Crítica: Circus of Books na Netflix é documentário imperdível sobre vida gay pré-internet

CIRCUS OF BOOKS: Muito Bom ✪✪✪✪
Crítica por MIGUEL ARCANJO PRADO

Famosa no RuPaul’s Drag Race, a drag Alaska lembra os tempos de atendente na Circus of Books no documentário de mesmo nome na Netflix – Foto: Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo

Uma simpática livraria conduzida por um típico casal norte-americano acabou por se converter no grande epicentro da cena gay em Los Angeles nas décadas de 1980 e 1990. Na última era pré-internet, tempo de revistas especializadas, VHS e DVDs, a Circus of Books virou point para os rapazes conseguirem revistas e vídeos pornográficos gays e até mesmo fazerem outras coisinhas nos corredores do estabelecimento (quando ninguém estava vendo, é claro).

Em um tempo no qual tudo isso era demonizado pela sociedade, o desejo de toda uma geração esteve resguardado pela livraria/loja de vídeos comandada pelos judeus praticantes Karen e Barry Manson. Essa história é contada com ritmo e bom humor no ótimo documentário Circus of Books, disponível na Netflix, sob direção da filha do casal dono da loja, Rachel Mason, e com produção do todo-poderoso da indústria de entretenimento norte-americana Ryan Murphy — produtor responsável por séries como Hollywood, The Politician, American Crime Story e Glee.

Com tanta intimidade, Rachel Mason acaba por esquadrinhar essa família conservadora judia em um negócio para lá de transgressor para aqueles tempos. O grande ápice emocional do filme é quando ela expõe a forma como sua mãe lidou com a homossexualidade dentro de casa, quando um de seus irmãos revelou ser gay.

A diretora olha para a própria família e suas contradições diante de um empreendimento que era visto por seus pais como apenas um negócio (mas que precisava ser mantido sob segredo), sem deixar de lado figuras que foram importantes para essa história (como a drag Alaska, que foi atendente da Circus Of Books antes de virar estrela no RuPaul’s Drag Race).

A Circus of Books acabou se tornando símbolo de muitas outras histórias típicas do ambiente LGBT+ não só nos EUA como em todo o mundo, e é essa universalidade a maior força do documentário e que gera identificação com boa parte do público que o vê, tornando-o uma peça histórica.

O filme reúne um panorama importante de um tempo que se foi, assim como a livraria que fechou as portas em 2016, mas que foi fundamental para que hoje a homossexualidade não seja vista de modo tão terrível quanto no passado, ainda que falte muito para a sociedade avançar neste tema. É um filme para se assistir com calma, sem pressa. Certamente, você se divertirá e também se emocionará.

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