Camargo, principal vitrine do evento, aposta na celebração do talento nacional como eixo central.

Responsáveis pela seleção, os curadores Daniele Sampaio, Giovana Soar e Patrick Pessoa reuniram 28 espetáculos, sendo seis deles voltados diretamente à ideia de festa, mas sem cair na alienação. Entre os destaques estão Tim Maia Vale Tudo – o musical, {Fé}sta, Édipo REC, Bailarinas Incendiadas, O Grande Cabaré Combo Drag Week e Deriva.

Em conversa com o Blog do Arcanjo, os profissionais falam sobre a escolha criativa: “A gente quer pensar a democracia como uma festa, não como um fardo. A diversidade é interessante”, afirma Patrick Pessoa. Já Giovana resume o espírito da curadoria: “É uma programação que celebra mesmo. Pode ser que estejamos otimistas”.

Sem partir de um conceito fechado, o trio adota uma curadoria “aberta”, baseada na observação do que está sendo produzido no país. O processo inclui viagens, acompanhamento de espetáculos e debates constantes até chegar à seleção final. “Não tem ideia pré-concebida”, explica Daniele Sampaio.

Entre os critérios, mais do que regras fixas, vale o impacto causado pelas obras. “Tudo depende do impacto que ele causa em um dos curadores. ‘Qualidade’ é um conceito em disputa”, diz Patrick. Ao mesmo tempo, há a preocupação em dialogar com o público da cidade. “O festival é pensado pra formar público, não só para os artistas”, completa Daniele.

A edição também reforça o compromisso com a diversidade regional, reunindo grupos de diferentes partes do país, embora, neste ano, a região Norte tenha ficado de fora. Ainda assim, a curadoria destaca a importância de fugir de rótulos. “Não queremos trazer trabalhos só por representatividade. Eles precisam dialogar com o todo”, afirma Giovana.

Interlocuções

Além dos espetáculos, o festival amplia a programação com o Interlocuções, espaço gratuito de debates e formação, reunindo palestras de nomes como Dione Carlos e João Falcão. Outro destaque é a performance de Fernando Marés, que constrói uma instalação ao longo de uma semana na Praça Santos Andrade, culminando em uma apresentação inspirada no épico A Odisseia, de Homero.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Festival de Curitiba.

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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