Olhar de Cinema consolida importância de Curitiba no audiovisual em sua 15ª edição

15º Olhar de Cinema em Curitiba © Walter Thoms Divulgação Blog do Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Enviado especial a Curitiba

A realização de um festival de cinema ultrapassa a mera exibição de filmes e ganha força quando realmente ocupa o espaço público e promove um diálogo artístico e social concreto. Ao atingir a marca de uma década e meia de existência, o 15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba demonstrou o alcance não só de uma estabilidade operacional e curatorial como também do reconhecimento de quem faz e pensa o audiovisual brasileiro e mundial. Esse movimento firma o Olhar de Cinema como um dos mais importantes eventos do audiovisual no Brasil e na América Latina, consolidando a importância de Curitiba no setor.

O eixo curatorial investiu no amadurecimento como conceito, presente na identidade visual, desenvolvida pelo artista Rafael Silveira, sob o conceito de transição para a vida adulta e que espelhou o momento do próprio festival. Com uma competente equipe e uma estrutura logística intensa, sob liderança do idealizador e diretor geral Antonio Gonçalves Junior, o festival contou com exibições na Ópera de Arame, no Cine Passeio, na Cinemateca de Curitiba, no Teatro da Vila e no Auditório Poty Lazzarotto do Museu Oscar Niemeyer, o que valoriza o cinema na capital do Paraná.

Com mais de 80 filmes, a abertura foi na icônica Ópera de Arame com a projeção de Yellow Cake, longa-metragem dirigido por Tiago Melo e protagonizado por Rejane Farias e Tânia Maria, atriz que ganhou o estrelato com o filme indicado ao Oscar O Agente Secreto, ambas presentes na exibição.

Na Mostra Competitiva Brasileira, o diálogo entre as diferentes regiões do país se efetivou com a vitória como Melhor Filme do road movie cearense Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques, que também levou Melhor Atuação para Luciana Souza e Verônica Cavalcanti, ambas excelentes no longa. O filme deu a tônica do que a curadoria propôs nesta edição: cinema contemporâneo feito fora do eixo tradicional de produção, trazendo para o debate questões de identidade, memória individual e as marcas das transformações sobre o sujeito.

O Olhar de Cinema propôs uma descentralização geográfica dentro de Curitiba. Ao levar a Mostra Pequenos Olhares, dedicada ao público infantil, para o Teatro da Vila, na Cidade Industrial de Curitiba, com sessões gratuitas, foi dado um importante passso para expandir o cinema para além do centro da cidade e investir em formação de plateias do futuro.

É preciso lembrar também que o evento não deixou de dar o protagonismo ao mais importante espaço para o cinema autoral em Curitiba, o Cine Passeio, que concentrou as coletivas de imprensa diárias e a Mostra Olhares Clássicos, que exibiu obras restauradas de diretores consagrados, além de exibições das mostras competitivas brasileira e internacional.

Viabilizado por meio de mecanismos de fomento federal, estadual e municipal, além de patrocínios privados, o 15º Olhar de Cinema demonstrou seu amadurecimento e caminho rumo à longevidade nesta edição. Com sua recusa ao cinema puramente comercial e aposta em propostas que desafiam a passividade do espectador, o evento estimula o pensamento audiovisual, ajudando na construção de novos repertórios para o público, realizadores e profissionais do setor. Sua forte repercussão na imprensa especializada é prova disso.

O balanço desta 15ª edição aponta para um festival que compreendeu seu tamanho e sua função. Sem abrir mão do diálogo com o mercado e a indústria, com a realização da segunda edição do MECI – Mercado do Cinema Independente, o Olhar de Cinema não se atém aos números. Ao promover o encontro entre cineastas estreantes e nomes estabelecidos do cinema brasileiro e mundial, criando uma teia criativa em ebulição, o evento transforma Curitiba em um território de investigação sobre as infinitas possibilidades que se abrem para o nosso audiovisual.

O jornalista Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Olhar de Cinema.

Vencedores do 15° Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba

Mostra Competitiva Brasileira
Melhor Filme (Prêmio Olhar): “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha” (Dir. Janaína Marques)
Melhor Direção: Rafhael Barbosa (“Olhe Para Mim”)
Melhor Atuação (Elenco): “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”
Melhor Roteiro: Pedro Diógenes (“Adulto/Homem”)
Melhor Fotografia: João Dumans (“A Noite e os Dias de Miguel Burnier”)
Melhor Montagem: Affonso Uchoa (“A Noite e os Dias de Miguel Burnier”)
Melhor Som: Lucas Coelho (“Olhe Para Mim”)
Melhor Direção de Arte: Nina Magalhães (“Olhe Para Mim”)
Melhor Filme – Curta-metragem (Prêmio Olhar): “Pirexia” (Dir. Nico da Costa)
Prêmio Especial do Júri (Curta-metragem): “Pinguim de Doce de Leite” (Dir. Ana Vitória Miotto Tahan)
Prêmio do Público (Curta-metragem): “Duwid Tuminkiz – Makunaima é Duwid?” (Dir. Gustavo Caboco Wapichana)

Mostra Competitiva Internacional
Melhor Filme (Prêmio Olhar): “Um Calendário Incompleto” (Dir. Sanaz Sohrabi)
Prêmio Especial do Júri: “Bouchra” (Dir. Orian Barki e Meriem Bennani)
Melhor Curta-metragem Internacional: “Dragão” (Dir. Yashira Jordán)
Prêmio do Público (Longa-metragem): “Se Pombos Virassem Ouro” (Dir. Pepa Lubojacki)

Mostra Novos Olhares
Melhor Filme (Prêmio Olhar): “Como Todo Mortal” (Dir. Maria Molina Peiro)

Prêmios Especiais e de Parceiros
Prêmio Abraccine de Melhor Longa-Metragem Brasileiro: “Reparação” (Dir. Marcus Curvelo)
Menção Honrosa Abraccine: “Reparação” (Dir. Marcus Curvelo)
Prêmio AVEC-PR – Lu Rufalco (Mostra Mirada Paranaense): “Tornar-se Ciborgue no Interior” (Dir. Louisa Sauvignon)
Prêmio Itaú Cultural Play (Mostra Mirada Paranaense): “Estrelas Terrestres” (Dir. Rafael Neri M. Ferreira)
Prêmio Cardume de Curtas (Mostra Competitiva Brasileira): “Marimbã Está Acontecendo” (Dir. Maryn Marynho)
Prêmio Canal Brasil de Curtas: “O Segredo Sagrado” (Dir. Everlane Moraes)

Blog do Arcanjo mostra imagens do 15º Olhar de Cinema Festival Internacional de Curitiba

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado

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