Crítica: Luiz Fernando Guimarães merece algo melhor que “O Impecável”

Luiz Fernando Guimarães está em "O Impecável" - Foto: Milton Menezes

Luiz Fernando Guimarães está em “O Impecável”: ele merece peça melhor – Foto: Milton Menezes

Por Miguel Arcanjo Prado

Espera-se muito de um artista que integrou o emblemático grupo teatral carioca Asdrúbal Trouxe o Trombone e que participou de momentos memoráveis do humor brasileiro, como os programas “TV Pirata”, “Programa Legal” e “Os Normais”.

É com essa alta dose de expectativa que o espectador senta-se na poltrona do Teatro Gazeta para assistir ao monólogo “O Impecável”, com Luiz Fernando Guimarães.

Contudo, o espetáculo acaba por ser uma grande decepção diante do talento já demonstrado por este grande ator que já interpretou textos saborosos e inteligentes.

E é aí que mora o primeiro problema de “O Impecável”. Falta bom texto.

Se Claudio Botelho e Charles Möeller são dois excelentes diretores de musicais, como dramaturgos deixam a desejar nesta peça. Ela mais parece uma colcha de retalhos, um compilado de histórias e personagens que se pretendem engraçados, mas acabam sendo constrangedores.

E isso se reflete na atuação insegura de Guimarães, que parece pouco à vontade com o texto, ligado no automático, em nada lembrando o ator de humor virtuoso que o Brasil conhece tão bem.

Comédia está em cartaz no Teatro Gazeta - Foto: Milton Menezes

Comédia está em cartaz no Teatro Gazeta – Foto: Milton Menezes

Mesmo sem querer fazer aqui uma defesa de um humor politicamente correto, o que seria uma chatice, é impossível não constatar que o tom do texto é exageradamente preconceituoso, reforçando estereótipos, rindo do mais pobre, do oprimido.

Guimarães se esforça em manter o ritmo da peça, que vai caindo à medida que fica claro que não haverá muito mais do que já foi exposto.

A direção de Marcos Alvisi deixa o ator ao léu. Não há mudanças nem nuances que ajudem o artista no palco a tornar a obra mais palatável. Tampouco a estrutura colabora: o grande cenário é pouco aproveitado, e a iluminação insossa parece se esquecer de que poderia ser um elemento poético.

Mas exigir poesia artística deste monólogo seria demais. A sensação é de que não há pretensões de se fazer arte, de que trata-se de um espetáculo feito a toque de caixa para excursionar pelo Brasil, ganhando dinheiro de uma plateia sedenta para ver um rosto conhecido da TV e depois comentar se o ator fez ou não preenchimento de botox, como o próprio texto antecipa, de forma tristonha.

Em uma cidade de farta produção teatral de qualidade como São Paulo, a peça de Luiz Fernando Guimarães soa ingênua. O talento deste grande artista merece algo melhor.

Este crítico deixa uma sugestão: que o ator aproveite a temporada paulistana para tentar conhecer e interagir com a vibrante cena teatral da metrópole, sobretudo a feita pelo teatro de grupo. Quem sabe aí Guimarães não encontra companheiros para uma futura incursão de maior vigor artístico nos palcos. Porque ele e nós merecemos.

“O Impecável” *
Avaliação: Fraco
Quando: Sexta, 21h, sábado, 22h, domingo, 20h. 60 min. Até 2/10/2016
Onde: Teatro Gazeta – Av. Paulista, 900, Bela Vista, São Paulo, tel. 11 3253-4102
Quanto: R$ 80 (sexta) e R$ 90 (sábado e domingo)
Classificação etária: 14 anos

Leia entrevista com Luiz Fernando Guimarães sobre “O Impecável”

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