Veja 10 peças que causaram polêmica no teatro

A Filosofia na Alcova, DNA de DAN, A Mulher do Trem e Roda Viva: espetáculos causaram polêmica – Fotos: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

O teatro sempre foi lugar de discussões importantes para a sociedade. Sem pretensão de que seja uma lista definitiva, o Blog do Arcanjo do UOL enumera dez obras que causaram polêmica.

Vestido de Noiva
A peça de Nelson Rodrigues dirigida pelo polonês Ziembinski estreou em 1943 no Teatro Municipal do Rio e causou polêmica pela revolução moderna que apresentava: a obra era dividida em três planos, o da alucinação, o da memória e o da realidade, algo inédito até então.

Cordélia Brasil
A peça de Antonio Bivar com direção de Emílio Di Biasi ficou marcada em 1968 pelo sequestro por militares da atriz Norma Bengell na porta do Teatro de Arena, em São Paulo. Ela foi levada presa para o Rio, onde foi torturada e solta depois. A peça, que falava de uma funcionária de escritório que virava prostituta, foi suspensa.

Roda Viva
A obra de Chico Buarque sob direção de José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, causou polêmica em 1968 pela encenação inovadora — um fígado de verdade respingava sangue na plateia. O elenco do Oficina foi espancado no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, por jovens ligados ao Comando de Caça aos Comunistas. Em Porto Alegre, mais uma vez a peça foi perseguida pelos militares.

A Filosofia na Alcova
A peça do grupo Os Satyros foi montada pela primeira vez no começo dos anos 1990, sempre com polêmica. A obra dirigida por Rodolfo García Vázquez já foi motivo de protesto até no famoso Festival de Edimburgo, na Escócia, por conter nudez e fortes cenas de sexo, já que é inspirada em Marquês de Sade.

A Mulher do Trem
A peça do grupo Os Fofos Encenam causou polêmica em 2015, quando a comunidade negra protestou contra o blackface, técnica racista na qual um branco pinta o rosto e corpo de tinta preta para representar o negro de forma estereotipada. A apresentação no Itaú Cultural foi cancelada e no lugar aconteceu um debate sobre racismo no Brasil, no qual o diretor Fernando Neves pediu desculpas à comunidade negra.

Acordes
A obra apresentada pelo Teat(r)o Oficina em 2013 na PUC-SP foi vítima de uma ação judicial. Um padre de Goiás viu a peça pelo YouTube e resolveu processar o diretor Zé Celso e os atores Mariano Mattos Martins e Tony Reis, porque considerou que a cena que trazia um boneco gigante parecido com o Papa feria seu sentimento religioso. A Justiça absolveu os artistas em 2015.

Edifício London
A peça de Lucas Arantes foi impedida de estrear no Espaço dos Satyros 1 pela Justiça em 2013, após a mãe da menina Isabella Nardoni mover ação contra o espetáculo que retratava o famoso crime paulistano. A Justiça chegou a condenar o autor da obra a indenizar a mãe de Isabella em R$ 20 mil. Os artistas afirmaram serem vítimas de censura.

Macaquinhos
A performance na qual nove artistas nus tocavam mutuamente seus ânus em cena causou polêmica durante a passagem pela 17ª Mostra Sesc Cariri de Culturas, em Juzaeiro do Norte (CE) em 2015. Parte da sociedade conservadora da cidade não aceitou a obra, e os artistas lembraram que a liberdade de expressão é garantida pela Constituição.

Blitz – O Império Que Nunca Dorme
A peça da Trupe Olho da Rua questionava justamente a violência policial quando foi interrompida por policiais militares em uma praça de Santos. Os agentes não gostaram do texto da obra. O ator Caio Martinez Pacheco foi preso de forma truculenta e levado para delegacia e depois solto. “Fui humilhado”, falou ele na época.

DNA de DAN
A performance do artista Maikon K causou polêmica em Brasília em 2017. Nela, ele fica nu dentro de uma bolha com um líquido viscoso que vai ressecando em sua pele. Policiais militares do Distrito Federal consideraram que a obra artística era “atentado ao pudor”, rasgaram a bolha e prenderam o artista de forma truculenta no meio de uma apresentação do Festival Sesc Palco Giratório. O artista foi solto logo depois e o governador do DF, Rodrigo Rollemberg, pediu desculpas ao artista.


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