Aos 80 anos, Ignácio de Loyola Brandão revê vida no palco ao lado da filha

O escritor Ignácio de Loyola Brandão: vida em espetáculo - Foto: Divulgação

O escritor Ignácio de Loyola Brandão: vida em espetáculo – Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Às vésperas de completar 80 anos no próximo 31 de julho, o escritor Ignácio de Loyola Brandão, paulista de Araraquara, sente um frio na barriga nas noites de terças-feira.

É quando ele sobe ao palco do Teatro Eva Herz, em São Paulo, para fazer o espetáculo “Solidão no Fundo da Agulha”, baseado no livro homônimo que lançou em 2013. Na peça, revê suas memórias, embaladas por músicas que marcaram sua trajetória na voz da filha, a cantora Rita Gullo, acompanhada pelo violonista Edson José Alves.

O que é mais difícil para o escritor nesta incursão ao palco? Loyola Brandão pensa e responde: “Confesso que é chegar ao teatro e saber se tem ou não espectadores”, começa ele, bem humorado, antes de emendar, “às vezes, difícil para mim é o medo de me dar um branco”, confessa.

Plateia no escuro

Quando fazia apenas palestra, o autor costumava olhar para o rosto das pessoas na plateia para orientar sua fala. Agora, diante dos fortes holofotes em seu na iluminação do diretor Marcelo Lazaratto, ele enxerga apenas um breu à sua frente.

“A plateia está no escuro, fico inseguro”, explica. Mas, pondera: “Por outro lado, tenho uma enorme vantagem, as histórias não são decoradas, nem escritas por outro. São minhas, por mim vividas. Tem dias que mudo a estrutura, acrescento coisas e ninguém percebe, nem quem já viu o espetáculo duas vezes”, revela, satisfeito.

Loyola Brandão assumiu essa nova fase no palco — “seria fase?”, questiona — com naturalidade. Após décadas participando de palestras, seminários, mesas redondas e encontro com os leitores, não foi tão difícil assim subir no tablado.

“Gosto de contar histórias.  Percebi que uma palestra era seguida com maior interesse quando havia uma narrativa por trás . Assim, quando se produziu este show, continuei a contar histórias, simplesmente. Só que de minha vida”, resume.

Rita Gullo canta músicas que marcaram vida de seu pai - Foto: Divulgação

Rita Gullo canta músicas que marcaram vida de seu pai – Foto: Divulgação

Intimidade no palco

A este prazer, soma-se o de contracenar com a filha. “É pura emoção”, diz. “O palco parece continuação de nossa casa, como se sempre tivéssemos vivido ali”, fala, revelando que por um olhar ou gesto da filha sabe se seu desempenho está a contento. “Também nos esforçamos para agradar um ao outro, competindo amigavelmente. Ela sempre brilha muito”, elogia o pai orgulhoso.

A filha diz que a intimidade ajuda. “As canções estão ali como as lembranças dele, mas também como histórias dentro das histórias. Cada uma foi escolhida por ser o chamariz da memória e, por causa disso, tem relação direta com a história contada ali, mas como qualquer canção, tem vida própria”, declara Rita.

Loyola Brandão conta que a peça já atraiu nomes como a consultora de moda Gloria Kalil, o publicitário Oscar Colucci, o ex-ministro do STF Eros Grau e a artista plástica Maria Bonomi. Esta última até mandou um e-mail para o escritor, no qual definiu o espetáculo como “algo que te pega para sempre”.

Mas reforça que também há gente jovem reunida nas poltronas do Eva Herz, como uma jovem curitibana que chorou copiosamente em uma das sessões. “As músicas não pertencem às gerações deles. Música boa torna-se eterna”, filosofa o escritor.

Segundo Loyola Brandão, seu espetáculo tem tudo que uma vida tem. “Amor, solidão, infelicidade, comédia. A vida traçando pontos misteriosos e alterando decisões e caminhos. Enigmas da vida”, define, como grande escritor que é.

Histórias e canções: Rita Gullo, Edson José Alves e Loyola Brandão no palco - Foto: Divulgação

Histórias e canções: Rita Gullo, Edson José Alves e Ignácio de Loyola Brandão no palco – Foto: Divulgação

“Solidão no Fundo da Agulha”
Quando: Terça, 21h. 70 min. Até 26/7/2016
Onde: Teatro Eva Herz – Livraria Cultura do Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2073, Cerqueira César, São Paulo, tel. 11 3170-4059
Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia entrada)
Classificação etária: 12 anos

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