Morre Bruno Covas, prefeito de São Paulo, aos 41 anos de câncer

Bruno Covas (1980-2021) - Foto: Edson Lopes Jr/Secom - Blog do Arcanjo 2021
Bruno Covas (1980-2021) – Foto: Edson Lopes Jr/Secom – Blog do Arcanjo 2021

Por Miguel Arcanjo Prado
@miguel.arcanjo

Prefeito de São Paulo reeleito em 2020, Bruno Covas morreu às 8h20 deste domingo (16) aos 41 anos no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em decorrência de provocações provocadas pelo câncer no sistema digestivo com metástase nos ossos e fígado. Ele deixa Tomás Covas, seu filho único de 15 anos. A doença foi descoberta em outubro de 2019.

Bruno Covas era um apaixonado pela cultura e sempre era visto frequentando teatro, cinema e shows na capital paulista. Também estava intimamente ligado à revitalização do Baixo Augusta e da praça Roosevelt, locais que sempre frequentou, por meio de ações culturais, como o teatro feito pelos grupos Satyros e Parlapatões e o Carnaval de rua do Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta.

Durante sua primeira gestão, que herdou como vice de João Doria quando este partiu para o Governo do Estado de São Paulo, a Prefeitura de São Paulo apoiou fortemente a cultura, acolhendo artistas censurados e perseguidos ideologicamente no plano federal. Foi também durante sua gestão que o Theatro Municipal se abriu para artistas que antes não costumavam pisar no tradicional palco paulistano, como negros, transexuais e circenses. Neste ano, já na segunda gestão, anunciou R$ 100 milhões para a cultura na cidade.

Covas estava internado desde 2 de maio, quando se licenciou da Prefeitura. Em seu lugar assumirá seu vice, Ricardo Nunes (MDB). Esta é a primeira vez na história que um prefeito de São Paulo morre enquanto exerce o cargo. Era o neto favorito do ex-governador Mario Covas (1930-2001), um dos fundadores do PSDB e de quem se tornou herdeiro político.

Sua primeira eleição foi aos 26 anos, quando tornou-se deputado estadual, sendo reeleito aos 30. Em 2014, tornou-se deputado federal e votou pelo impeachment de Dilma Rousseff. Mesmo assim, tinha relação de respeito com os adversários políticos, e manteve cordialidade com Guilherme Boulos e Luiza Erundina, que disputaram a Prefeitura em 2020 com ele como candidatos a prefeito e vice pelo PSOL.

Bruno Covas nasceu em Santos, em 7 de abril de 1980, filho de Pedro Lopes e Renata Covas, única filha mulher de Mário Covas e Lila. Aos 14 anos, deixou a Baixada Santista para morar com o avô no Palácio dos Bandeirantes, onde aprendeu a fazer política. Ele estudou no tradicional Colégio Bandeirantes no Ensino Médio e depois fez Direito no Largo de São Francisco, pela USP, formando-se ainda em Economia pela PUC-SP. Foi casado por dez anos com a economista Karen Ichiba, com quem teve o único filho, Tomás, e de quem se divorciou, escolhendo permanecer solteiro.

Bruno Covas deixou carta. Leia:

São Paulo, 14 de maio de 2021

Minhas companheiras e meus companheiros,

Espero que estejam bem e protegidos.

Gostaria de em primeiro lugar agradecer a todo carinho, a todas as orações e energia positiva que vocês têm me enviado. Lamento não conseguir responder a tantas mensagens, sintam-se todos abraçados. O apoio e o suporte de vocês têm sido decisivos no meu tratamento. Venho seguindo à risca as orientações da minha equipe médica e, de cabeça erguida, enfrentado os desafios que a vida me impõe. A luta é dura e árdua, mas não esmoreço e sigo em frente.

Esses últimos meses têm sido muito desafiadores para todos nós. A pandemia da Covid-19 tem cobrado um preço caro dos brasileiros e vamos caminhando para contabilizar 430 mil mortos. Uma tragédia sem precedentes que já deixa e vai deixar muitas marcas na nossa história. As consequências são catastróficas: vidas interrompidas, famílias em sofrimento, negócios em dificuldade, desemprego, pobreza e, lamentavelmente, a fome. Faço esse preâmbulo pois é exatamente sobre o que se trata o dia de hoje: política. A solução para nossos problemas só será enfrentada pela via da política, pela via democrática, pela seriedade com que os governos trabalham e realizam políticas públicas.

Tucanas e tucanos podem se orgulhar de todo o esforço que nossos governos, no estado de São Paulo e nos municípios, incluindo a nossa Capital, têm feito para enfrentar a pandemia. Das vacinas em produção e desenvolvimento pelo Instituto Butantan, à expansão vertiginosa da infraestrutura hospitalar, o fortalecimento do SUS em nosso estado é uma realidade.

Em contraposição ao governo federal, que vem desdenhando da vida e da saúde dos brasileiros ao longo da pandemia, o PSDB de São Paulo e seus aliados vêm demonstrando na prática aquilo que é sua vocação: responsabilidade pública, colocar a população, sobretudo a mais pobre, em primeiro lugar, cuidar de gente, fazer um trabalho técnico e baseado em evidências e na ciência, tomar atitudes difíceis e enfrentar as adversidades sempre com respeito, dignidade e defendendo a democracia.

Somos um partido forte, sólido, com muitos serviços prestados ao nosso país e ao nosso estado. Somos um partido de quadros competentes e que colocam o compromisso público em primeiro lugar.

É nesse contexto que quero ressaltar a importância dessa cerimônia de hoje. O momento do Brasil demanda de todos nós espírito público, unidade, agregação, somar e não dividir, não deixar nenhum interesse pessoal sobrepujar o interesse coletivo. Receber em nossos quadros o vice-governador Rodrigo Garcia sinaliza exatamente isso. Ele tem sido incansável na defesa do interesse público. Tenho por ele muito apreço e consideração. Foi decisivo na nossa vitória na eleição passada aqui na Capital e tem sido aliado histórico dos tucanos. Foi aliado do meu avô, foi aliado de Geraldo Alckmin, foi aliado de Serra, e meu parceiro e aliado, é aliado do Governador João Doria, sempre esteve do nosso lado, nada mais natural do que se juntar a nós nessa caminhada.

Vejo nesse ato um resgate da história do nosso partido, inclusive para além das razoes que já mencionei, vejo um resgate do nosso manifesto de fundação.

No sonho de nossos fundadores, o Partido da Social-Democracia Brasileira, seria o partido capaz de juntar as forças democráticas ponderadas da república na luta pelo bem comum. Rodrigo é um liberal progressista, um parlamentarista, está afinado com nossos valores e ideais. Sua trajetória e sua experiência político administrativa vem contribuir em muito para que nosso partido possa se fortalecer ainda mais e continue a promover as mudanças que a população precisa no estado de São Paulo.

Seja bem-vindo, Rodrigo Garcia, seja bem-vindo ao ninho tucano, seja bem-vindo à Social-Democracia Brasileira.

Muito obrigado!

Bruno Covas

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Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Band e UOL. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordenada a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo. Foto: Edson Lopes Jr.

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