Zé Celso, 80 anos: um gênio do teatro com alma de menino inquieto

Zé Celso, nos bastidores do Teat(r)o Oficina – Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos Bob Sousa

Quem é este homem de cabelo branco que, quando chega, o teatro para em reverência? Todos querem vê-lo. Sentir sua presença de magnitude indescritível. Só quem já foi ao seu Teat(r)o Oficina, que ele dirige há quase 60 anos, sabe o que acontece quando ele pisa no palco. E comanda tudo. Ele é a própria história de nosso teatro.

José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, ou apenas Zé para os mais íntimos, é o maior gênio vivo do teatro brasileiro. Respeitado e cultuado em todo o mundo, completa, nesta quinta (30), 80 anos de vida.

Zé Celso se prepara para entrar em cena em “Bacantes” – Foto: Bob Sousa

O menino vindo de Araraquara para cursar direito no Largo de São Francisco logo ficou fascinado pela antropofagia. E decidiu trocar os tribunais pelo palco, onde foi um dos criadores do movimento tropicalista.

Zé jamais perdeu o frescor. Não se deixou abater nem quando foi perseguido pela ditadura civil-militar e precisou partir para o exílio. Ou quando teve de enfrentar Silvio Santos para proteger seu teatro da sanha da especulação imobiliária.

Zé Celso no camarim do Oficina – Foto: Bob Sousa

Zé sempre combateu os dissabores de cabeça erguida, criando espetáculos marcados pela genialidade e o diálogo profundo com seu tempo, como “Os Sertões”, a saga “Cacilda” ou mesmo sua definitiva e histórica versão para “Roda Viva”, de Chico Buarque, no fatídico 1968, o ano que não terminou, como decretou Zuenir Ventura.

E vai celebrar suas oito décadas de vida do jeito que mais gosta: no palco de seu teat(r)o (r. Jaceguai, 520), em uma apresentação especial de “Bacantes”, marcada para as 20h desta quinta, noite na qual também será comemorado o aniversário de 80 anos de Renato Borghi, que divide com ele o dia de nascimento e foi ator da histórica montagem de “O Rei da Vela”, de 1967, que eles remontam para este ano. Como dois meninos cheios de vida.

Zé Celso no palco do Teat(r)o Oficina – Foto: Bob Sousa

Coerente toda a vida, Zé jamais deixou de estar ao lado do povo, da juventude, dos marginalizados. Seu teatro jamais arrefeceu. É fogo puro.

Viva o Zé.

Evoé.

Zé Celso, 80 anos – Foto: Bob Sousa

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