Ícone negro de SP, Tebas vira escultura de Francine Moura e Lumumba Afroindígena na Sé

Por Miguel Arcanjo Prado

Um homem negro à frente de seu tempo que comprou sua alforria aos 57 anos de idade e 110 anos antes da abolição da escravatura no Brasil. O nome dele é Joaquim Pinto de Oliveira (1721-1811), conhecido como Tebas, construtor responsável por marcos arquitetônicos do centro histórico paulistano. O ícone negro é homenageado em escultura encomendada pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e criada pelo artista plástico Lumumba Afroindígena e pela arquiteta Francine Moura. A obra reverencia a importância histórica, a expertise e a modernidade do legado de Tebas e será entregue em data emblemática: 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. A escultura ficará suspensa no ar na região da praça da Sé, revelando, de modo artístico, a produção tecnológica sofisticada de Tebas para a época e propondo cotidiana reflexão sobre a relevância de pessoas negras na construção da metrópole chamada São Paulo.

Foto: Marcel Farias/Divulgação. Colaborou Erika Balbino.

Tebas é ícone negro da arquitetura

Mais conhecido como Tebas, o arquiteto negro nascido em Santos permaneceu escravizado até os 57 anos, 110 anos antes da abolição da escravatura. Trazido para a São Paulo, em 1740, o mestre pedreiro português Bento de Oliveira Lima, seu senhor, lhe ensinou o ofício de talhar pedras. 

A habilidade para os adornos, numa época em que, na capital paulista, a técnica construtiva vigente era a taipa de pilão, fez com que Tebas gozasse de prestígio junto às ordens religiosas pertencentes ao triângulo histórico paulistano: os carmelitas, os franciscanos e os beneditinos. 

Algo incomum na época para um homem escravizado, a sua expertise rendeu contratação e pagamento por estas instituições. A primeira torre da igreja Matriz da Sé (1750), bem como os ornamentos das fachadas dos conventos: Ordem 3ª do Carmo (1775-1778), Ordem 3ª do Seráfico Pai São Francisco (1783) e Mosteiro de São Bento (1766 e 1798) fazem parte do repertório criativo de Tebas.

Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. Eleito três vezes pelo Prêmio Comunique-se um dos melhores jornalistas de Cultura do Brasil. Nascido em Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. É crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Passou por Globo, Record, Folha, Contigo, Editora Abril, Gazeta, Band, Rede TV, R7 e UOL, entre outros. Desde 2012, faz o Blog do Arcanjo, referência no jornalismo cultural. Em 2019, criou o Prêmio Arcanjo de Cultura, no Theatro Municipal de SP. Em 2020, tornou-se Coordenador de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro e começou o Podcast do Arcanjo em parceria com a OLA Podcasts. Foto: Bob Sousa.

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