Crítica: O Ovo da Serpente expõe perigo nazista e racista

Zaqueu Machado, Gloria Rabelo e Ruson Mazzorana em “O Ovo da Serpente” – Foto: Ricardo Peres

Por Miguel Arcanjo Prado

Ingmar Bergman mergulhou no denso ambiente alemão que originou o nazismo no filme “O Ovo da Serpente”, de 1977.

Quarenta anos depois, a temática é revisitada nos palcos paulistanos no drama homônimo de Rudson Mazzorana, também em cena ao lado de Glória Rabelo e Zaqueu Machado, sob direção de André Grecco.

A montagem encerra temporada no Viga Espaço Cênico, em São Paulo, neste fim de semana.

Na trama, uma ex-prostituta judia (Glória Rabelo) convive com um assassino neonazista (Zaqueu Machado) e precisa encarar uma perturbadora visita de um jovem (Rudson Mazzorana).

Intenso em cena, Mazzorana é o destaque do elenco. Afinal, quando ele surge, a obra sai da apatia e do tom monocórdico, ganhando conflito e vida.

A contundência do espetáculo é tocar em um tema que parecia já enterrado pela história, mas que, infelizmente, se mostra cada vez mais atual: o ódio da extrema direita.

Este é perceptível no avanço do conservadorismo e do racismo tanto no Brasil quanto em outros lugares do mundo, como os EUA, que recentemente assistiu, perplexo, uma assustadora passeata de nazistas e racistas.

Desta forma, a obra, com seu enredo perturbador, torna-se uma peça necessária e atenta aos sinais dos conturbados tempos contemporâneos.

Pelo jeito, os ovos da serpente totalitária, racista e cruel não querem desaparecer. Muito pelo contrário, estão sendo chocados e eclodem em ódio, deixando-nos apavorados.

O Ovo da Serpente ✪✪✪
Avaliação: Bom
Quando: Sábado, 21h, domingo, 19h. 90 min. Até 27/8/2017
Onde: Viga Espaço Cênico – R. Capote Valente, 1323, metrô Sumaré, São Paulo, tel. 11 3801-1843
Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
Classificação etária: 16 anos


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