Morre Afonso Gentil, crítico de teatro da APCA

Morre o crítico Afonso Gentil da APCA - Foto: Álbum de família - Blog do Arcanjo
Morre o crítico Afonso Gentil da APCA – Foto: Álbum de família – Blog do Arcanjo

Morreu Afonso Gentil, crítico de teatro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA), na noite desta quinta (25), aos 88 anos, após sucessivas internações desde dezembro. A família não confirmou a causa da morte, mas segundo pessoas próximas não foi de Covid-19.

Nascido em Sorocaba, no interior de São Paulo, em 1932, e com formação na Escola de Arte Dramática e na Faculdade Cásper Líbero, Afonso Gentil era um crítico exigente e que sempre prezava por uma visão mais tradicionalista do teatro. O corpo é velado na tarde desta sexta (26) no Cemitério e Crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra. Às 16h, haverá um culto, seguido da cremação.

O filho do crítico, Décio Gentil, agradece às manifestações de carinho. “Gostaria de dizer que ele deixa um legado impagável, um aprendizado de vida. Desde cedo, ele se apaixonou pela arte, pelo teatro, e teve uma trajetória de respeito junto a Elvira Gentil [esposa do crítico e atriz] desde o Teatro Sorocabano e sua vinda para São Paulo, nos anos 1960, na Escola de Arte Dramática e no Teatro de Arena. Depois, na APCA, ele sempre batalhou por espetáculos consistentes”, declarou.

Décio Gentil lembrou ainda do crítico na intimidade. “Sempre foi focado na família e nos amigos, que se tornaram familiares. O Gentil sempre foi um humanista. Sempre prezou pelo homem como a medida pra todas as coisas, como se diz no teatro e na filosofia, e ele sempre seguiu nesse caminho, acreditando na justiça social e econômica. Ele sempre priorizou o mérito”, lembrou. Segundo Décio Gentil, seu pai lhe ensinou a nunca julgar, mas observar. E o crítico costumava lembrar que a palavra indivíduo vem da individualidade, lembrando que cada pessoa precisa ser respeitada.

Homem de teatro

“Afonso Gentil foi literalmente um homem de teatro. Apaixonado pelo ofício, dedicou sua vida a ele. Lamento muito a perda de um amigo sincero e leal por mais de quatro décadas. Que Deus o ilumine”, declara o crítico de teatro Vinicio Angelici, membro da APCA.

Para o crítico e ex-presidente da APCA Aguinaldo Cristofani Ribeiro da Cunha, “Afonso Gentil era colega e amigo. Homem de teatro e também crítico. Mas foi no teatro que ele se destacou mais, um variadas funções. Casado com a querida Elvira Gentil, também ela mulher de teatro. Aprendi muito com ele, principalmente o valor da ética”, diz.

“Mais uma triste e irreparável perda para nossa APCA. Afonso Gentil foi um crítico que sempre contribuiu de forma impecável com seu olhar cuidadoso e exigente em nossos encontros na casa do Aguinaldo Cristófani Ribeiro da Cunha”, afirma Miguel Arcanjo Prado, crítico e ex-vice-presidente da APCA.

“Afonso Gentil foi um crítico de teatro rigoroso em suas análises e sempre muito exigente com seus colegas, críticos da APCA, de modo que fossem sempre indicados, ali, somente os melhores, de forma inequívoca, e absolutamente imparcial. Para ele, não poderíamos aceitar exceções. Deixa seu exemplo e saudades”, fala Evaristo Martins de Azevedo, advogado e crítico de teatro da APCA.

O ator Ivam Cabral, da Cia. de Teatro Os Satyros, lembra o contato com o crítico ao longo de sua trajetória. “Conheci o Afonso no começo da minha carreira, no início dos anos 1990, quando ele trabalhava no Jornal da Tarde; e, depois, crítico do Diário Popular. Afonso via todos os nossos trabalhos e foi fundamental neste momento de nossa trajetória. Quando voltamos ao Brasil e nos estabelecemos na Praça Roosevelt, mais uma vez, se aproximou do nosso trabalho, vendo tudo o que fazíamos. Além de crítico, se tornou nosso amigo e esteve conosco em mesas de debates, encontros e rodas de discussão. Amava e respeitava o teatro como poucos. Vai fazer muita falta”, afirma.

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O jornalista Miguel Arcanjo Prado é CEO do Blog do Arcanjo, fundado em 2012, e do Prêmio Arcanjo, criado em 2019. É mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação Social pela UFMG e crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Coordena a Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro e apresenta o Podcast do Arcanjo na OLA Podcasts. Eleito um dos melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se por três vezes e recebeu a Medalha Mário de Andrade, maior honraria nas letras do Governo do Estado de São Paulo. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Huffpost Brasil, Notícias da TV, Contigo, Superinteressante, Band, CBN, Gazeta, UOL, Uma, OFuxico, Rede TV!, Rede Brasil, Versatille, TV UFMG e O Pasquim 21. É jurado das premiações Prêmio Arcanjo, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Imprensa Digital, Melhores do Ano Guia da Folha, Prêmios ANCEC e Prêmio Canal Brasil de Curtas. É vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Prêmio Governo do Estado de São Paulo – Medalha Mário de Andrade.
Foto: Edson Lopes Jr.
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  1. 25/04/2021

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