Natália Beukers estreia Sete Minutos, primeira peça do Infoteatro, com Antonio Fagundes no texto e direção

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Reportagem de VICTOR STELLA
Dona do Infoteatro, a paulistana Natália Beukers, aos 28 anos, já detém um site de importância na cena teatral e que reúne a programação tanto de São Paulo quanto do Rio de Janeiro em um só lugar. Agora, começa nova jornada, como produtora de teatro, com o espetáculo Sete Minutos, com texto e direção de Antonio Fagundes, a quem entrevistou justo no lançamento de seu site. A estreia é nesta quinta, 21, com sessões às sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 18h, até 1º de agosto, no Teatro Cultura Artística, no centro paulistano.
A atriz, produtora e empresária cresceu nos palcos e transita entre o tablado e a comunicação. Natália é formada pela Escola de Atores Wolf Maya e participou 5 anos do Grupo Tapa, além de ter sido colunista da Vogue Brasil e ter estudado Direito na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo.
Nesta entrevista com o repórter Victor Stella para Miguel Arcanjo, Natália conta sobre sua trajetória de carreira e como chegou até Antonio Fagundes para fazer a montagem da obra Sete Minutos. Leia a entrevista a seguir.

Blog do Arcanjo – Como começou a sua ligação com o teatro?
Natália Beukers – Eu comecei a fazer teatro com 10 anos de idade, na Casa do Teatro. Foi bem aquela coisa: ‘como ela é extrovertida e tal, tem que fazer teatro’. Aí eu comecei a fazer aula de teatro na Casa do Teatro. Desde lá, eu lembro muito de uma sensação de perceber como aquilo era grandioso. E aí eu fiz 6 anos de Casa do Teatro. Depois, eu fui fazer Wolf Maya, me formei no Wolf, isso em 2016. E logo em seguida eu entrei no Grupo Tapa, onde fiquei 5 anos trabalhando com produção, fazendo assistência de produção e tudo o mais. E aí eu fiz uma peça como atriz no Tapa, que foi o Jardim das Cerejeiras. E logo depois disso entrou a pandemia. E aí, na pandemia, foi quando eu criei o Infoteatro.
Blog do Arcanjo – Você tem algumas formações, né? Você atual como jornalista, mas você é formada também em direito. Eu queria entender como é toda essa multi-carreira.
Natália Beukers – Então, na verdade eu sou formada só em direito pela PUC. Eu me formei em 2020. Quando eu estava no colegial, eu já fazia o Wolf Maya. E aí eu pensei, que faculdade eu faço e tal… E aí eu falei, vou fazer uma faculdade mais convencional, digamos assim. Aí eu fiquei em dúvida se eu fazia cinema ou direito. Aí eu falei: “vou fazer direito”. Entrei na PUC logo que eu saí da escola. Comecei, achei super legal no começo. Tinha matérias de sociologia, filosofia. Então eu estava achando super maravilhoso. Aí depois, quando começou a ficar mais específico, eu comecei a ficar um pouco nervosa. Tipo, nossa, acho que eu não quero seguir isso… E aí eu prestei, enquanto eu estava na PUC, cinema na FAAP. Passei. Aí eu comecei a fazer cinema, Wolf Maya e PUC Direito. Aí não deu muito certo, porque era muita coisa. E aí eu pensei: preciso sair de alguma coisa. Eu falei: “deixa eu continuar no direito”. Que querendo ou não, entre aspas, é uma formação mais certeira. E larguei o cinema, continuei no teatro e na PUC. Mas, já na PUC, eu percebia que eu não ia seguir a carreira. Eu até trabalhei dois anos em um escritório da área cultural. E aí várias pessoas falavam: “nossa, você achou o trabalho perfeito, que liga as duas coisas”. Só que na real não, porque o dia a dia de trabalho, mesmo trabalhando com direito cultural, é muito diferente do que trabalhar na área da cultura. E aí paralelamente a isso eu comecei a escrever para a Vogue. Uma coluna semanal. Isso foi em 2021. E aí fiquei na Vogue até fazer o Infoteatro, mas não tenho nenhuma formação específica em jornalismo.

Blog do Arcanjo – Como é você ser tão jovem e já ter criado o site Infoteatro?
Natália Beukers – Eu não penso nisso. Eu fico, nossa, realmente já tenho o Infoteatro, trabalhei bastante e tal, mas eu não fico me apegando muito a essa questão da idade. Quando eu criei o Infoteatro, era muito nesse lugar de querer que as pessoas da minha idade, na época eu tinha 22 anos, era muito nesse lugar das pessoas da minha idade poderem se aproximar do teatro. Que elas pudessem saber das peças em cartaz, como se faz para ir ao teatro. Então nasceu muito dessa vontade de partilhar um pouco essa minha paixão pelo teatro. Aí, claro, o Infoteatro começou a ficar mais sério. Eu até brinco, porque eu só queria falar de teatro e do nada eu percebi que tinha uma empresa. Então, foi um susto, mas a ideia inicial foi até um pouco inocente, sabe? De criar o site e tudo mais. Eu não tinha exatamente uma pretensão de chegar a um lugar, ou de alcançar tais e tais objetivos. Realmente foi uma coisa natural que foi acontecendo.

Blog do Arcanjo – E agora vamos falar um pouquinho sobre a peça Sete Minutos. Como você chegou a fazer o contato com Antônio Fagundes? Como que foi isso?
Natália Beukers – Então, pelo Infoteatro eu faço entrevistas com atores, diretores. Já tem mais de 100 entrevistas feitas. E eu queria muito entrevistar o Antonio Fagundes como essa figura-chave do nosso teatro. E aí eu tentei algumas vezes e não deu certo. Até que o Fábio Espósito, que inclusive está no elenco Sete Minutos, fez essa ponte com o Fagundes. Ele já tinha feito Baixa Terapia com o Fagundes. Aí ele falou: “Fagundes, o projeto do Infoteatro é legal, então dá uma chance, vê se você não consegue aí um tempo”. Aí eu consegui a entrevista. Na entrevista, eu me preparei bastante. Foi talvez uma das entrevistas que eu mais estudei a pauta. E aí eu fiz várias perguntas de mercado, de como realmente aproximar as pessoas do teatro. E o Fagundes foi se interessando pela conversa, porque ele ama esse assunto e tem muita coisa a nos dizer a respeito desse assunto. E aí no final da entrevista, ele falou: “Olha, eu vou começar a divulgar o Infoteatro nos bate-papos da minha peça”, que era o Dois de Nós, que inclusive ainda está em cartaz no Tuca. Ele falou, vou começar a divulgar o Infoteatro. Falei: “Puxa, nossa, muito obrigada e tal”. Não botei muita fé assim. Falei: “Ah, legal, mas será que vai mesmo?” E aí eu fui assistir o Dois de Nós, eu já tinha assistido, mas foi uma segunda vez, para ver se de fato ele estava divulgando o Infoteatro. E ele estava. E aí no final de toda a apresentação de Dois de Nós, ele falava: “Olha, os jornais perderam a parte de guia cultural, e o público não reclamou, então a gente tem essa lacuna, mas a minha dica é, tem um site e um Instagram” até decorei “Tem um site e um Instagram chamado Infoteatro, que faz esse serviço para a gente”. E eu lembro que toda noite, em dia de peça dele, a noite eu ganhava 100 seguidores de uma vez. Aí eu pensava: “Ah, o Fagundes acabou de divulgar”. Então, começou meio aí.

Blog do Arcanjo – E como surgiu a parceria em Sete Minutos?
Natália Beukers – Nessa ocasião que eu fui assistir o Dois de Nós, o Fagundes estava vendendo o livro, tanto do Dois de Nós como o livro Sete Minutos, que ele tinha acabado de lançar pela editora Cobogó, isso no início de 2025. E aí eu saí da peça, fui dar uma olhada no livro, e quando abri a parte de personagens, tinha: ator, ator jovem e empresária (pode ser jovem). Aí eu falei: “Nossa, tem uma personagem para mim”. Comprei o livro, li na minha casa, naquela mesma noite, e eu fiquei muito em choque, porque a peça fala exatamente de tudo que eu venho trabalhando e de tudo que eu venho falando no Infoteatro. Porque a peça fala sobre formação de público, fala sobre essa grandiosidade do teatro, sobre essa oportunidade que a plateia tem quando ela vai ao teatro de se encontrar, de se espelhar naquilo. Então, eu falei: “Nossa, essa peça realmente tem tudo a ver com o Infoteatro”. Então, meio que começou aí a ideia de montar.
Blog do Arcanjo – E como é para você ser uma produtora? Porque você também é atriz.
Natália Beukers – Então, essa parte da produtora, surgiu quando fiquei cinco anos no Grupo Tapa, onde fiz muita coisa na produção. Eu era assistente do Ariell Cannal, que era o produtor do Tapa na época, e lá eu fiz de tudo. Eu fiz contra-regragem, eu fiz luz, som, fiz bilheteria, fechava os borderôs, até café eu aprendi a fazer no Tapa. E eu comecei a fazer bastante produção, a ver o funcionamento dessa engrenagem toda, que é levantar uma peça de teatro. E aí, quando surgiu essa questão da peça Sete Minutos, eu fui conversar com o Fagundes, e ele falou: “Mas quem que vai produzir?”. Eu falei: “Olha, eu vou produzir pelo Infoteatro”. Então, é a primeira produção do Infoteatro e eu vou fazer sem leis de incentivo, sem edital. E aí a gente começou a estudar esse modus operandi de produzir sem leis, sem edital. E, paralelamente a isso, eu vi que seria muita coisa fazer produção, tenho que tocar o Infoteatro, também dou aula de teatro, e também fazer como atriz a peça. Eu contatei a Sonia Cavantan, que é uma produtora que já tem muitos anos de experiência, e a Sônia está me dando toda essa bagagem dela, essa experiência dela, e todo esse apoio para que a produção esteja funcionando. Então, de certa forma, neste projeto de Sete Minutos, eu também estou aprendendo a produzir com a Sônia Cavantan, que está fazendo a nossa direção de produção.

Blog do Arcnajo – E como você lida com tudo?
Natália Beukers – Nossa, boa pergunta. Então, realmente, é muita coisa. Eu confesso assim, desde criança eu faço muita coisa, até essa época que eu fiz o Wolf, PUC, FAAP, eu sempre tive essa constância de fazer muitas coisas. É um pouco maçante, porque muitas vezes eu me desorganizo, tenho dificuldade de elencar minhas prioridades, mas eu acho que tudo depende da equipe que você está rodeado. E nesse caso, por exemplo, no Sete Minutos, a Sônia Kavantan está sendo esse porto-seguro, para mim, digamos assim, porque a gente elenca juntas as prioridades. Eu acho que faz parte delegar muita coisa. Claro, sempre manter essa gerência, de realmente gerenciar a produção, ver se tudo está andando, mas eu realmente, com a equipe que estou agora, consegui organizar essa loucura. Em relação a isso de se organizar, de fazer muita coisa, eu acho que também é um segredo: quando eu estou no ensaio como atriz, eu tento não pensar na produção. Acho que também tem essa diferença. Quando eu estou fazendo a produção, eu estou fazendo a produção. Então, eu estou conseguindo fazer essa divisão de tarefas na minha própria cabeça, digamos assim, não pensar numa coisa enquanto estou fazendo outra.
“O que realmente eu gostaria com Sete Minutos, e o texto propõe isso, é que o público entenda um pouco mais sobre como as coisas funcionam nos bastidores do teatro.”
Natália Beukers
atriz, comunicadora, empresária e produtora
Blog do Arcanjo – Que recado vocês querem passar com a peça Sete Minutos para o público?
Natália Beukers – Acho que a grande questão da peça é realmente essa declaração de amor ao teatro. É mostrar para o público também o lado de quem faz teatro, porque, muitas vezes, o público vai ao teatro ver aqueles atores ali no palco e, de certa forma, não sabem muito como funciona tanto a cabeça dos atores que estão ali, como esse funcionamento de fato de como é produzir uma peça de teatro, quais os percalços que a produção enfrentou para que aquilo esteja no palco, para que comece na hora, para que esteja tudo certo. O que realmente eu gostaria com Sete Minutos, e o texto propõe isso, é que o público entenda um pouco mais sobre como as coisas funcionam nos bastidores do teatro. E até uma coisa que eu e o Fagundes já conversamos bastante, não se pode gostar daquilo que não se conhece. Então, a partir do momento que você tem um conhecimento de como funcionam as regras, digamos, do jogo teatral, você se torna um espectador ativo diante daquilo. Você não fica só passivamente assistindo espetáculo, você sabe os riscos que aquilo está correndo, que um refletor pode queimar, que um ator pode esquecer uma fala. Então, o público se torna parte desse encontro que é uma peça de teatro. Acho que desejo realmente trazer o público cada vez mais perto do teatro para que ele cada vez mais entenda e perceba a oportunidade que é assistir a uma peça, essa comunhão, esse encontro. E a peça Sete Minutos fala exatamente sobre isso.
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Sete Minutos
De 21/05/2026 até 01/08/2026
Sexta e sábado, 20h, domingo, 18h
A partir de R$50
Teatro Cultura Artística R. Nestor Pestana, 196 – Consolação, SP (11) 3256-0223
12 anos 80 minutos
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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