Opinião: Melhor vilão de Xuxa, Guilherme Karan marcou uma geração

Guilherme Karan como Baixo Astral no cinema: melhor vilão - Foto: Divulgação

Guilherme Karan como Baixo Astral no cinema: melhor vilão da infância nos 1980 – Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Só um grande ator é capaz de marcar a infância de uma geração. Guilherme Karan, que morreu nesta quinta (7), em decorrência de complicações da síndrome de Machado-José, uma doença degenerativa do sistema nervoso, aos 58 anos, foi um destes grandes artistas.

Guilherme Karan e Xuxa em "Super Xuxa contra o Baixo Astral" - Fotos: Divulgação

Guilherme Karan e Xuxa em “Super Xuxa contra o Baixo Astral” – Fotos: Divulgação

O primeiro contato que tive com seu trabalho foi assistindo, aos seis anos de idade, ao filme “Super Xuxa contra o Baixo Astral”, de 1988.

Apesar de na época achincalhado pela crítica, o longa encantou as crianças, levando 2,8 milhões de espectadores aos cinemas. Porque conseguia se comunicar com os pequenos daqueles tempos, eu aí incluído.

Nele, Karan deu vida a um dos melhores vilões do cinema feito para crianças no Brasil. Era o malvado Baixo Astral, que habitava os esgotos do mundo e contra quem Xuxa tinha de lutar pintando seu arco-íris de energia. Nada mais anos 1980.

Karan dava ao personagem um deboche que era típico de seu trabalho e que o tornou um dos principais nomes da comédia brasileira, destaque do chamado “teatro besteirol”, que também marcou aquela década e do qual uma das peças mais representativas seja “As Sereias da Zona Sul”, que estreou no Rio em 1988 e na qual fez par com Miguel Falabella no palco, com sucesso de público e de crítica.

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Estriea na TV: Guilherme Karan com Susana Vieira em "Partido Alto" - Foto: Divulgação

Estriea na TV: Guilherme Karan com Susana Vieira em “Partido Alto” – Foto: Divulgação

O ator, que não tinha medo de dizer que os bons já nascem com talento, gostava de ver a plateia rindo de forma farta, em sonoras gargalhadas, como as que ele mesmo costumava dar.

Por isso, o mundo das artes fica mais triste sem Guilherme Karan. Como esquecer de seu apresentador Zeca Bordoada, da “TV Macho”, quadro do histórico programa “TV Pirata”, mais atual do que nunca no Brasil homofóbico dos dias de hoje?

Paulo Autran e Guilherme Karan em "Hilda Furacão" - Foto: Divulgação

Paulo Autran e Guilherme Karan em “Hilda Furacão” – Foto: Divulgação

Outro personagem marcante foi o delicado sacristão mineiro João Dindim, perseguido por padre Nelson, papel do grande Paulo Autran em “Hilda Furacão”, de 1998. Karan encheu de poesia a personagem que gostava de maquiar, vestir e pintar as santas barrocas da Igreja da Matriz, como uma forma inconsciente de manifestação artística e de uma sexualidade reprimida e demonizada pela tradição religiosa.

Karan estava ausente da TV desde 2005, quando fez “América”, da mesma Gloria Perez que foi sua principal autora na TV e com quem estreou em “Partido Alto”, de 1984, e ainda fez “Explode Coração”, de 1995, e “O Clone”, de 2001, entre outras. De Cassiano Gabus Mendes fez o grande sucesso “Meu Bem Meu Mal”, de 1990, na qual viveu o lendário mordomo Porfírio, com sua obsessão pela Divina Magda, papel de Vera Zimmerman,

Com seu excesso de vigor, carisma e alto astral, Guilherme Karan foi um ator que conseguiu conquistar a simpatia de todos ao seu redor. Foi assim no teatro, no cinema, na TV. E na vida.

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