Argentino nascido no Alasca, Kevin Johansen estreia “Mis Americas” em SP

O cantor Kevin Johansen lança disco "Mis Americas" - Foto: Nora Lezano

O cantor Kevin Johansen lança disco “Mis Americas” – Foto: Nora Lezano

Por Miguel Arcanjo Prado

Norte-americano e argentino, o cantor Kevin Johansen, 53, faz os primeiros shows da turnê de seu novo disco, “Mis Americas”, entre 24 e 26 de junho, no Teatro do Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Filho de mãe argentina e pai norte-americano, ele nasceu no Alasca, o Estado polar norte-americano, morou na Califórnia e em Nova York e hoje vive em Buenos Aires.

O disco foi gravado entre a América do Norte e do Sul, daí o título. No show, é acompanhado pela banda The Nada, que formou em Nova York. Johansen conversou com o Blog do Arcanjo do UOL sobre o novo trabalho, sua vida e sua música. E ainda comentou como vê o atual momento político no Brasil, na Argentina e nos Estados Unidos. Leia o bate-papo:

Miguel Arcanjo Prado — Por que você escolheu começar a turnê de “Mis Americas” em São Paulo?
Kevin Johansen — Uma pessoa vai aonde o convidam. E aceitamos com alegria o convite para estar em Sampa, que coincide com a saída de “Mis Americas”.

Quais são suas relações com a música brasileira atual?
Neste último disco, há uma canção “Torcer a Favor”, que foi produzida por Kassin em seu estúdio no Rio, com a participação de Arnaldo Antunes. Escuto muito música brasileira, através de amigos como Paulinho Moska. Desde Zélia Duncan, a Los Hermanos, de Seu a Céu [num trocadilho bem  humorado entre Seu Jorge e a cantora Céu].

Quais foram as primeiras coisas que você ouviu do Brasil?
Deve ter sido “Garota” [de Ipanema] ou “Brasil”, nos Estados Unidos. Tínhamos em casa um cassete que se chamava em inglês “Black Music of South América”, onde escutei o berimbau pela primeira vez. Já em Buenos Aires, o boom com Gil, Gal, Maria Bethânia e nos anos 1980, que chegavam Caetano e Paralamas, entre outros. Em Nova York descobri e escutei Marisa Monte e Tom Zé, por exemplo.

Como são seus fãs brasileiros, ou seria melhor dizer as fãs brasileiras?
Creio que, por sorte, é muito “desgenerado” o público de KJ + The Nada e isso se nota, tem muitas idades, muitos estilos diferentes de pessoas. O desafio nosso é ser aberto e sem preconceito a respeito dos gêneros musicais.

Vista de Fairbanks, no Alasca, onde Kevin Johansen nasceu - Foto: Divulgação

Vista de Fairbanks, no Alasca, onde Kevin Johansen nasceu – Foto: Divulgação

Como foi que o destino quis que você nascesse no Alasca? Até quando morou lá?
Minha mãe, argentina, recebeu uma bolsa para estudar em Boulder, no Colorado, e conheceu meu pai, que é de lá. Eles se apaixonaram e, como ele não quis ir para a guerra do Vietnã, foi um desertor de consciência, fez papeis para o governo por três anos em Fairbanks, no Alasca, onde nasci. História louca.

Você viveu muito tempo nos Estados Unidos. Qual a influência dessa experiência na sua música?
Muitas, claro. Vivi até meus 12 anos em São Francisco, Califórnia, e dos meus 25 a 35 anos, em Nova York. Escutei desde Joan Báez e Cat Stevens a Roy Orbison, Jonny Cash e Nirvana! Enquanto que minha mãe também me mostrava Violeta Parra, Víctor Jara e Vinicius de Moraes e Tom Jobim.

Por que a turnê chama “Mis Americas”?
Porque deu a casualidade ou não que o produtor, Matías Cella, que trabalha muito com Jorge Drexler, me “convidava” cinco dias a gravar em Nova York e outros cinco no Rio. E assim fomos gravando pelas Américas e com gente de todas as partes. Mas isso apenas começa, por isso colocamos “Vol.1/2”, como nomeio, na metade. É a ponta do iceberg de “Mis Americas”.

Cena do bairro de Palermo, em Buenos Aires, um dos preferidos de Kevin Johansen - Foto: Divulgação

Cena do bairro de Palermo, em Buenos Aires, um dos preferidos de Kevin Johansen – Foto: Divulgação

Como foi ir viver na Argentina nos últimos anos. O que Buenos Aires tem que você gosta?
Voltei em 2000, pensando em provar Buenos Aires por dois ou três anos e, se me gostasse, ficaria. Mas aí caíram as Torres Gêmeas e eu fiquei. Buenos Aires é uma cidade incrível e está longe de certa loucura que há no norte.

Quais os três lugares de Buenos Aires que você mais gosta?
Eu gosto dos bairros Palermo, Centro, San Telmo. É uma cidade que se pode caminhar, assim como Nova York.

E no Brasil, você gosta de quais cidades?
Conheço poucas, mas todas têm algo. Desde Sampa, que recém começo a descobrir seus segredos através de amigos locais. Do Rio, o mesmo, gosto de caminhar por lá. Conheci Belo Horizonte e Ouro Preto, preciosa! A boêmia de Porto Alegre ou Recife. E Fernando de Noronha, uma pequena Galápagos, incrível!

Qual sua opinião sobre o atual momento político no Brasil e na Argentina?
Difícil, mas Estados Unidos está quase pior com [Donald] Trump. Parece ser já mais um problema da humanidade do que de um país. O ego e a avareza são nossa perdição.

Como foi para você chegar aos 50 anos? Como te encontram hoje?
Quem te falou? [risos] Por momentos, como se nada, jovem. Por outros, cansado, velho [risos]. Mas é como o ditado: a ideia é morrer jovem o mais tarde possível!

Kevin Johansen, música pop com muitas referências - Foto: Nora Lezano

Kevin Johansen, música pop com muitas referências – Foto: Nora Lezano

Kevin Johansen + The Nada
Quando: Sexta (24) e sábado (25), 21h, domingo (26), às 18h. Até 26/6/2016
Onde: Sesc Vila Mariana – Rua Pelotas, 141, Vila Mariana, São Paulo, tel. 11 5080-3000
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos

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