★★★★ Crítica: Las Choronas cria poesia tocante contra o caos do cotidiano

Las Choronas no CCBB-SP: delicadeza poética teatral em meio ao caos do cotidiano © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

★★★★
LAS CHORONAS
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado

Qui, sex, seg, 19h, sáb e dom, 18h, no CCBB SP (R. Álvares Penteado, 112, Sé)
60 min. 12 anos. Até 27/7/2026

R$ 30 e R$ 15 (meia). Compre seu ingresso!

O teatro, quando não abre mão de sua capacidade poética, toca nossas almas de forma profunda. Em Las Choronas, espetáculo do grupo mineiro Las Choronas Companheiras Teatrais, que faz últimas sessões que coroam temporada de sucesso no CCBB SP, após igual êxito em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, nos lembra que a perplexidade do mundo atual não se explica por duros discursos: ela se alastra em gestos, sombras e idiomas que escapam aos dicionários convencionais. Fruto da convergência entre os coletivos mineiros Pigmalião Escultura que Mexe, Cia 5 Cabeças e Mulher que Bufa, a montagem idealizada e dirigida por Byron O’Neill, nome inquieto e talentoso da cena mineira, recusa a cartilha da narrativa linear. Preferindo a lógica sinuosa dos sonhos, a cena flerta abertamente com o surrealismo de David Lynch e a melancolia existencial de Samuel Beckett. Estão no talentoso e versátil elenco os artistas Aurora Majnoni, Carol Oliveira, Eduardo Felix, Joyce Malta, Liz Schrickte, Uziel Ferreira e Tom Forato, cada qual com refinada poética própria. É impossível não perceber a influência do longevo Grupo Giramundo, lendário teatro de bonecos de Belo Horizonte criado por Álvaro Apocalypse, bem como também do Galpão, já que a peça surgiu no Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto. No palco, a fronteira entre a carne do ator e a madeira do voluntarioso boneco se dilui em um sutil jogo de manipulação mútua. Quem conduz quem? A indagação pode operar como refinada metáfora da nossa era, na qual fios invisíveis e algoritmos parecem orquestrar afetos e identidades. Esteticamente, o inventivo da obra também mora no modo como a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é parte intríseca da peça. Encarnada pelo bailarino e intérprete Uziel Ferreira, a Libras recusa o papel de mero tradutor e assume o protagonismo como espinha dorsal da encenação. Somada a um mosaico poliglota que entrelaça o italiano, o francês, o castellano e o português, a peça desafia o espectador a abandonar a busca por certezas e a experimentar o teatro através do corpo e dos sentidos. É preciso elogiar a ótima trilha, que inclui Janis Joplin, e a cuidadosa coordenação de produção de Luisa Rosa. Apoiada pela iluminação precisa de Marina Arthuzzi e Wellington Santos, a produção transforma o palco numa conversa de bar metafísica. Entre o choro e o riso, O’Neill entrega, em enxutos sessenta minutos, um inventivo gabinete de curiosidades humanas, mostrando que, mesmo quando a realidade desmorona, a arte ainda consegue traduzir o caos em pura beleza.

★★★★
LAS CHORONAS
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado

Qui, sex, seg, 19h, sáb e dom, 18h, no CCBB SP (R. Álvares Penteado, 112, Sé)
60 min. 12 anos. Até 27/7/2026

R$ 30 e R$ 15 (meia). Compre seu ingresso!

Las Choronas: Miguel Arcanjo mostra camarim exclusivo com os artistas mineiros no CCBB SP

Ficha técnica

Las Choronas:
Apresentação: Ministério da Cultura e Banco do Brasil Direção e dramaturgia: Byron O’Neill
Assistência de direção e direção de manipulação: Igor Godinho
Elenco: Aurora Majnoni, Carol Oliveira, Eduardo Felix, Joyce Malta, Liz Schrickte, Uziel Ferreira e Tom Forato
Intérprete de libras: Uziel Ferreira
Assistente em tradução de libras: Victor Daniel
Trilha sonora: Las Choronas
Edição musical: Rafael Nelvam
Trilha cuíca: Daniel Guedes
Captação, edição, mixagem trilha cuíca: Fillipe Glauss – Estúdio Nascente
Técnico de som: Vinicius Alves
Criação de luz: Marina Arthuzzi e Wellington Santos
Cenografia e figurinos: Eduardo Felix
Cabelo e maquiagem: Camila Polatscheck e Iara Drumond
Bonecos: Aurora Majnoni, Eduardo Felix, Mauro Carvalho e Tom Forato
Cenotécnico: Nilson Santos
Costureira: Elaine do Carmo, Endira Drumond e Irene Cavalieri
Coreografia: Uziel Ferreira, Guilherme Morais e Liz Schrickte
Operação de luz: Marina Arthuzzi e Wellington Santos
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Social Media: Flávia Moreira e Rodrigo Moreira
Arte gráfica: Liz Schrickte
Fotos: Guto Muniz, Tom Forato e Byron O’Neill
Coordenação de produção: Luisa Rosa
Produção: Carol Oliveira
Assistente de produção: Vina Amorim e San Marino
Gestão de Objeto: Cris Moreira
Gestão financeira: Graziane Monteiro
Contabilidade: Ambar Contabilidade
Realização: Governo do Brasil e Centro Cultural Banco do Brasil
Agradecimentos: Galpão Cine Horto, Márcio Miranda, Matheus Carvalho, Paula Ribas, Marlene Imaculada Cota, O’Neill Byron, Clarissa Amorim Hortélio, Gustavo Djalva, Márcio Gouvea, Carô Rennó, João Corgozinho, Iara, Lira e Lucca.

Las Choronas no CCBB-SP © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2026

Sinopse

Las Choronas é um espetáculo cênico contemporâneo que nasce da mistura improvável entre brincadeira e choro, em meio a uma conversa de bar. A obra articula teatro de bonecos, música, dança e Libras como elemento de cena. Com dramaturgia e direção de Byron O’Neill, o espetáculo reúne artistas dos coletivos mineiros Pigmalião Escultura que Mexe, Cia 5 Cabeças e Mulher que Bufa, além do intérprete de Libras Uziel Ferreira. A criação se desenvolve a partir de improvisações, partituras gestuais e fragmentos narrativos, estabelecendo relações entre corpo, objeto e linguagem. O resultado é uma narrativa que flerta com o surrealismo e o teatro do absurdo, explorando temas como silêncio, identidade, marginalidade e a busca por sentido em um mundo em colapso.

Las Choronas estreia sob fortes aplausos no CCBB-SP © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2026

Serviço

Las Choronas
Temporada: 26 de junho a 27 de julho de 2026 De quinta a segunda-feira
Quintas, sextas e segundas-feiras às 19h. 
Sábados, domingos e feriados às 18h.
Dia 11 de julho, sessão extra às 15h. 
A programação também inclui um bate-papo, após a apresentação no dia 20 de julho.
CCBB São Paulo – Teatro
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada), disponíveis em bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB São Paulo. Os ingressos são liberados na sexta-feira anterior de cada semana às 12h.
Estudantes, maiores de 65 anos, demais beneficiários de leis de acesso e usuários de cartões Banco do Brasil pagam meia-entrada.
Classificação Indicativa: 12 anos
Duração: 60 minutos
Acessibilidade: teatro acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – SP Funcionamento: Aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças Telefone: (11) 4297-0600
Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas – necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h.
Van: Ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. Das 12h às 21h.
Transporte público: O CCBB fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista.

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado

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