Baía de Vozes Insurgentes leva histórias de mulheres baianas ao Festival de Curitiba

Mostra Bahia de Vozes Insurgentes marca a coletiva de imprensa do Festival de Curitiba © Annelize Tozetto Divulgação para Miguel Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial ao Festival de Curitiba

Reportagem de FLORA CARNEIRO e ALICE ERNSEN

A mostra “Baía de Vozes Insurgentes” é destaque do Fringe, no 34° Festival de Curitiba. Idealizada para reunir peças de seis artistas baianas, a programação apresenta solos que contam histórias de diferentes mulheres, assim como suas intérpretes. A idealizadora Camila Guilera define que as obras são: “produções que partem de inquietações, de pesquisas artísticas e de vida de cada uma de nós […] são os espetáculos criados pelas artistas ali com, claro, as mais diversas colaborações, mas que partem dessas inquietações, das urgências e das insurgências daquilo que a gente está precisando falar”.

No Teatro Novelas Curitibanas, os espetaculos abordam temas como o sistema prisional, a inquisição, o aborto e a dignidade das mulheres do sertão se entrelaçam. Jane Santa Cruz, uma das integrantes da mostra, recomenda assistir todas as peças: “Se você puder acompanhar do início ao final, vai ver que a mostra está toda interligada. São vozes que foram silenciadas ao longo do tempo e que agora se encontram”, diz.

Reunindo seis espetáculos autorais, a mostra Baía de Vozes Insurgentes traz ao Fringe do Festival de Curitiba uma coletânea de artistas femininas da Bahia que abordam temas como o silenciamento ancestral e a busca pela dignidade. A mostra, idealizada por Camila Guilera e Milena Flick, vai até o dia 5 de abril no Teatro Novelas Curitibanas, com espetáculos com  classificação etária que varia entre livre e 16 anos.

Em conversa com jornalistas no hotel Mabu, após o primeiro dia de mostra, Jane Santa Cruz comentou que estar no festival com essas mulheres é o seu “marco de carreira”. A data foi seu dia de estreia no Fringe, com Golpes do Ventre, apresentado na quinta-feira, 2, às 19h. O solo conta a história de Bárbara, uma mulher que, no ventre da mãe, confronta histórias de violência e ancestralidade. O texto trata do silenciamento que acompanha as mulheres vítimas de violência desde a ancestralidade.

Programação no feriado

Na sexta-feira, 3, Filipa, interpretada por Camila Guilero, expõe uma mulher real que não tem medo de mostrar quem realmente é. A peça se passa na época da inquisição da Bahia, quando Filipa foi perseguida e torturada por se relacionar com outras mulheres. O tempo de pesquisa para a criação levou, segundo a atriz, entre 10 e 15 anos. Segundo ela, a apresentação é frequentemente descrita como impressionante pelos espectadores.

No sábado, 4, haverá dois espetáculos. Às 16h, em 12 Horas, Joy Sangolete apresenta um relato sobre o que acontece quando uma mulher chega num hospital com um caso de aborto. A artista explicou que a obra faz parte de seu doutorado e é um local de denúncia e quebra de silêncio social sobre o tema. Mais tarde, às 19h, será apresentado o solo Isto Não É Uma Mulata, de Mônica Santana. A peça aborda questões raciais e o estereótipo da mulher negra.

Fechando a mostra, Alice Cunha se apresenta em Consolo, um Solo de Fêmino-Circense, no domingo, 5, às 16h. O solo multilinguístico mistura circo, dança, música e teatro, revelando contextos de mulheres que apesar das adversidades, mantinham suas dignidades. 

Recepção do público

Márcia Limma, autora de Medeia Negra, descreveu sua vivência no Fringe como “maravilhosa”, com a casa lotada e uma recepção emocionante da apresentação. Márcia ressaltou a necessidade de ainda discutir sobre o tema e a importância do projeto em alavancar as vozes dessas mulheres. O espetáculo está prestes a completar uma década e conta com vozes de mulheres em situação de encarceramento. “Eu sinto muito em dizer que o espetáculo ainda é necessário. Todas nós aqui somos necessárias ainda para estarmos à frente pedindo para que não nos matem. Nos deixem viver com as nossas peles negras”, afirmou a atriz.

As artistas concluíram a conversa ressaltando que as peças nasceram de inquietações de pesquisas artísticas e de vida. Baía de Vozes Insurgentes é uma oportunidade “rara e preciosa” de ter contato com a cena autoral de artistas mulheres do Teatro de Salvador.

Na Mostra Fringe companhias de teatro, circo, música, dança e outras vertentes artísticas participam por meio de cadastro voluntário, separadas por “Mostras”, “Espetáculos de Rua” e pelo “Circuito Independente”. Este ano, a mostra contará com atrações vindas de todas as cinco regiões do Brasil e também promove a terceira edição da “Rodada de Conexões”, ação que reúne e aproxima curadores e programadores de festivais e salas de teatro de todo o Brasil com companhias presentes no Fringe e, também, grupos radicados em Curitiba.

A Mostra Fringe, bem como a Mostra Lucia Camargo e o Interlocuções são apresentados por Lei Rouanet, Prefeitura de Curitiba, Renault, Geely, Petrobras e Sanepar, com patrocínio de EBANX, Copel, Itaipu e Viaje Paraná. A realização é de Paraná Festivais, Hotmilk, PUCPR, Cultura Paraná, Governo do Paraná, Sistema Nacional de Cultura, Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e Ministério da Cultura e Governo Federal – Do lado do povo brasileiro. Confira no site oficial todos os espetáculos que contam com acessibilidade em Audiodescrição e intérpretes de Libras.

Acompanhe todas as novidades e informações pelo site do Festival de Curitiba www.festivaldecuritiba.com.br, pelas redes sociais disponíveis no Facebook @fest.curitiba, pelo Instagram @festivaldecuritiba e pelo Twitter @Fest_curitiba.

Serviço:

Mostra Baía de Vozes Insurgentes

De 1º a 5 de abril, no Teatro Novelas Curitibanas

Valores: de gratuito a R$ 40

34.º Festival de Curitiba – Mostra Fringe

Data: De 1/4 até 12/4 de 2026

Valores: Os ingressos vão de R$00 até R$80  (mais taxas administrativas).

Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller – Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).

Verifique a classificação indicativa e orientações de cada espetáculo.

Confira também todos os espetáculos que contam com acessibilidade em Audiodescrição e intérpretes de Libras.

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*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Festival de Curitiba.

*Estudante de Jornalismo da Universidade Positivo sob supervisão de Miguel Arcanjo em parceria com a professora Katia Brembatti.

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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