“A República de Curitiba vai pouco ao teatro”, diz diretor da Selvática

Rafa Poli e Patricia Cipriano em "Pinheiros e Precipícios" - Foto: Humberto Araujo

Rafa Poli e Patricia Cipriano em “Pinheiros e Precipícios” – Foto: Humberto Araujo

Por Miguel Arcanjo Prado

No último Festival de Teatro de Curitiba, a Selvática Ações Artísticas causou rebuliço ao expor sua versão contestatória da capital paranaense com a peça “Pinheiros e Precipícios”, sob direção de Ricardo Nolasco. A montagem volta a ser encenada em Curitiba no Teatro José Maria Santos, com apresentações de quinta a domingo, sempre às 20h, até 26 de junho.

Em conversa com o Blog do Arcanjo do UOL, Nolasco diz que está gostando de “sair da casinha”, comentando que a temporada atual ocorre fora da sede do grupo, a Casa Selvática, um dos espaços artísticos mais interessantes da cena curitibana e que ele define como “uma casa in progress, uma resistência ao mainstream e ao mercado oficial da arte, um lugar de escape, uma zona autônoma em constante metamorfose”.

Sobre a peça, com dramaturgia de Francisco Mallmann baseada em textos do autor paranaense Wilson Bueno (1949-2010), que retratou uma Curitiba marginal e underground, Nolasco avisa: “‘Pinheiros e Precipícios’ é uma experiência cênica e não só um espetáculo de teatro. É um percurso, que se comunica com o espaço público até entrar no teatro: que será ocupado como locação, possibilitando ao público diferentes olhares”.

Stéfano Belo em cena de "Pinheiros e Precipícios" - Foto: Humberto Araujo

Stéfano Belo em cena de “Pinheiros e Precipícios” – Foto: Humberto Araujo

No elenco, estão Claudete Pereira Jorge, Jeff Bastos, Leonarda Glück, Patricia Cipriano, Patricia Saravy, Simone Magalhães e Stéfano Belo, além do coro formado por Amira Massabki, Bianca Amante, Matheus Henrique, Rafa Poli, Julio Constantino, Léo Bardo, Priscilla Amante e Semyramys Monastier, esta última também responsável pela iluminação. Enquanto que a trilha é de Jo Mistinguett.

“Pinheiros e Precipícios” conta ainda com um bar cabaré, comandado pela artista Patricia Cipriano, e uma feirinha de publicações e outras trocas artísticas. “Queremos construir um ambiente de diversidade artística e de encontro, um espaço plural e em transformação, alimentado por todos os participantes”, explica Nolasco.

Questionado se a Selvática congrega os artistas mais ousados de Curitiba, Nolasco, bem humorado, diz que “Curitiba tem muita ousadia, mas em geral ela está escondida no sótão junto com o demônio que o Wilson fala em um de seus contos ou no porão onde toda a família curitibana tem um louquinho trancafiado como diz o Dalton Trevisan”.

Leonarda Glück em "Pinheiros e Precipícios" - Foto: Humberto Araujo

Leonarda Glück em “Pinheiros e Precipícios” – Foto: Humberto Araujo

“Temos um histórico de ousadia e de coragem. Curitiba que até a década de 1990 era reconhecida por produções oficiais como óperas e balés, hoje é por seus artistas independentes e resistentes”, lembra o diretor.

E continua: “Nossa maior ousadia e loucura é a nossa insistência. É acreditar no que fazemos e caminhar na contra mão das lógicas mercantilistas que regem o mundo contemporâneo. A Leonarda Glück [atriz do grupo] diz isso e eu estou com ela: eu gosto do teatro que estraga o jantar”, diz.

Ricardo Nolasco em "Pinheiros e Precipícios" - Foto: Humberto Araujo

Ricardo Nolasco em “Pinheiros e Precipícios” – Foto: Humberto Araujo

E como o teatro da Selvática dialoga com a “República de Curitiba”? Nolasco responde: “A República de Curitiba vai pouco ao teatro, também por isso precisamos estar cada vez mais nas ruas. Ela sempre prefere a proteção de shopings centers e de uma arte previsível e que atenda seus fetiches. É uma couraça dura que estamos todos os dias ‘vibratilizando'”.

E conclui: “A maioria das pessoas que declaram seu ódio a nós nunca foram ver nada que fizemos. Eu não estou aqui para fazer uma arte que pede licença ou camufle as coisas. Quero estar em chamas, lembrando que a nossa existência já é um ato de rebeldia”.

Simone Magalhães em "Pinheiros e Precipícios" - Foto: Humberto Araujo

Simone Magalhães canta em “Pinheiros e Precipícios” – Foto: Humberto Araujo

“Pinheiros e Precipícios”, da Selvática Ações Artísticas
Quando: Quinta a domingo, sempre às 20h (o bar abre às 16h). Até 26/6/2016
Onde: Teatro José Maria Santos (Rua 13 de maio, 655, Curitiba, Paraná, tel. 41 3324-8208)
Quanto: R$26 (inteira)  R$13 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos

Programação extra no mesmo local:

Boleros Bar
Bar Cabaré conduzidos pelas musas selváticas Patricia Cipriano e Rafa Polli.
Aberto de Quarta a Domingo a partir das 16h para esquentar os gélidos corações no inverno curitibano.
Entrada grátis

Ocupação de Quarta
16 e 23 de Junho às 20 horas
Encontros com artistas paranaenses
Entrada grátis

Feira da Ladra
Domingos, durante a tarde toda
Feira coletiva com venda de Zines, publicações independentes, cds, charlatanismos, performances, shows, colares e outras artimanhas
Entrada grátis

Cinema Olympia
Sábados – 17 horas
Vídeos, filmes e web performances com curadoria de Ricardo Nolasco
Entrada grátis

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