Clodovil vira peça de teatro interpretado por Eduardo Martini: ‘Amado e odiado’

Por Miguel Arcanjo Prado

Clodovil Hernandes, uma das figuras mais polêmicas da televisão brasileira, tem agora sua vida contada no teatro. Ele é tema da peça Simplesmente Clô, que estreia neste sábado, 21 de novembro, no Teatro União Cultural, em São Paulo. A obra faz temporada aos sábados, 21h, e domingos, 19h, até fevereiro de 2021, dentro da retomada do teatro presencial da Fase Verde do Plano São Paulo, com público de máscara e seguindo todos os protocolos.

Em impressionante caracterização, Clodovil é interpretado por Eduardo Martini, ator virtuoso e com longa trajetória nos palcos paulistanos, reconhecido em 2019 com o Prêmio do Humor, idealizado por Fábio Porchat, na categoria Especial, pelos 40 anos de carreira e farta dedicação aos tablados como ator, diretor e produtor. Aliás, ele repete justamente as três funções em Simplesmente Clô, que tem texto do jornalista e dramaturgo Bruno Cavalcanti, com quem Martini já tinha feito parceria na comédia Papo com o Diabo.

Clodovil na adolescência: amor por bonecas, glamour e vestidos o levou ao estrelato na moda e na TV – Foto: Arquivo Clodovil/Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo

A marcante personalidade que abalou a história da moda, da TV e da política nacional é o ponto de partida para o espetáculo que apresenta ao público um dos homens mais eloquentes e controversos que a sociedade brasileira conheceu.

Afinal, o jovem do interior que amava criar vestidos, desbravou a maior metrópole do país com seu talento farto e logo tornou-se estilista incensado pela elite paulistana, alcançando o auge na década de 1970.

Clodovil apresenta sua coleção em 1971: costureiro da elite brasileira – Foto: Arquivo Clodovil/Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo

Clodovil vestiu da família Matarazzo à cantora Elis Regina, passando da lendária atriz Cacilda Becker às principais damas da sociedade paulista.

Nos anos 1980, Clodovil se reinventou como apresentador na Globo, conquistando fama nacional à frente do matutino TV Mulher, ao lado de Marília Gabriela e Marta Suplicy, de quem tornou-se desafeto.

Clodovil na juventude: estilista disputado pela elite paulistana e artistas como Elis Regina e Cacilda Becker – Foto: Arquivo Clodovil/Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo

Sem jamais abandonar a moda e as clientes abastadas, Clodovil construiu paralelamente ao corte e costura uma brilhante trajetória como apresentador, tornando-se nome disputado pelas principais emissoras do país, sempre dono de opiniões desconcertantes em seus programas, o que sempre lhe garantiu farta audiência e também incontáveis processos judiciais.

Com a fortuna acumulada de contratos milionários, ostentou um estilo de vida nababesco, morando em frente ao parque Ibirapuera, em São Paulo, e com uma estonteante casa à beira mar em Ubatuba, litoral norte paulista.

No fim da vida, mergulhou na política e repetiu o sucesso de público. Afinal, carisma nunca lhe faltou.

Clodovil na campanha política à Câmara dos Deputados em 2006: terceiro deputado federal mais votado em São Paulo – Foto: Reprodução/TV – Blog do @miguel.arcanjo

Em 2006, foi o terceiro deputado federal mais votado de São Paulo, transferindo-se com a eleição para Brasília, onde atuou no Congresso Nacional por três movimentados anos.

Em sua reta final de vida, no Planalto Central, acumulou desafetos poderosos, até sua repentina morte, em 2009, aos 71 anos, e até hoje envolta em mistério e questionada por muitas pessoas próximas ao costureiro — a causa oficial foi AVC (Acidente Vascular Cerebral).

Eduardo Martini: “Clodovil era tão amado quanto odiado pelas pessoas. Não tinha um meio termo para Clodovil” – Foto: Claudia Martini/Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo

Eduardo Martini sabe que dar vida a um personagem tão interessante é um dos grandes desafios de sua carreira, sobretudo por ter convivido de perto com Clodovil.

Nas últimas semanas, o ator estudou de forma obstinada vídeos antigos do apresentador, para mimetizar gestos e formas. No formato monólogo, o espetáculo tem codireção de Viviane Alfano ao lado de Martini, para que o ator possa ter um segundo olhar sobre o próprio desempenho.

Sem entregar muito do espetáculo, Eduardo Martini avisa ao Blog do Arcanjo que a peça trará o famigerado personagem. “Clodovil era tão amado quanto odiado pelas pessoas”. E complementa, sem pestanejar: “Não tinha um meio termo para Clodovil”. Não mesmo.

TEATRO
Simplesmente Clô
Quando: Sábado, 21h, e domingo, 19h. Estreia dia 21/11/2020. Temporada até fevereiro de 2021.
Onde: Teatro União Cultural – Rua Mário Amaral 209, (metrô Brigadeiro) Paraíso, São Paulo, SP. Tel. 11 3885-2242.
Quanto: R$ 35 (meia) e R$ 70 (inteira) na Sympla

Clodovil apresenta sua coleção em 1969 – Foto: Sérgio Jorge/Arquivo Clodovil/Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo

Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. Eleito três vezes pelo Prêmio Comunique-se um dos melhores jornalistas de Cultura do Brasil. Nascido em Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. É crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Passou por Globo, Record, Folha, Contigo, Editora Abril, Gazeta, Band, Rede TV e UOL, entre outros. Desde 2012, faz o Blog do Arcanjo, referência no jornalismo cultural. Em 2019 criou o Prêmio Arcanjo de Cultura no Theatro Municipal de SP. Em 2020, passou a ser Coordenador de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro e começou o Podcast do Arcanjo em parceria com a OLA Podcasts. Foto: Bob Sousa.

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1 Resultado

  1. eduardo martini disse:

    meu querido. que materia linda !! obrigado mais uma vez pelo seu olhar tao generoso ao meu trabalho e por ser esse homem de teatro, das artes, da cultura ! beijo grande !

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