Batuque é privilégio, diz Teresa Cristina ao cantar sambas de Noel Rosa

Teresa Cristina celebra Noel Rosa em novo show nos dias 4 e 5 de agosto no Theatro Net Rio – Foto: Fernando Young/Divulgação – Blog do Arcanjo – UOL

Recentemente, em um programa de televisão, foi dito que “samba é música de bandido”. Não é. Trata-se do ritmo que sintetiza com glória um país chamado Brasil. E a cantora Teresa Cristina sabe disso muito bem, assim como seu guru Caetano Veloso, diretor de seu novo show, “Teresa Canta Noel“.

A sambista carioca está cada vez mais próxima do baiano tropicalista. Este vem orientando seus atuais passos musicais — o que lhe rendeu frutos como indicações a prêmios importantes e crítica elogiosa no The New York Times. Caetano assume o comando do concerto no qual ela homenageia Noel Rosa (1910-1937).

Com o codinome “Batuque É um Privilégio”, o músico profícuo nascido no bairro de Vila Isabel, zona norte do Rio, é celebrado com composições clássicas como “Com Que Roupa”, já regravada por Gilberto Gil e que está no show.

“Escolhi músicas que têm a ver comigo, com as quais me identifico. Me chamou atenção: O Rio de Janeiro, os cabarés, a malandragem, a mulher, a relação homem x mulher, a maneira como ele via as coisas. O Brasil apontado em suas músicas detalha as situações sociais e políticas de uma época, ainda muito real, mas que fez diferença e deu a cara do que é o samba hoje”, fala Teresa ao Blog do Arcanjo no UOL.

“Teresa Canta Noel” acaba de ganhar duas novas datas no Theatro Net Rio (r. Siqueira Campos, 143, Copacabana) nos dias 4 de agosto, um sábado, às 21h, e no dia 5 de agosto, um domingo, às 19h. Os ingressos já estão à venda.

No espetáculo, ela é acompanhada do violão de Carlinhos 7 Cordas. Quem não tiver o privilégio de ver o show ao vivo em terras cariocas pode conferir as músicas do álbum “Teresa Canta Noel” nas plataformas digitais.

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Caetano Veloso abraça Teresa Cristina: padrinho baiano tropicalista para o tradicional samba carioca – Foto: Rafael Berezinski/Divulgação – Blog do Arcanjo – UOL

Teresa segue uma linha artística na qual homenageia grandes compositores cariocas, a exemplo do que fez no trabalho anterior, “Teresa Canta Cartola”, no qual celebrou o mangueirense Agenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980).

Se recentemente o samba foi chamado de “música de bandido” pelo sertanejo César Menotti, no programa “Altas Horas” da Globo, provocando risos dos presentes, entre eles os apresentadores Serginho Groisman e Pedro Bial, o samba, no show de Teresa, o ritmo é louvado como uma síntese da música brasileira. Como ela mesmo explica.

“O batuque é um privilégio sim, e fez com que a música brasileira tenha o viés de hoje. Esse verso traduz muito sobre a importância de suas letras para o samba. Essa influência ancestral misturada à melodia e a poesia de seus versos, isso faz total diferença na construção da sua identidade”, diz, antes de louvar o compositor celebrado.

“Noel é o elo entre o samba do morro e o samba do asfalto. A cara do Rio de Janeiro”, define Teresa Cristina.

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Carlinhos 7 Cordas e Teresa Cristina: músicas do grande Noel Rosa no repertório do show – Foto: Fernando Young/Divulgação – Blog do Arcanjo – UOL

 

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