Teatro Oficina debate a negritude e apresenta a peça BORI com entrada grátis

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Colaborou JULIA BARRICHELLO
Estudante de Jornalismo da Universidade Positivo
sob supervisão de Miguel Arcanjo
O Teatro Oficina sedia, entre 14 de março e 12 de abril de 2026, o ciclo “BORI: Luz Negra no Terreiro Eletrônico”. A programação gratuita reúne uma série de debates, leituras encenadas e encontros com artistas, pesquisadores e lideranças negras para refletir sobre racismo estrutural, teatralidades pretas e a memória do território do Bixiga, em São Paulo.
Inspirado no conceito da filósofa Denise Ferreira da Silva, o projeto utiliza o espetáculo-rito BORI como disparador de diálogos sobre a presença de artistas pretos e nordestinos na linguagem da companhia. Entre os convidados confirmados estão o historiador Salloma Salomão, o Coletivo Legítima Defesa, o arqueólogo Eduardo Neves e a ativista Luciana Araújo, que discutirá a preservação do sítio arqueológico do Quilombo Saracura.
De acordo com Marília Piraju, idealizadora do projeto, a iniciativa busca confrontar as tensões urbanas atuais:
”O Oficina tem 67 anos, é patrimônio da cultura brasileira, é fundamental que a gente olhe para o racismo estrutural que nos atravessa e atravessa as relações entre teatro e território”, afirma.
O ciclo encerra-se no dia 12 de abril com uma apresentação única de BORI, montagem que investiga as migrações nordestinas e a ancestralidade negra na formação estética do grupo Uzyna Uzona.
SERVIÇO:
Quando: De 14 de março a 12 de abril de 2026.
Horários: Sábados às 11h; Quarta (25/03) às 20h; Apresentação única – Espetáculo BORI (12/04) às 18h.
Onde: Teatro Oficina – Rua Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo/SP.
Quanto: Entrada gratuita.
Classificação: Livre (debates) e 16 anos (Espetáculo BORI)
PROGRAMAÇÃO COMPLETA
14/03 (sábado), 11h
Abertura com Salloma Salomão
Tema: Teatralidades negras, interpretações corais
21/03 (sábado), 11h
Aulão com castilho
r.ebó.lar – corpo como arquivo vivo
25/03 (quarta), 20h
Leitura encenada de O Poder Negro
Com Coletivo Legítima Defesa, seguida de conversa com William Santana Santos
28/03 (sábado), 11h
Conversa com Eduardo Neves e Luciana Araújo
Tema: A Terra Quer: arqueologia em territórios pretos e indígenas – rotas de luta e imaginação
11/04 (sábado), 11h
Conversa com Denise Ferreira da Silva
Tema: conferência Luz Negra no Mundo – a epifania do corpo infinito
12/04 (quinta), 18h
BORI – apresentação única do espetáculo-rito
SOBRE OS CONVIDADOS DO CICLO DE DEBATES
Salloma Salomão é multiartista, historiador, pesquisador e educador, com atuação central na cultura afro-brasileira e diaspórica. Cantor, compositor (10 álbuns lançados), doutor em História pela PUC-SP e pensador influente do movimento negro.
Coletivo Legítima Defesa é um grupo artístico de ação poético-política, formado em 2015 por atores, músicos e DJs, com foco na reflexão e representação da negritude e seus desdobramentos sociais. O grupo utiliza a “guerrilha estética” para ocupar espaços como museus e centros culturais e defender a existência e a vida através da arte.
William Santana Santos é pesquisador, curador e produtor cultural, com formação em Ciências Sociais e Sociologia pela USP. Atua na preservação da memória do Teatro Experimental do Negro e de manifestações culturais negras no Brasil.
Eduardo Neves é arqueólogo, professor e diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (MAE-USP). Especialista na Amazônia, com mais de 30 anos de pesquisa, é referência nos estudos sobre sociedades indígenas complexas antes de 1500.
Luciana Araújo é jornalista, moradora do Bixiga e uma das principais lideranças do movimento Mobiliza Saracura/Vai-Vai, que defende a memória negra e o sítio arqueológico do Quilombo Saracura, ameaçado por obras do metrô paulista. Integra o Movimento Negro Unificado (MNU) e a Marcha das Mulheres Negras.
Denise Ferreira da Silva é filósofa, artista e acadêmica, referência mundial em estudos de raça, poder, ética e feminismo negro anticolonial. Professora na New York University, ex-diretora do Social Justice Institute (University of British Columbia), investiga a racialidade no pensamento pós-Iluminista e produz arte relacional e filmes.
castilho é artista brasileira transdisciplinar, graduada pela Escola de Arte Dramática – EAD/ECA/USP, pesquisa as multiplicidades e potencialidades da arte periférica afroindígena, através de confluências latinas em diáspora. Atua também como atriz no cinema e na tv, atualmente integrando o elenco principal da série Santo, da Netflix.
FICHA TÉCNICA – PROGRAMAÇÃO
Organização: Marília Piraju e Fernanda Taddei
Produção: Bruli, Victor Rosa e Brenda Amaral
Núcleo de estratégia: Lucas Andrade, Odá Silva, Joel Carlos e Ana Cantanhede
FICHA TÉCNICA – ESPETÁCULO BORI
Idealização: Marília Piraju
Codireção: Marília Piraju, Rodrigo Andreolli, Fernanda Taddei
Dramaturgia: Marília Piraju, Rodrigo Andreolli, Fernanda Taddei, Joel Carlos, Odá Silva, Vick Nefertiti
Banda: Letícia Coura, Maria Bitarello, Fefê Camilo, André Santana Laga, Tetê Purezempla, Renato Pascoal, Chicão, Moita Mattos
Time da criação coral: Alexandre Paz, Alex Augusto, Ayomi Domenica, Akikànjú Robson da Silva, Ana Clara Cantanhede, Cyro Morais, Corisco Amaré Yndio do Brasil, Davi, Danielle Rosa, Jhonatha Ferreira, Jennifer Glass, Joel Carlos, Gii Lisboa, Kelly Campello, Flora Sandyá, Letícia Coura, Lucas Andrade, Luzia Rosa, Marcio Telles, Marcelo Dalourzi, Mombira Mathunsi, Nduduzo Siba, Odá Silva, Samurai Cria, Selma Paiva, Tetê Purezempla, Victor Rosa, Viviane Clara, Yannick Delass
Concepção direção de arte: Abmael Henrique, Anita Braga, Dan Salas, Gii Lisboa, Marcelo X e Pedro Levorin
Figurino e adereços: Abmael Henrique e Dan Salas
Direção de cena: Gii Lisboa e Dan Salas
Concepção de vídeo: KlausYuka, Renato Pascoal e Corisco Amaré Yndio do Brasil
Câmera ao vivo: Corisco Amaré Yndio do Brasil, Victor Rosa e Luz Barbosa
Operação de vídeo ao vivo: Renato Pascoal
Fotografia: Jennifer Glass
Desenho de luz e operação: Victoria Pedrosa
Operação de foco móvel: Angel Taize
Sonorização e operação de som: Clevinho Ferreira e Júlia Ávila
Preparação coral: Letícia Coura e Tetê Purezempla
Artes gráficas e videográficas: Pedro Martins e Cafira Zoé
Coordenação acervo: Elisete Jeremias
Guardiã dos figurinos: Cida Melo
Direção de produção: Bruli
Produção executiva: Victor Rosa
Administração Teat(r)o Oficina: Anderson Puchetti
Assessoria de imprensa: Baobá Comunicação
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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