★★★ Crítica: Seis Atores em Busca de Sérgio Cardoso reconstrói ícone do teatro brasileiro

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
★★★
SEIS ATORES EM BUSCA DE SÉRGIO CARDOSO
Avaliação: Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Qui, sex, sáb, 20h, dom, 18h, no Itaú Cultural – Av. Paulista, 149
60 min. Livre. Até 26/7/2026
Retire seu ingresso grátis
O Brasil é país de memória curta. Se você perguntar a estudantes de teatro hoje quem foi Sérgio Cardoso, boa parte deles não saberá responder. Por isso, espetáculos que buscam construir a memória de nosso teatro são de extrema importância. A peça Seis Atores em Busca de Sérgio Cardoso, montada no marco do centenário de nascimento do genial ator Sérgio Cardoso (1925-1972), busca fazer justamente isso. A encenação de Rita Batata, que teve temporada de sucesso no próprio Teatro Sérgio Cardoso e foi destaque do Fringe no 34º Festival de Curitiba, faz curta temporada no Itaú Cultural, de 23 a 26 de juho, de quinta a sábado, 20h, e domingo, 18h, com entrada gratuita. A obra funciona como um espelho cênico de raras ressonâncias. Ao focar no ícone do teatro, com suas múltiplas facetas, inclusive problemáticas, a peça homenageia o ofício da atuação. Se Pirandello usou a busca por um autor para expor as frestas da condição humana, a dramaturgia de Batata convoca seis intérpretes, Bárbara Arakaki, Carlos de Niggro, Felipe Ramos, Lilian Regina, Mariana Leme e Rafael Pimenta, para executar uma biografia poética. O sexteto multiplica a figura de Cardoso como em um caleidoscópio, dividindo sua genialidade, suas assombrações (como ter feito um blackface na novela A Cabana do Pai Tomás) e seus papéis emblemáticos. Há um frescor quase artesanal no modo como o grupo equilibra o peso da memória com a leveza do jogo metateatral. Em tempos em que a imagem pública é consumida e descartada em fluxos digitais efêmeros, a peça lança uma ponte certeira com o presente: afinal, o que resta do indivíduo quando a cortina se fecha? A produção oferece uma reflexão vívida sobre a permanência da arte em um mundo obcecado pela instantaneidade e pela polêmica fugaz. Uma homenagem que honra o passado sem deixar de cutucar o futuro.
Dica do Arcanjo: Se você quiser conhecer mais detalhes da biografia de Sérgio Cardoso não deixe de ler o livro Sérgio Cardoso – Ser e Não Ser, escrito pelo pesquisador teatral Jamil Dias, e publicado pelas Edições Sesc.
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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