Crítica: “Término do Amor” expõe triste fim de um relacionamento

Triste fim: Carolina Fabri e Gabriel Miziara em "Término do Amor" - Foto: João Caldas

Triste fim: Carolina Fabri e Gabriel Miziara em “Término do Amor” – Foto: João Caldas

Por Miguel Arcanjo Prado

Um casal que não se ama mais é uma das coisas mais tristes do mundo. Qualquer tentativa de diálogo pode terminar em forte enfrentamento, no qual um fala sem parar e o outro responde com aquela expressão fria de ódio ou, pior ainda, desprezo. Tal tipo de situação está presente no espetáculo “Término do Amor”, em cartaz em São Paulo.

O texto do francês Pascal Rambert, traduzido pela diretora Janaína Suaudeau com colaboração de Clara Carvalho e produzido por André Canto, mostra um casal em pé de guerra verborrágica, interpretado por Carolina Fabri e Gabriel Miziara. Como aconteceu na versão francesa, a versão brasileira da peça repete o nome dos atores nos personagens.

Eles se enfrentam em um duelo de palavras, mas sem possibilidade de diálogo. Assim, a peça é dividida em duas partes: cada uma com um deles expondo sua visão sobre o fim daquele relacionamento. Os diálogos são pontuados pela bateria precisa de Pedro Gongom, que dá o ritmo às falas, na proposição de trilha de Vinícius Calderoni.

Embate verborrágico marca "Término do Amor" - Foto: João Caldas

Embate verborrágico marca “Término do Amor” – Foto: João Caldas

Miziara aposta em uma construção intensa de seu personagem, com rompantes verborrágicos e físicos. Carolina, por sua vez, começa na mesma intensidade de seu companheiro de cena, mas vai encontrando uma certa resignação, que potencializa o drama sugerido pelo texto.

O cenário de Ulisses Cohn coloca os dois atores em cima de duas plataformas que vão se abrindo, tendo a batida descompassada da bateria de seus corações representada na plataforma ao fundo, onde se encontra o baterista, presente em cena a todo instante.

Talvez um dos pontos mais interessante (e incômodo também) desta obra seja a falta de possibilidade de confluência entre os dois personagens. Apenas argumentos que representam pontos de vista diferentes sobre o fim desta relação.

É como se a proposta de que cada ator fale por sua vez, sem a possibilidade de contracenar, fosse a prova viva de que aquele amor chegou mesmo ao fim. E isso é sempre triste.

“Término do Amor” * * *
Avaliação: Bom
Quando: Terça, quarta e quinta, 21h. 90 min. Até 25/8/2016
Onde: Viga Espaço Cênico – Rua Capote Valente, 1323, metrô Sumaré, São Paulo, tel. 11 3801-1843
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos

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