Gerente de Artes Cênicas do Itaú Cultural fala sobre o edital que apoiou 200 projetos nesta quarentena

Galiana Brasil conversa com o Blog do Arcanjo em entrevista exclusiva

Galiana Brasil – Foto: Richner Allan/Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo

Galiana Brasil, gerente do Núcleo de Artes Cênicas do Itaú Cultural, conversa com o Blog do Arcanjo sobre o edital emergencial Arte como Respiro, que divulgou 200 selecionados em Artes Cênicas na última semana após receber 7,2 mil inscrições. A iniciativa, vinda de uma instituição privada, foi um alento aos artistas no momento em que grande parte do setor cultural e da economia criativa encontra-se desamparada pelo poder público. Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado — Qual a importância deste edital emergencial, sobretudo no campo das artes cênicas?
Galiana Brasil —
Penso que foi relevante inaugurar um movimento de ação concreta para o setor, como reação rápida ao momento tão assustador em que nos encontramos, pensando que isso pode inspirar outras instituições a abrirem outras frentes, e também para aquecer as idéias e capacidade de reação dos artistas.

Miguel Arcanjo Prado — O Itaú Cultural foi pioneiro entre instituições privadas em criar um edital na pandemia. Essa rapidez reflete o que em sua visão?
Galiana Brasil —
Reflete uma tentativa de enfrentamento a esse cenário tão adverso quanto misterioso que nos atravessa, em que a produção artística – em especial das artes cênicas – do copo, da presença, encontra-se sitiada, precisando rever-se e reposicionar-se em um tempo-espaço que, do dia para a noite, bloqueou as possibilidades de comunhão e encontro.

Miguel Arcanjo Prado — O número de inscritos mostra que há uma grande necessidade de ajuda a profissionais das artes cênicas neste momento?
Galiana Brasil —
Sim, essa necessidade veio expressa tanto no quantitativo quanto no conteúdo de muitos projetos que traziam, em essência, o extrato da urgência, da incerteza frente a atual situação.

Miguel Arcanjo Prado — O que você destacaria entre os selecionados?
Galiana Brasil —
Eu destaco o volume de trabalhos feitos em situação de isolamento, da capacidade inventiva desses artistas que estão, de alguma forma, em diálogo com o momento pandêmico e tudo o que reverbera desse estado de confinamento. Pela coragem de abrirem suas portas – físicas e subjetivas – e arriscarem outras formas de comunicação.

Miguel Arcanjo Prado — O que você diria aos profissionais do teatro que se inscreveram, mas não conseguiram estar entre os 200 selecionados?
Galiana Brasil —
Gostaria de agradecer o crédito no nosso trabalho, compartilhar o sentimento angustiante de não ter condições para ampliar ainda mais esse número de selecionados, que inicialmente era 120. Foi um mergulho de fôlego em uma diversidade de produções numa escala que eu nunca tinha experimentado, pelo curto espaço de tempo. Muitas camadas, muitos brasis… mais uma vez ficamos de frente com as assimetrias e discrepâncias de um país continental e ainda tão desigual na geração de oportunidades. Balizas importantes presentes nosso olhar curatorial. Aprendemos muito com esse processo e conhecemos muitos artistas e produções com esse mapeamento. Desejo que haja outras oportunidades de encontro e que outras plataformas também possam absorvê-los .

Miguel Arcanjo Prado — O que você deseja ao mundo neste momento?
Galiana Brasil —
Sabedoria e resiliência, porque tudo aponta para uma expansão dessa necessidade de isolamento, e, ademais, estamos sendo convocados a construir outros paradigmas de convivência e ocupação dos espaços – materiais e imateriais. Eu desejo que nossa capacidade de adaptação e reinvenção operem a nosso favor, que possamos desapegar e largar hábitos e referências tóxicas e sermos merecedores de uma nova chance sobre esta terra.

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