No livro São Paulo em Mim: Escritos de um Corpo Urbano, Político e Poético (Editora Lunae), o escritor estreante Leonardo Gobo tem um olhar perspicaz sobre a capital paulista, direcionando um olhar poético e amoroso à metrópole. O lançamento foi na Biblioteca Mário de Andrade, no centro paulitano, nesta quarta, 19, com um bate-papo com o autor, mediado pelo jornalista Miguel Arcanjo Prado, e noite de autógrafos.
No livro, o autor, com formação em Letras e Pedagogia, opta por um itinerário refinado e intimista: as relações entre a cidade e sua gente, a partir da perspectiva do que ela mudou nele mesmo, sobretudo na liberdade para ser. Em suas 128 páginas, ele constrói uma narrativa onde a cidade deixa de ser um mero plano de fundo para se converter na própria matéria viva do texto. Do alto de sua janela no Edifício Copan, icônico prédio paulistano, mas também no cotidiano das ruas e repartições, ele observa a vida que pulsa na metrópole, bem como seus momentos poéticos e também festivos, seja numa pausa com bolo e café, seja em megaeventos que unem a cidade.
Leonardo Gobo costura memórias de sua origem no interior, em Conchas, no interior paulista, com a urgência da arena política contemporânea — atualmente ele é coordenador de Políticas para LGBTI+ da Secretaria Municipal de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo. Estruturado através de uma alternância entre crônicas, poesia, orações e a missiva pessoal, o volume adota um ritmo dinâmico.
Cada texto curto funciona como uma fenda por onde despontam dilemas universais: o pertencimento, o afeto que insiste em florescer entre o concreto, a diversidade que reivindica espaço e o inescapável peso das utopias coletivas. Há uma precisão estilística em sua linguagem, capaz de transitar da crueza urbana à solenidade poética sem perder a elegância.
São Paulo em Mim sobressai como um registro lírico das tensões paulistanas. Gobo captura a essência de uma comunidade que, imersa no ruído diário, busca no reencantamento da arte, da fé e da memória uma via de sobrevivência e constrói um relato sofisticado que transforma a experiência do território em um profundo exercício de autodescoberta e humanidade.
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