Lee Taylor faz solo documental MANIFESTO na Funarte SP

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
São Paulo corre apressada. Entre o tráfego intransigente e as fachadas de concreto do centro, a velocidade urbana abre espaço para uma proposta de desaceleração no solo MANIFESTO com o ator Lee Taylor.
A montagem constrói-se sobre a trajetória de Eduardo Marinho, o homem que abdicou dos privilégios da alta classe média para viver nas calçadas, escrevendo e subvertendo as noções vigentes de progresso e utilidade.
No entanto, o espetáculo rejeita a linearidade. Sob a concepção, dramaturgia e atuação de Lee Taylor, e com a direção de Georgette Fadel, a narrativa do artista de rua é convertida em um rito cênico denso, vertido para o espaço aberto e exposto às imponderabilidades da própria cidade.
A encenação articula-se na interseção entre o teatro documental e a performance de rua. Taylor, pesquisador da USP e ator forjado por Antunes Filho em seu Centro de Pesquisa Teatral, busca trazer à cena uma presença física depurada de maneirismos.
As inquietações do personagem sobre acumulação material, desigualdade estrutural e as ilusões da liberdade burguesa deixam de ser um mero relato autobiográfico para se transformarem em sutis provocações.
O espaço aberto da Funarte vira uma extensão do argumento central do texto. A trilha sonora original é assinada por Seu Jorge e Pedro Semeghini.
Em uma cidade habituada ao consumo de ilusões, a produção do Núcleo de Artes Cênicas – NAC propõe uma pausa austera: um convite ao pensamento crítico e à escuta em meio ao caos da metrópole.
FICHA TÉCNICA
Realização e produção: Núcleo de Artes Cênicas (NAC)
Idealização, concepção, dramaturgia, codireção e atuação: Lee Taylor
Direção: Georgette Fadel
Assistente de direção: Laís Marques
Colaboradores dramatúrgicos: Luiz Claudio Cândido e Gustavo Cruz
Trilha sonora original: Seu Jorge e Pedro Semeghini
Direção de arte: Valdy Lopes
Cenografia: Lee Taylor e Valdy Lopes
Desenho de luz: Lee Taylor e Aline Sayuri
Figurino e adereços: Jocasta Germano
Caracterização: Zé Lucas
Diretor de palco: Federico Torres
Assistente de palco e de cenografia: Dandara Terra e Jocasta Germano
Provocador cênico: Luiz Claudio Cândido
Direção vocal: Lucia Helena Gayotto
Preparação corporal: Rita Camargo
Equipe audiovisual: Gustavo Cruz e Gabriel Rezende
Fotos: Marcelo Villas Boas
Identidade visual: Pedro Maciel
Direção de produção: Vandressa Moço
Assistente de produção: Clara Gregori
Coordenação das redes sociais: Leonardo Alcantara
Assessoria de comunicação: NTZ Comunicação e Marketing
Apoio: Apfel Nutrisom, Fascynius, Toshiro Sushi, Virgulino Restaurante Nordestino, Funarte
SERVIÇO
Espetáculo: MANIFESTO.
Gênero: solo documental.
Classificação indicativa: 14 anos.
Duração: 90 minutos.
Temporada: de 23 de julho a 30 de agosto de 2026. Não haverá apresentação em 26 de
julho (domingo).
Dias e horários: quintas a sábados, às 19h30, e domingos, às 19h00
Local: Complexo Cultural Funarte – Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos. Próximo à
estação Santa Cecília do Metrô.
Ingressos: entrada gratuita, com retirada na bilheteria da Funarte a partir de 1 hora antes de
cada sessão. Limite de 1 ingresso por pessoa, sujeito à lotação.
Capacidade: 108 lugares.
Sessões com bate-papo após o espetáculo:
1º, 2, 8, 9, 16, 23 e 30 de agosto.
Duração aproximada: até 30 minutos.
Sessões com intérprete de Libras:
24 e 30 de julho; 6, 13, 14, 20, 21 e 27 de agosto.
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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