Roberta, uma Ópera Rock é um ato político e de resistência no Festival de Curitiba

Roberta, Uma Ópera Rock levou o tema das drogas e os conflitos políticos para o 30º Festival de Curitiba – Foto: Annelize Tozetto – Blog do Arcanjo

Por CAROLINA PORTES
Colaboração para o Blog do Arcanjo no Festival de Curitiba*

Aplausos e gritos de “Fora Bolsonaro” marcaram a apresentação do musical Roberta, Uma Ópera Rock no 30° Festival de Curitiba. Uma das peças mais esperadas do evento, a montagem aborda temas polêmicos como vício às drogas, saúde mental e suicídio.

A história é protagonizada por Priscila Esteves, que vive a personagem Roberta, uma jovem viciada que é tocada pelo amor de Giovanni, interpretado por Matheus González.

O texto foi escrito por Roberto Innocente, um dos grandes nomes do teatro paranaense que morreu de Covid-19 em 2021. A direção é assinada por Nena Inoue, atriz vencedora do Prêmio Shell 2019, e Mauricio Vogue, outro ícone do teatro curitibano.

Aliás, o nome da peça, que seja chamaria Patrícia, uma Ópera Rock, foi trocada para Roberta em homenagem ao autor.

Roberta, Uma Ópera Rock hipnotizou o público do 30º Festival de Curitiba com talento paranaense no palco do Festival na Rua – Foto: Annelize Tozetto – Blog do Arcanjo

Clima político

Antes de a peça começar, já era possível ver a energia contagiante das pessoas sentadas nas escadarias da Universidade Federal do Paraná (UFPR), cartão postal curitibano.

Alguns espectadores dançavam as músicas que tocavam ao fundo. Em certo momento, chegou a tocar Apesar de Você, de Chico Buarque, na qual a letra é uma crítica à ditadura militar (1964-1985).

Enquanto os atores ainda se preparavam para subir ao palco, houve um homem que entrou no meio da plateia e gritou “É Bolsonaro”.

No mesmo momento, ouviu-se um grito de “Fora Bolsonaro”, em resposta, e vários outros seguintes, até que a plateia se transformou em um coro único contra o atual presidente.

Outra música que se destacou neste forte contexto político foi Que país é Este, da Legião Urbana. Performada pelos artistas ainda nos primeiros minutos do musical, a plateia delirou e cantou junto.

A questão política está presente na obra para além das canções, como em signos fortes que surgem no palco, como uma bandeira do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terrra).

Marcelo Pereira Jorge, o Marwem HD, caminha entre o público em Roberta, Uma Ópera Rock no 30º Festival de Curitiba – Foto: Annelize Tozetto – Blog do Arcanjo

Crítica social

Roberta, Uma Ópera Rock conta com um total de 18 músicas originais, que foram dirigidas pelo pianista e maestro de música clássica Alessandro Sangiorgi, que superou o desafio de criar uma ópera-rock.

Um dos temas presentes na obra é a violência contra mulher. A situação é retratada com a personagem Clara, vivida pela atriz Marina Gobetti, uma prostituta que é violentada pelo seu cafetão, em uma das mais fortes cenas do espetáculo.

A montagem também evidencia a situação precária na qual vivem milhares de crianças no Brasil. E ainda aborda a questão de pessoas em situação de rua, coma a andarilha analfabeta também interpretada por Gobetti.

Participam também do elenco Marwem HD, Duilio de Pol, Wilyah Schmitt, Margheurita Dissá, Gustavo Godoy, Paulo Soares e Madu Forti.

Ao final da peça, os artistas aplaudiram também em libras, o que demonstrou uma maior inclusão das Pessoas Com Deficiência por parte do grupo.

Como epílogo, após a consagração do público presente na Praça Santos Andrade, os atores bradaram: “O teatro resiste”.

Melhor definição, impossível.

Saiba como ver o musical Roberta, Uma Ópera Rock!

*Reportagem por Carolina Portes, estudante de Jornalismo da Universidade Positivo, sob orientação da jornalista e professora Katia Brembatti, em parceria com o Blog do Arcanjo no Festival de Curitiba. Conheça o site UP no Festival.

Artistas celebram sucesso da peça Roberta, Uma Ópera Rock no 30º Festival de Curitiba – Foto: Annelize Tozetto – Blog do Arcanjo

O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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Um dos mais influentes e respeitados jornalistas e críticos culturais do Brasil, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. É mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação Social pela UFMG e crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo. Foi eleito entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se e Prêmio Governador do Estado de São Paulo. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Contigo, Superinteressante, Band, Gazeta, UOL, Uma, Rede TV!, TV UFMG e O Pasquim 21. É jurado das premiações Prêmio Arcanjo, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Digital, Melhores do Ano Guia da Folha, Prêmios ANCEC e Prêmio Canal Brasil de Curtas. É vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã e Prêmio África Brasil.
Foto: Edson Lopes Jr.
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