Débora Falabella vive mãe atormentada em “Mantenha Fora do Alcance do Bebê”

Débora Falabella em cena de "Mantenha" - Foto: Bob Sousa

Débora Falabella em cena de “Mantenha Fora do Alcance do Bebê” – Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado

Débora Falabella está de volta aos palcos com as agruras de uma mulher que deseja adotar uma criança em uma penosa entrevista com a assistente social no espetáculo “Mantenha Fora do Alcance do Bebê”. O texto ácido e preciso consagrou a dramaturga Silvia Gomez com os prêmios APCA e Aplauso Brasil, além da indicação ao Shell.

Em conversa com o Blog do Arcanjo do UOL, Débora diz que o maior desafio é “levar para a cena a potência do texto”, o que tenta fazer a encenação assinada por Eric Lenate, com referências estéticas à obra do norte-americano Robert Wilson, o Bob Wilson, que esteve recentemente no Brasil montando “Garrincha”.

Débora não considera fácil definir esta peça. Após pensar um pouco, emenda: “Mas escutei uma frase da Silvia que, na minha visão, resume tudo: Que tipo de herança estamos levando adiante em tempos tão sombrios?”, deixa no ar. A frase foi dita por Silvia ao receber o Prêmio Aplauso Brasil, no mês passado, no mesmo palco do Teatro Porto Seguro, onde a obra reestreia no próximo dia 10 de agosto.

Lobo à espreita: Diego Dac e Débora Falabella em cena - Foto: Bob Sousa

Lobo à espreita: Diego Dac e Débora Falabella em cena – Foto: Bob Sousa

Nestes dois últimos anos, a atriz esteve presente no teatro constantemente, nas obras “Contrações”, na qual atua ao lado da potente Yara de Novaes e que rendeu o APCA de melhor atriz para as duas, e “Mantenha Fora do Alcance do Bebê”. Diz que estes são anos teatrais “por não ter feito um trabalho tão longo na TV”.

E reforça que o palco é seu lugar: “Desde 2005, quando o Grupo 3 de Teatro foi fundado, tenho uma atividade contínua no teatro. E vou me organizando para conseguir trabalhar nos projetos que acredito. Independentemente do lugar que esse trabalho ocupa. Teatro pra mim nunca foi algo que faço no tempo livre”. Além da peca, Débora estreia neste segundo semestre a série “Nada Será Como Antes” na Globo, além de ter participado de três filmes.

Já Silvia, quando fala de “Mantenha Fora do Alcance do Bebê”, sente um misto de realização e gratidão. Assim como Débora, ela é mineira radicada em São Paulo e conquistou o respeito da crítica com este texto.

APCA de melhor texto: Silvia Gomez no cenário da obra - Foto: Bob Sousa

APCA de melhor texto: Silvia Gomez no cenário da obra – Foto: Bob Sousa

“O APCA é um ícone de nossa cultura e ver meu nome indicado numa premiação pela qual já passaram tantos grandes ídolos foi um sonho. Foi mágico estar lá. O Aplauso Brasil é um troféu muito especial, feito por pessoas apaixonadas”, fala. “Prêmios são como um aceno do caminho, uma placa que diz: ‘vá em frente’, pois escrever e depois encenar uma peça é um pouco se jogar num tipo de salto, estar diante do nada e ao mesmo tempo diante de todo tipo de incerteza”, define.

E Silvia, que também é jornalista, confessa como foi ver sua obra montada: “Minha sensação foi a de que o Eric Lenate tinha feito as palavras explodirem, elevando sua potencialidade. O lobo, por exemplo, era apenas uma sugestão do texto: ‘há um lobo selvagem no ambiente’. Ele tomou esse animal para si e o fez montar e desmontar a cena, servir cafezinho, recolher os restos humanos, dançar Nina Simone. Mágico. Ele e aqueles atores preciosos: Debora Falabella, Anapaula Csernick, Jorge Emil, Diego Dac. É um sonho louco vê-los em cena”, conclui.

“Mantenha Fora do Alcance do Bebê”
Quando: Quarta e quinta, 21h. 80 min. De 10/8 até 15/9/2016
Onde: Teatro Porto Seguro – Al. Barão de Piracicaba, 740, Campos Elíseos, São Paulo, tel. 11 3226-7300
Quanto: R$ 40 a R$ 60
Classificação etária: 14 anos

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