CineOP: Documentário sobre Lô Borges é destaque na 18ª Mostra de Cinema de Ouro Preto

Documentário sobre Lê Borges foi exibido no sábado 24 na 18ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto © Universo Produção Leo Lara Divulgação Blog do Arcanjo 2023

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Enviado especial a Ouro Preto*

O filme sobre a obra de Lô Borges teve sua pré-estreia mundial no sábado, 24, em pelno centro histórico de Ouro Preto, Minas Geras, como destaque da 18ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. O documentário tem a direção de Rodrigo de Oliveira e codireção de Vania Catani, mostrando uma trajetória construída de brilhos, medos e sonhos, unidos à aventura da composição na vida e obra do músico mineiro que fez história ao lado de Milton Nascimento no álbum cinquentenário Clube da Esquina. O filme tem participação de Milton Nascimento, Beto Guedes, Márcio Borges, Tavinho Moura e Nelson Angelo, entre outras lendas da música. A produção foi realizada enquanto Lô Borges construía em seu novo disco de músicas inéditas ao circular pelo Brasil com a turnê que resgata o repertório que compôs em 1972, quando lançou seu primeiro álbum solo, com um tênis na inesquecível capa. O Blog do Arcanjo conversou com o diretor do filme. Leia o bate-papo.

Lô Borges nos anos 1970: artista é tema do documentário Lô Borges – Toda Essa Água, sucesso na CineOP © Divulgação Blog do Arcanjo 2023

Miguel Arcanjo Prado – O que te levou a documentar a história de Lô Borges?
Rodrigo de Oliveira –
Em 2017, a produtora do filme, Vania Catani, assistiu à turnê do Disco do Tênis, em que o Lô tocava esse seu mítico disco na íntegra pela primeira vez. Ela saiu do show e me escreveu dizendo que havia um filme ali. Nós estávamos saindo do processo de Todos os Paulos do Mundo, um filme-retrato que fizemos sobre o grande Paulo José, e a ideia de um novo documentário sobre outra figura das artes que nos inspirava foi muito tentadora. Eu tinha toda uma história de amor com a música do Clube da Esquina, e com as canções do Lô especificamente, e o salto foi natural. Logo eu fui conhecer o Lô pessoalmente num show em São Paulo, meses depois eu estava em Belo Horizonte passando uns dias com ele, e a ideia do filme se solidificou. O Lô estava viajando o Brasil tocando as músicas que gravou em 1972, quando tinha 20 anos, ao mesmo tempo em que compunha canções para um álbum de inéditas, que veio a ser Rio da Lua, de 2019. O filme então se tornou a chance de registrar o trabalho de um artista tão associado à ideia da juventude, aos clássicos que compôs no fim de sua adolescência, enquanto o artista maduro, perto dos 70 anos, seguia ali trabalhando no seu ofício e sendo mais produtivo que nunca.

Lô Borges: 18ª CineOP Mostra de Cinema de Ouro Preto © Leo Lara Universo Produção Blog do Arcanjo 2023

Miguel Arcanjo Prado – O que o Lô Borges te falou como retorno em ver a vida dele na sétima arte?
Rodrigo de Oliveira –
Tento reproduzir no filme a sensação que tinha nas conversas íntimas que tive com Lô na preparação do filme. Com suas canções, Lô parece saber exatamente o seu público sente, ele canta coisas muito profundas sobre as nossas vidas, mas a vida do próprio artista sempre foi meio misteriosa. Existem coisas incríveis sobre o Lô, especialmente o seu humor e sua maneira descomplicada de encarar a vida, que o documentário mostra de maneira um pouco inédita, quase revelatória. O Lô gosta disso, é um homem que viveu vinte vidas em uma, e ele tem uma opinião sobre cada uma delas. O filme é sobre “toda essa água” na cabeça do Lô, e ele gostou de ver a cachoeira jorrar ali pro público todo ver, se divertir e se relacionar.

Miguel Arcanjo Prado – Como foi a recepção ao filme em Ouro Preto?
Rodrigo de Oliveira –
Lô é do mundo, mas é Minas Gerais, como ele mesmo canta. Estrear o filme na praça pública, no estado em que ele e tantos outros seus parceiros geniais foram criados e de onde descontaram, foi incrivelmente emocionante. O filme coloca o espectador tanto sentado na mesma sala onde o Lô e o Milton Nascimento estão conversando sobre o dia que se conheceram, no momento mais íntimo possível, quanto na plateia de 1.500 pessoas do Circo Voador, e foi bonito ver como isso funciona.

Lô Borges segue ajudando gerações inteiras a se localizarem no mundo.

Rodrigo de Oliveira
cineasta
Apresentação do filme Lô Borges – Toda Essa Água na 18ª CineOP Mostra de Cinema de Ouro Preto © Leo Lara Universo Produção Blog do Arcanjo 2023

Miguel Arcanjo Prado – Qual maior lembrança fica da 18ª CineOP?
Rodrigo de Oliveira –
No dia anterior à exibição, o Lô se perdeu naquelas ladeiras confusas de Ouro Perto voltando do nosso jantar, e foi “resgatado” por um grupo de jovens da cidade, que mal podiam acreditar que o Lô Borges estava lá na frente deles, no meio da madrugada, tentando achar seu hotel. Na sessão do filme, não só esses como centenas de outros jovens estavam lá na plateia. Toda Essa Água é sobre acreditar na juventude como um gesto político, como a renovação constante diante de um mundo que avança, de um corpo que envelhece, mas de um espírito que segue curioso e desbravador do novo. Os jovens ajudam o Lô a se localizar nas ladeiras de Ouro Preto, e a música do Lô segue ajudando gerações inteiras a se localizarem no mundo, como pessoa, como brasileiro, como seres compartilhando dessa mesma aventura que é viver.

Miguel Arcanjo Prado – Qual o caminho que você quer agora pro filme?
Rodrigo de Oliveira –
Nós vamos seguir pelos festivais do Brasil e do mundo neste segundo semestre, e logo chegaremos aos cinemas, aos streamings e à televisão

Colaborou João Schelbauer

*O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da CineOP e Universo Produção.

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Jornalista cultural influente e respeitado no Brasil, Miguel Arcanjo Prado é CEO do Blog do Arcanjo, fundado em 2012, e do Prêmio Arcanjo, desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e apresenta o Arcanjo Pod. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Huffpost Brasil, Notícias da TV, Contigo, Superinteressante, Band, CBN, Gazeta, UOL, UMA, OFuxico, Rede TV!, Rede Brasil, Versatille, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra o júri de Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de São Paulo, Prêmio Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil de Curtas. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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