★★★★★ Crítica: Inter Alia tem plenitude de Drica Moraes em drama da talentosa Suzie Miller

Os atores Caio Cesar Passos, Drica Moraes e Caco Ciocler celebram sucesso de Inter Alia no Teatro Vivo © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

★★★★
INTER ALIA
Avaliação: Excelente
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Sex e Sáb 20h Dom 18h até 20/9/2026
Teatro Vivo – Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460, SP

12 anos, 100 min
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Depois do espetáculo arrasa-quarteirão Prima Facie, que catapultou a carreira de Débora Falabella no teatro, abocanhando as principais premiações (Prêmio Arcanjo, Prêmio Shell, Prêmio APTR, Prêmio Bibi Ferreira e Prêmio APCA), era grande a expectativa para o novo texto da dramaturga e advogada australiana Suzie Miller. E ela não decepciona. No drama INTER ALIA, que chega ao Brasil no Teatro Vivo, a talentosa autora novamente recorre aos meandros do mundo jurídico, com foco na violência contra a mulher, tendo como protagonista a juíza Jessica Parks, interpretada pela excelente Drica Moraes, atriz em plenitude na produção da dedicada dupla Edson Fieschi e Luciano Borges, a mesma de Prima Facie. O sensível Rodrigo Portella, atualmente o melhor diretor do teatro brasileiro, foi sabiamente eleito para comandar a encenação na qual o mundo jurídico vira tragédia doméstica. Na pele da juíza que busca humanizar o sistema e profere sentenças contundentes a homens que agridem mulheres, Drica Moraes encapa a couraça (e também as fragilidades) das mulheres que ocupam espaços de poder. Atriz que navega com facilidade do humor ao drama, ela confere carisma à personagem, que logo captura o público. Sua Jessica opera como um pêndulo sutil: transita da autoridade do tribunal ao desamparo de uma mãe confrontada pelas contradições de suas convicções. E há dois homens fundamentais em sua vida: Caco Ciocler confere complexidade ao marido, o advogado Michael, sustentando com inteligência as microtensões de um casamento que abriga um silencioso campo de disputa; e Caio Cesar Passos imprime a dosagem exata ao enigmático filho adolescente, Harry, estopim que faz ruir a arquitetura familiar. Esteticamente, o espetáculo é de elegância refinada, como no cenário que se compõe e se decompõe, manipulado pelos atores e criado por Rodrigo Portella e Mina Quental, fundindo bancadas de tribunais a abajures domésticos, em sintonia com a iluminação atmosférica de Ana Luzia di Simoni, dissolvendo fronteiras entre o fórum e o lar. A trilha sonora de Federico Puppi pontua as transições que ditam o pulso da narrativa. Inter Alia, uma expressão do latim usada no meio jurídico e que traduz a ideia de “entre outras coisas”, vira um olhar sagaz sobre até onde sustentamos nossas convicções, sobretudo diante das cruéis ironias da vida. Ao entrelaçar o debate de gênero às dinâmicas digitais da vagante juventude atual, a peça não busca condenações nem absolvições apressadas. Pelo contrário, expõe a complexidade do humano. Ao permanecer na mesma temática de Prima Facie, mas partindo para um novo ponto de vista, em Inter Alia, Suzie Miller demonstra ser dramaturga de fôlego ao criar peças complementares, sem abrir mão da singularidade de cada uma. Assim, consegue o feito da segunda obra-prima.

★★★★
INTER ALIA
Avaliação: Excelente
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Sex e Sáb 20h Dom 18h até 20/9/2026
Teatro Vivo – Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460, SP

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Inter Alia

FICHA TÉCNICA

Texto: Suzie Miller
Direção:  Rodrigo Portella
Tradução: Alexandre Tenório
Dramaturgista: Bianca  Ramoneda
Diretor Geral de Produção: Luciano Borges
Cenário: Rodrigo Portella e Mina Quental
Figurino: Karen Brusttolin
Iluminação: Ana Luzia di Simoni
Trilha Sonora: Federico Puppi
Visagismo: Rose Verçosa
Direção de Movimento: Denise Stutz
Assistente de Direção: Virginia Bravo
Direção de Produção: Nilza Guimaraes
Diretor financeiro: Edson Fieschi
Gestão de lei de incentivo: Nathalia Simonetti
Produção Executiva: Clayton Epifani
Designer Gráfico: Barbara Lana
Fotos de estúdio: Robert Schwenck
Mídias Sociais: Fernanda Piloto
Comunicação: Pedro Neves
Idealização: Luciano Borges
Realização: Borges e Fieschi Producões Culturais

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado

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