FIT Rio Preto celebra volta da parceria entre Prefeitura de Rio Preto e Sesc São Paulo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial a São José do Rio Preto a convite do FIT Rio Preto
A edição de 2026 do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (FIT Rio Preto) marca a volta da parceria entre a Prefeitura de Rio Preto e o Sesc São Paulo, o que torna o evento mais robusto e com maior alcance. O festival começou no último dia 16 de julho e vai até o próximo dia 25 de julho com mais de 30 espetáculos de todas as regiões do Brasil e também produções internacionais, o que tornam o FIT Rio Preto o maior festival de teatro do interior do Brasil. Representantes das duas instituições conversaram com o Blog do Arcanjo sobre a retomada da parceria.
Para o Sesc São Paulo, que conta com a unidade Sesc Rio Preto na cidade, a trajetória histórica do FIT funciona como um facilitador diante dos complexos desafios logísticos e artísticos que envolvem a organização de um festival de grande porte.
“Sempre haverá desafios para fazer um festival de teatro ou qualquer ação desse tipo”, pondera Luiz Galina, diretor regional do Sesc São Paulo. “Mas me parece que a longevidade é um fator que diminui os desafios. Ela aumenta a potencialidade. O festival longevo se torna legado, se torna patrimônio, se torna, eventualmente, uma política pública. E isso potencializa as soluções.”
Galina ressaltou que a perenidade do festival em Rio Preto está umbilicalmente ligada a dois pilares: a constância do investimento municipal e o engajamento da população.
“Essa condição de longevidade decorre, primeiro, pela presença do poder público, do gestor público. Isso é uma condição essencial. E aqui tem essa tradição de a Prefeitura Municipal se envolver, dar apoio. Sem isso, seria difícil”, pontuou o diretor, acrescentando: “O segundo fator importante é que a cidade cobra. O festival nasceu porque havia um público interessado, porque havia grupos de artistas interessados.”
O secretário de Cultura de São José do Rio Preto, Erick Soares, corroborou a visão de que o suporte da municipalidade é indispensável, destacando o contraste positivo em relação a edições anteriores que operaram sob restrições orçamentárias.
“O ano passado a gente fez o FIT numa proporção bem menor do que a que a gente tinha, porque as condições eram daquele momento, a gente não tinha a parceria do Sesc.”, pontuou o secretário, celebrando a volta da parceria. Ele comemorou a retomada da magnitude do evento através do esforço conjunto. “Este ano o FIT toma uma proporção gigante novamente. O poder público tem interesse, a vontade, tem o aporte, mas a situação de ter um parceiro ajuda muito. O FIT vem nessa questão do coletivo. A realização do festival também vem nessa mesma proposta”, falou Soares.
A gerência do Sesc Rio Preto enfatizou que as ações deste ano buscam ir muito além da exibição de espetáculos, priorizando a inclusão social, a acessibilidade e a diversidade como elementos centrais da curadoria. “Um ponto que desde o início foi muito importante para o Sesc”, explicou Thiago Freire, gerente do Sesc Rio Preto. “Havia também um desejo e uma preocupação da Prefeitura em tornar o festival bastante acessível, tão acessível quanto fosse possível. A gente acabou conseguindo fazer com que toda a programação, pelo menos uma sessão de cada trabalho, conte com algum recurso de acessibilidade.”
Freire destacou que a inclusão também se reflete no palco, garantindo “o protagonismo e a garantia de que a diversidade de condições, de corpos, de cores, de tudo, esteja representada de uma forma equilibrada.” Ele citou como exemplo o impacto de espetáculos encenados integralmente em Libras, promovendo um “deslocamento importante” para os ouvintes e expandindo as perspectivas do público.
Luiz Galina reforçou que, para o Sesc, a acessibilidade é um valor fundamental que orienta toda a arquitetura e programação da instituição: “Nós não podemos esquecer de ninguém. Todas as pessoas têm que ter o direito de ter acesso aos bens culturais”, lembrou o diretor do Sesc São Paulo.
Embora os dados consolidados da movimentação financeira e turística da edição de 2026 estejam programados para divulgação oficial após o fim do evento, as expectativas da organização são altamente promissoras para setores como hotelaria, restaurantes e transporte por aplicativos rio-pretenses.
Erick Soares ressaltou que a classe artística local desempenha papel crucial nessa engrenagem, com dez companhias de Rio Preto integrando a programação oficial. “São companhias que já têm uma tradição, de 30 ou 40 anos, e companhias novas participando e recebendo grandes grupos, como o Grupo Galpão, de Minas Gerais”.
Para Thiago Freire, o festival atua como um catalisador econômico e profissional de longo alcance, transformando-se em um espaço de intercâmbio corporativo e artístico.
“Há estudos e estimativas que apontam que algo entre R$ 2,00 e R$ 7,00 retornam ao investidor para cada real circulado”, revelou Freire. “É toda uma rede que certamente produzirá um impacto notável na cidade. O festival também é um evento no qual se faz negócios na área da cultura. As pessoas se conhecem, trocam ideias, os produtores e artistas estabelecem contatos.”
Com uma expectativa de público estimada em cerca de 30 mil pessoas, o FIT Rio Preto 2026 reafirma que “a descentralização cultural e a valorização do teatro no interior são vetores indispensáveis para o desenvolvimento humano e socioeconômico da região”, como bem pontuou Galina. Tanto o Sesc São Paulo quanto a Prefeitura de Rio Preto manifestaram interesse de que a parceria permaneça pelas próximas edições. Que assim seja.
Veja a cobertura do FIT Rio Preto por Miguel Arcanjo!
Miguel Arcanjo mostra quem esteve no encontro com a imprensa do FIT Rio Preto 2026 no Sesc Rio Preto












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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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