Não baixem os braços, me disse Juanita

Juana Pargament, a Juanita, emblática entre as "Madres de la Plaza de Mayo" - Foto: Divulgação

Juana Pargament, a Juanita, emblática entre as “Madres de la Plaza de Mayo” – Foto: Divulgação

Por FELICITAS FUERTES*
Colaboração especial, de Buenos Aires

Juana Pargament, “Juanita” como a conhecíamos todxs.

Faleceu uma Madre de la Plaza de Mayo. Quero escrever isto porque sua vida, desde sempre, me representou um claro exemplo da força incalculável destas mulheres.

A primeira vez que vi Juanita eu tinha 19 anos; recordo que foi em uma roda que a escutei falar e me chamou a atenção porque era claramente muito maior que o resto de suas companheiras.

Não obstante, demonstrava uma força e uma claridade que poucas vezes vi. Quando averiguei, Juanita nesse momento havia passado dos 90 anos. Não podia acreditar.

Durante os anos seguintes, pude ver em cada roda como ela sempre tinha um sorriso e uma resposta afetuosa a cada uma das pessoas que se lhe aproximavam.

Todas as anedotas ao redor de seus 101 anos de vida recorridos demonstravam como ninguém podia pará-la, nem sua própria família. Trabalhou até o último momento.

Em novembro do ano passado, fomos com varixs companheirxs a repintar os lenços da praça, já que alguns haviam escrachado aqueles símbolos quele elas nos deixaram de legado como bandeira de luta.

Esses lenços que nos guiam, como diz minha amiga La Negra. Ficamos na roda e quando elas se estavam retirando, me aproximei, porque sempre gosto de abraçá-las, porque creio que elas merecem, como diz a canção, todo o abraço do povo.

E nesse dia novamente me encontrei com o olhar de Juanita, que, tão sábia como sempre, me disse: “agora vocês tem que estar mais fortes que nunca. Não baixem os braços”.

Juanita tinha 101 anos enquanto me dizia isso. Ela não ia baixar os braços e queria que todxs fizéssemos o mesmo.

Creio que me falava a mim e a todxs.

Como sempre, elas um passo à frente, cuidando-nos.

Não nos conhecemos intimamente. Só posso dizer estas palavras, que são para ela e para todas suas companheiras.

Madres de la Plaza, o povo as abraça.

Hasta la victoria siempre, companheira.

*FELICITAS FUERTES é jovem filósofa argentina, estudante da Universidade de Buenos Aires – Argentina, feminista e militante.

 

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