★★★★ Crítica: Moraes Musical Moreira exala brasilidade envolvente em superprodução baiana

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial a Salvador da Bahia*
★★★★
MORAES MUSICAL MOREIRA
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Sex 20h Sáb e Dom 17h até 30/8/2026
Teatro Castro Alves, Salvador, Bahia
Compre seu ingresso!
Moraes Musical Moreira mostra que a qualidade do teatro musical baiano veio para ficar. Depois do arrasa-quarteirão Torto Arado – O Musical, a Maré Produções Culturais aposta na história do cantor e compositor Moraes Moreira (1947-2020), ícone dos Novos Baianos e do Carnaval de Salvador, do qual foi o primeiro cantor de trio elétrico da história, em dramaturgia refinadamente poética de Fábio Espírito Santo sob direção tropicalista e com fé na festa de Ana Paula Bouzas em idealização e produção de Fernanda Bezerra. Afinal, o teatro musical brasileiro é muito mais que São Paulo, Rio de Janeiro ou Broadway e nele cabem histórias nordestinas contadas pelos próprios. Isso traz uma verdade que se sente, tal qual o famoso axé que só a Bahia tem. O espetáculo reivindica a Bahia como farol estético da cena nacional, entrelaçando a infância em Ituaçu, o idílio poético dos Novos Baianos e a consagração carnavalesca, sem perder o gingado, indo da bossa nova ao frevo, do forró à marchinha, na tapeçaria harmônica do constante vento solar que foi Moraes Moreira na MPB. Dois atores dividem o protagonista: Rodrigo Sestrem e Cris Meirelles, com caracterização fidedigna e vozes impecáveis, além de Júlia Tizumba como a Musa Música, que costura o enredo. O restante do elenco forma uma espécie de Bloco do Prazer, evocando a alma libertária do homenageado, que ganha especial brilho no gingado preciso de Ofámirô. Ainda estão em cena Diana Ramos, Kadu Veiga (que cria paz na pele de João Gilberto tocando Acabou Chorare), Luisa Muricy, Marcos Lopes, Mano Leone, Nana Nevez, Rapha Gouveia, Sabiá e Saulo Ilogoni, formando um time coeso que se transmuta em música. A ótima banda confirma a versatilidade musical baiana sob inventiva direção musical de João Milet Meirelles e Ronei Jorge. Ainda no time criativo é preciso destacar os figurinos tropicalistas de Alexandre Guimarães e Diana Moreira e a iluminação onírica de Adriana Ortiz, além da direção de arte e cenografia de Renata Mota e coreografias de requebranças de Jaí Bispo e Isis Carla. Moraes Musical Moreira é uma festa de Bahia e de Brasil, com jeito de povo que balança o chão da praça e do palco.
★★★★
MORAES MUSICAL MOREIRA
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Sex 20h Sáb e Dom 17h até 30/8/2026
Teatro Castro Alves, Salvador, Bahia
Compre seu ingresso!
Depois da temporada baiana, Moraes Musical Moreira ocupará o Teatro Luiz Mendonça, em Recife, de 4 a 6 de setembro. Em seguida, aportará na Sala Martins Pena do Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília, de 24 a 26 de setembro. A apoteose da temporada 2026 acontecerá no histórico Teatro Carlos Gomes, no centro do Rio de Janeiro, onde o musical ficará em cartaz durante todo o mês de novembro (de 5 a 29/11). A produção ainda negocia temporadas ainda não confirmadas em Fortaleza e em São Paulo.

*O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado viajou a Salvador a convite da Maré Produções Culturais e Criativos.
Moraes Musical Moreira: Miguel Arcanjo mostra fotos da estreia no Teatro Castro Alves em Salvador pelo olhar do fotógrafo Caio Lírio

























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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado
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