★★★ Crítica: Quase Inverno leva realismo de Tchekhov ao interior do Paraná na ditadura militar 

Quase Inverno , de Rodrigo Grota © Divulgação Blog do Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Enviado especial a Curitiba

★★★
QUASE INVERNO
(Brasil, 2026, 93 min, de Rodrigo Grota)
Avaliação: Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Filme visto no 15º Olhar de Cinema Festival Internacional de Curitiba

Único representante paranaense e primeiro longa do interior do estado na Mostra Competitiva Brasileira de Longas do Olhar de Cinema, o filme Quase Inverno, de Rodrigo Grota, cineasta de Londrina, foi exibido nesta quinta, 11, no 15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. Drama intimista, o longa vai ao caminho contrário do cinema dissidente que é maioria no festival e se concentra em uma família rural abastada e branca, proprietária de uma fria fazenda do interior paranaense nos anos 1970, tempos de ditadura militar no Brasil. Inspirado em As Três Irmãs, do mestre do realismo russo Tchekhov, o diretor apresenta quatro irmãos, três mulheres e um homem, às vésperas da morte da matriarca, interpretada com competência por Esther Góes. Esta sugere a venda da propriedade após sua partida, mas o filho homem não obedece e toma as rédeas da família e da propriedade, lugar que abriga segredos inconfessáveis. A escolha da direção por uma sucessão de monólogos de ares solenes faz cair o ritmo do longa, esmaecendo seus conflitos. As três irmãs soam como arquétipos, e o vigor está presente em maior intensidade nas atrizes Simone Iliescu e Luiza Quinteiro, cujo quarteto de irmãos se completa com Ondina Clais e Guilherme Kirchheim como o irmão. As mulheres parecem detidas no tempo, em seus conflitos e segredos não revelados, enquanto que aos homens está dada a ação, em um desenho do poder patriarcal, às quais se somam a participação dos atores Erom Cordeiro e Fernando Alves Pinto. O diálogo com o regime de exceção se dá nas relações sombrias que o irmão mantém com os militares locais. Ao fim, o longa flerta com a atmosfera tchekhoviana, propondo um diálogo entre o audiovisual e o teatro de base europeia, refletindo a busca por uma conexão típica do Sul do Brasil.

★★★
QUASE INVERNO
(Brasil, 2026, 93 min, de Rodrigo Grota)
Avaliação: Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Filme visto no 15º Olhar de Cinema Festival Internacional de Curitiba

O jornalista Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Olhar de Cinema.

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado

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