Hilda Furacão é obra prima da TV brasileira que o tempo não apagou

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

A volta de Hilda Furacão ao Globoplay, agora disponível na hora que o telespectador quiser ver, só confirma que a minissérie escrita por Gloria Perez a partir do romance do escritor mineiro Roberto Drummond é uma obra prima da TV que o tempo não conseguiu apagar.

Dirigida de forma inspirada por Wolf Maya, a história da prostituta que deixa o noivo no altar e parte rumo ao Maravilhoso Hotel, na rua Guaicurus, região do baixo meretrício da capital mineira, povoou o imaginário não só os moradores de Belo Horizonte ao longo das décadas como se cristalizou na pele da atriz Ana Paula Arósio.

Ana Paula Arósio como Hilda Furacão no Parque Municipal de Belo Horizonte - Fotos: Divulgação/Globo - Blog do Arcanjo
Ana Paula Arósio como Hilda Furacão no Parque Municipal de Belo Horizonte – Fotos: Divulgação/Globo – Blog do Arcanjo

Protagonista belíssima e talentosa

No auge da beleza e demonstrando farto talento como atriz, Ana Paula Arósio tornou-se estrela da mais alta grandeza da televisão por conta da personagem — na época, ela foi emprestada à Globo pelo SBT, por Silvio Santos, que foi convencido por Boni, então todo-poderoso da Globo e responsável pela melhor fase criativa da história da emissora. E essa união de forças resultou em uma produção icônica.

Elenco primoroso

Se Hilda Furacão catapultou Ana Paula Arósio ao posto de mulher mais bela e desejada do país em 1998, seu par romântico na trama, Rodrigo Santoro, também se destacou como Frei Malthus, o religioso que tenta salvar a “pecadora”, mas que acaba se apaixonando perdidamente por ela. A fama com o papel impulsionou sua carreira não só no Brasil como no campo internacional.

Paulo Autran como Padre Nelson em Hilda Furacão - Foto: Divulgação/Globo - Blog do Arcanjo
Paulo Autran como Padre Nelson em Hilda Furacão – Foto: Divulgação/Globo – Blog do Arcanjo

Apesar da força dos protagonistas, a minissérie dirigida com habilidade e ritmo por Wolf Maya e com locações em Belo Horizonte e em Tiradentes tem um dos melhores elencos que a Globo já reuniu, a começar por Paulo Autran, em sua última aparição na TV como o ranzinza Padre Nelson, senhor absoluto de Santana dos Ferros, a típica cidade interiorana mineira retratada na minissérie. Guilherme Karan, com o sacristão reprimido João Dindim é outro achado na trama e cada aparição sua em cena é um deleite.

Matheus Nachtergaele como a travesti Cintura Fina em Hilda Furacão - Foto: Divulgação /Globo - Blog do Arcanjo
Matheus Nachtergaele como a travesti Cintura Fina em Hilda Furacão – Foto: Divulgação /Globo – Blog do Arcanjo

E ainda há Walderez de Barros, Débora Duarte, Mário Lago, Eva Todor, Rogério Cardoso e Arlete Salles, isso para ficar apenas em seis grandes nomes, além da revelação à época do gigante talento de Matheus Nachtergaele, como a travesti Cintura Fina, guardiã de Hilda na rua Guaicurus.

Ana Paula Arósio como Hilda Furacão: sucesso no Globoplay - Foto: Divulgação/Globo - Blog do Arcanjo
Ana Paula Arósio como Hilda Furacão: sucesso no Globoplay – Foto: Divulgação/Globo – Blog do Arcanjo

História potente

Hilda Furacão conseguiu unir de forma primorosa atores de farto talento e uma história potente e muito bem contada, que reunia elementos fundamentais do Brasil, provando profunda identificação com os telespectadores que se perpetua no tempo.

Sua volta com sucesso, para pegar muleta no título da canção-tema interpretada de forma magistral por Nana Caymmi a convite de Mariozinho Rocha, responsável pela também icônica trilha sonora, é uma belíssima resposta ao tempo.

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Respeitado jornalista cultural e crítico de artes do Brasil, Miguel Arcanjo Prado é CEO do Blog do Arcanjo, fundado em 2012, e do Prêmio Arcanjo, criado em 2019. É mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação Social pela UFMG e crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Coordena a Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro e apresenta o Podcast do Arcanjo na OLA Podcasts. Eleito um dos melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se por três vezes e recebeu a Medalha Mário de Andrade, maior honraria nas letras do Estado de São Paulo. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Huffpost Brasil, Notícias da TV, Contigo, Superinteressante, Band, CBN, Gazeta, UOL, Uma, OFuxico, Rede TV!, Rede Brasil, Versatille, TV UFMG e O Pasquim 21. É jurado das premiações Prêmio Arcanjo, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Imprensa Digital, Melhores do Ano Guia da Folha, Prêmios ANCEC e Prêmio Canal Brasil de Curtas. É vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil e Prêmio Governo do Estado de São Paulo – Medalha Mário de Andrade.
Foto: Edson Lopes Jr.
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