Zé Kéti 100 anos: músico lendário deu voz ao morro na música brasileira

Zé Kéti (1921-1999) foi um dos maiores nomes da música brasileira e autor de clássicos como Opinião e O Morro Não Tem Vez - Foto: Divulgação - Blog do Arcanjo
Zé Kéti (1921-1999) foi um dos maiores nomes da música brasileira e autor de clássicos como Opinião e O Morro Não Tem Vez – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Ele fez o morro ter vez na música popular e não é lembrado como deveria, já que artistas negros ainda são pouco valorizados em nossa história. Nesta quinta, 16 de setembro de 2021, é celebrado o centenário de um dos maiores músicos brasileiros, José Flores de Jesus, o Zé Kéti. A voz do morro que ecoa até os dias atuais.

Gravadas por grandes nomes como Elis Regina, Jair Rodrigues, Maria Bethânia e Nara Leão, suas canções foram precursoras das músicas de protesto dos anos 1960, ao valorizar na MPB o cotidiano do morros cariocas e propor discussões sobre as desigualdades que até hoje imperam na realidade brasileira.

Nara Leão e Zé Kéti: ele compôs uma das canções mais emblemáticas da carreira dela, Opinião, nome do show que fizeram juntos em 1964 - Foto: Divulgação - Blog do Arcanjo
Nara Leão e Zé Kéti: ele compôs uma das canções mais emblemáticas da carreira dela, Opinião, nome do show que fizeram juntos em 1964 – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

Filho de um marinheiro, o artista nasceu no bairro de Inhaúma, no Rio de Janeiro, em 1921, e morreu na mesma em 14 de novembro de 1999. Com a morte do pai, foi morar com o avô, com quem tocava cavaquinho.

Aos 13 anos, na zona norte carioca, passou a ter contato com a Estação Primeira de Mangueira, apresentado pelo compositor mangueirense Geraldo Cunha.

Zé Kéti foi autor de grandes clássicos da música nacional como Leviana, Diz que Fui por Aí, Máscara Negra e Opinião. Em 1951, obteve seu primeiro grande sucesso, com Amor Passageiro, em parceria com Jorge Abdala e gravado por Linda Batista.

Zé Kéti também possui relação com o Cinema Novo, tendo produzido a trilha sonora do filme Rio, 40 Graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos.

Zé Keti com João do Vale e Maria Bethânia no lendário espetáculo Opinião, de 1964 - Foto: Divulgação - Blog do Arcanjo
Zé Keti com João do Vale e Maria Bethânia no lendário espetáculo Opinião, de 1964 – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

Mas, seu grande ano na cultura foi 1964. Logo após o golpe militar, Zé Kéti compõe o clássico da MPB Opinião, canção principal do espetáculo musical com o mesmo título, assinado por Oduvaldo Vianna Filho, Ferreira Gullar e Armando Costa, dirigido por Augusto Boal. Zé Kéti era companheiro de elenco de João do Vale e Nara Leão, mais tarde substituída pela então jovem cantora baiana Maria Bethânia, que mudou-se para o Rio acompanhada do irmão Caetano Veloso para fazer a montagem. O resto foi história.

Viva Ké Kéti!

Colaborou Letícia Polizelli

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O jornalista e crítico de artes Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Band e UOL. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo na OLA Podcasts. Foto: Edson Lopes Jr.

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