★★★★ Crítica: Série Moria da Netflix reluz o brilho intenso de Moria Casán, a grande diva pop da Argentina

Moria Casán é tema da série Moria na Netflix, sobre a grande diva pop da Argentina © Divulgação Netflix Blog do Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

★★★
MORIA
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado

Veja na Netflix

Para celebrar os 80 anos de vida de Moria Casán, a Netflix produziu na Argentina a série Moria, que conta a história da grande diva pop argentina, uma das artistas mais queridas do país vizinho.

Vedete do teatro de revista portenho, apresentadora, jurada de programas e grande atriz, Moria Casán teve uma trajetória à frente de seu tempo, nunca aceitando ficar debaixo do jugo de ninguém e construindo seu próprio caminho como um furacão ambulante. Não à toa, ela mesma narra a série e joga com os personagens como se fosse uma condutora de teatro de marionetes.

Moria Casán é interpretada na série Moria por Sofia Gala Castiglione (à esquerda), Griselda Siciliani (centro) e Cecilia Roth (à direita): as duas primeiras brilham mais © Divulgação Netflix Blog do Arcanjo 2026

A série biográfica mostra este seu desfilar pleno de certeza e também mergulha na relação com seus conturbados amores e com sua única filha, Sofia Gala Castiglione, que interpreta a mãe na primeira fase da história. A semelhança entre ambas é impressionante, e Sofia faz entrega visceral.

Outra atriz que brilha é Griselda Siciliani, dona de farto carisma e incrível tempo cômico, já conhecida do grande público pela série Invejosa, também da Netflix. Ela conseguiu capturar o tempo veloz de Moria Casán sem dificuldades, com cenas memoráveis, sobretudo quando interpreta Moria em seus escândalos e brigas televisionadas.

Por fim, Cecilia Roth, uma das atrizes argentinas mais conhecidas no mundo por conta de sua atuação em filmes de Pedro Almodóvar, é quem dá vida à diva na reta final da série, de forma mais dramática e melancólica, mas sem alcançar o mesmo vigor das duas primeiras intépretes e da própria Moria Casán.

Moria Casán na série Moria da Netflix: brilho reluzente de uma grande diva © Divulgação Netflix Blog do Arcanjo 2026

A série dirigida como um grande sonho queer por Javier Van De Couter faz muito bem ao consagrar Moria Casán como figura emblemática da Argentina: “Sou o Obelisco com tetas”, ela se autodefine, como verdadeiro patrimônio nacional.

Defensora da comunidade LGBTQIAPN+ e da liberdade plena das mulheres e de seus corpos, Moria Casán conseguiu o feito de conservar-se eternamente jovem e vigente na cultura pop argentina, na qual é item realmente indispensável. Não à toa, seu grande sonho é ser eterna. Que assim seja.

★★★
MORIA
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado

Veja na Netflix

MORIA (série da Netflix) – Moria Casán comemora seu aniversário de 80 anos abrindo as portas para uma versão fictícia de si mesma. Três grandes atrizes — Sofía Gala Castiglione, Griselda Siciliani e Cecilia Roth — a interpretam em diferentes etapas da vida. A série não é apenas o retrato de uma estrela que trabalhou no cinema, teatro e televisão. Ela conta a história de uma mulher que transformou a transgressão em modo de sobrevivência e é um tributo à cultura popular argentina.

MORIA tem números grandiosos

A nova série sobre Moria Casán, estreada na última sexta-feira, 14 de agosto, reafirma o compromisso da Netflix com o desenvolvimento de produções feitas na Argentina que geram oportunidades para o talento local, impulsionam distintos setores da economia e aproximam histórias locais do público de todo o mundo.

Em seus primeiros dias de estreia, Moria entrou no Top 10 global semanal de séries de língua não inglesa da Netflix com 1,6 milhão de visualizações, consolidando o interesse internacional por uma das figuras mais icônicas da cultura popular argentina. Além disso, o título se posicionou no Top 1 das histórias favoritas do público na Argentina e no Uruguai.

“Há algo que aconteceu com a série que é uma revolução sensorial, uma revolução de sentimentos. As pessoas se aproximam não apenas para me parabenizar, mas para me contar o que aconteceu com elas, como a série as atravessou e as emocionou. Nesta época de amores líquidos, algo que acontece através de uma tela ter o poder de te atravessar a ponto de sentir que não há uma tela no meio me honra”, disse Moria Casán.

E, sobre a dimensão que a série tomou, sintetizou: “Um êxito é uma coisa e um sucesso é outra: isto é um sucesso. E há algo que as pessoas me dizem que para mim resume tudo: ‘eu te invoco’. Que alguém te diga que te invoca para a sua vida… pronto, alcançamos tudo.”

Os números por trás dos 8 episódios

A produção da série sobre Moria Casán foi realizada durante 68 diárias de filmagem e contou com a participação de 110 técnicos, 239 atores e 1.385 figurantes.

Ao longo de seus 8 episódios, a história percorre distintas etapas da vida e da carreira de Moria, interpretada por 4 atrizes: Sofía Gala Castiglione, Griselda Siciliani, Cecilia Roth e a própria Moria Casán.

Para reconstruir as diferentes épocas, a produção trabalhou em 29 locações, entre 19 locações reais e 10 cenários construídos do zero. Entre as sequências que exigiram maior mobilização criativa e produtiva, destacam-se as cenas teatrais, que chegaram a reunir até 300 figurantes por dia.

Para recriar diferentes momentos da carreira de Moria, a produção reconstruiu as montagens de três teatros emblemáticos de Buenos Aires: o Astral, o Metropolitan e o Gran Rivadavia, incluindo cenografias, iluminação e figurinos característicos de cada época.

O figurino, liderado por Florencia Tellado, teve papel central na reconstrução de cada período, tomando como inspiração os figurinos originais de Moria e adaptando-os às diferentes épocas e a cada uma das atrizes que a interpretam. No total, foram feitas 108 trocas de figurino entre as quatro Morias e a Moria criança: 49 para Sofía Gala, 32 para Griselda Siciliani, 20 para Cecilia Roth, 3 para Moria Casán na atualidade e 4 para a Moria criança. Além disso, 26 figurinos foram confeccionados especialmente pela equipe de figurino para a produção.

O trabalho de maquiagem e caracterização foi outra peça-chave para recriar as distintas etapas de Moria. Cada atriz exigiu cerca de 2 horas de caracterização por dia, em um processo que se complementou com 15 perucas alugadas e 12 perucas originais de Moria, utilizadas para se aproximar de alguns de seus visuais mais reconhecíveis ao longo dos anos.

A música foi outra peça fundamental para acompanhar este percurso. A trilha sonora da série, já disponível no Spotify, conta com 15 canções licenciadas, entre elas I Will Survive, Ti Amo, A mi manera, Rumba Samba Mambo, Let’s Get Loud, Kill Your Sons e Me dicen la Pantera, além da estreia de Momentismo absoluto por Lula e Marilina Bertoldi.

DIREÇÃO E ROTEIRO: Javier Van de Couter

PRODUÇÃO: About Entertainment

ELENCO: Sofía Gala Castiglione, Griselda Siciliani, Cecilia Roth e a participação de Moria Casán

Apresentação da série Moria reuniu estrelas em Buenos Aires

Na terça-feira, 11 de agosto, a Netflix apresentou Moria, a nova série de ficção realizada na Argentina e inspirada na vida de Moria Casán, em uma exibição especial no Teatro Lola Membrives, antes de sua estreia global em 14 de agosto.

Moria Casán, “La One”, chegou acompanhada por Sofía Gala Castiglione, Griselda Siciliani e Cecilia Roth, as três atrizes que a interpretam em diferentes momentos de sua história, juntamente com o criador e diretor, Javier Van de Couter; a equipe de bastidores da About Entertainment; e referências do setor audiovisual e do entretenimento.

O evento contou com a presença de convidados especiais como Guillermina Valdés, Nito Artaza, Flor de la V, Vicky Xipolitakis, Gustavo Bassani, Matías Mayer, Marley, Cande Vetrano, Victorio D’Alessandro, Miguel Ángel Cherutti, Evangelina Anderson, Belén Francese, Marixa Balli, Franco Masini, Floppy Tesouro, Chato Prada, Lourdes Sánchez, Benito Fernández, Coco Fernández, Leticia Siciliani, Mercedes Ninci, Mike Amigorena, Romina Gaetani, Diego Cremonesi, entre outros.

A série percorre a transformação de Moria de vedete a ícone popular, do brilho do espetáculo à intimidade por trás da personagem, e do mito que todos julgam conhecer a uma mulher que continua a se explorar. Entre ficção, glamour e espetáculo, a pré-estreia marcou a grande abertura de uma história com uma protagonista impossível de rotular.

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado

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