Crítica: “Adeus, Palhaços Mortos” é uma das melhores peças do ano em SP

Potente, "Adeus, Palhaços Mortos"  tem sessões gratuitas no Tusp - Foto: Victor Iemini

Potente, “Adeus, Palhaços Mortos” tem sessões gratuitas no Tusp – Foto: Victor Iemini

Por Miguel Arcanjo Prado

Ser descartado dói. Em “Adeus, Palhaços Mortos”, três velhos palhaços se encontram em uma sala de espera para uma vaga de emprego, na montagem do diretor José Roberto Jardim com a Academia de Palhaços. A peça é uma adaptação do texto “Um Trabalhinho para Velhos Palhaços”, do dramaturgo romeno Matei Visniec, cada vez mais montado pelos artistas paulistanos.

Rejeitados pela indústria do entretenimento, aqueles três palhaços tentam, ali, uma última chance de subir ao palco, deixando transparecer, diante do desespero de ser aceito, toda a sua complexidade, incluindo aí a rivalidade. A reiteração da mesma história, reeditada aos olhos do público, potencializa a encenação, permitindo novas leituras, abrindo perspectivas sobre a mesma.

Em “Adeus, Palhaços Mortos”, o diretor se mostra ainda mais livre para assumir claro recado artístico, ao brincar com os gêneros teatrais, mesclando a pós-modernidade aos novos tempos líquidos em uma encenação repleta de poesia e de reflexão.

Com direção inventiva e provocadora, a obra é uma ode à carreira do artista, com seus altos e baixos e, sobretudo, seus grandes conflitos e confrontos internos.

Jardim vive profuso momento como diretor neste 2016, no qual também comandou no primeiro semestre as elogiadas peças “Chet Backer” e “Não Contém Glúten”.

“Adeus, Palhaços Mortos” conta com atuações impactantes dos três clowns em cena. Laíza Dantas, Paula Hemsi e Rodrigo Pocidônio exibem precisão cênica, carisma e vitalidade em cada fala, cada gesto.

Completamente afinados, eles brilham dentro do cubo preenchido por luzes psicodélicas que serve de cenário à obra, em uma proposição de diálogo entre cenografia e iluminação, fazendo o tempo passado conversar com o presente.

Naquele limbo existencial no qual estão presos, os três velhos palhaços conseguem cristalizar toda a poesia da carreira de um artista do palco, com o sucesso ameaçado constantemente pelo fracasso. Este é o grande impacto de “Adeus, Palhaços Mortos”.

“Adeus, Palhaços Mortos” * * * * *
Avaliação: Ótimo
Quando: Quarta e quinta, 21h. 70 min. Até 22/9/2016
Onde: Tusp – Teatro da USP – Rua Maria Antônia, 294, Consolação, metrô República, São Paulo, tel. 11 3123-5233
Quanto: Grátis
Classificação etária: 12 anos

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