Por trás do Pano – Rapidinhas Teatrais RJ por Claudia Chaves

Por CLAUDIA CHAVES
Especial para Miguel Arcanjo
Do Rio de Janeiro
Túnel do tempo
O Cabaré do Glaucio virou, sem exagero, o assunto mais bacana da cena teatral carioca. Foram dez espetáculos — sim, dez — ocupando um espaço que nasceu para o prazer do cabaré. Rafael Cardoso, o diretor do Teatro Glaucio Gil, transformou em palco, mesas, bar , tudo estruturado para a manifestação carioquérrima do cabaré. A estréia de 2026 chegou com charme histórico, mergulhando no clima irresistível dos anos 1930 e 1940. “Sarjeta” bebe direto da fonte do Cassino da Urca — e brinda com estilo. Tem memória, tem ousadia e tem aquele perfume de pecado elegante no ar. Copacabana agradece — e a plateia também.
O Cabaré do Glaucio já engata a próxima parada — e ela vem sem porteira mesmo. Cabaré sem porteira, sob direção do super criativo Cesar Augusto, atravessa o sertão misturando raiz e pop numa viagem que não pede licença. No caminho, surgem figuras irresistíveis: Stella Miranda e Katia Bronstein retomam Xicotinho e Salto Alto. Com aquele humor afiado e adora. Josie Antelo entra com sua verve certeira, garantindo que ninguém fique sério por muito tempo. No palco, dez atores, banda ao vivo e uma energia de estrada que contagia. É poeira, música e gargalhada — tudo junto e muito bem misturado.
Clássica
Carmina Burana volta ao Theatro Municipal em formato de ópera-balé, misturando linguagens com a mesma intensidade com que mistura destinos. A encenação de Bruno Fernandes e Mateus Dutra aposta em contrastes — e acerta em cheio ao tensionar tradição e contemporaneidade. No fosso, Victor Hugo Toro conduz tudo com pulso firme, porque quando a roda da fortuna gira, não dá pra vacilar. É grandioso, é dramático e, convenhamos, é sempre irresistível. As apresentações acontecem de 8 a 12 de abril.
Cicatrizando feridas
O premiado Luiz Antonio Pilar volta à cena com Os Irmãos Timótheo da Costa, resgata, mais uma vez, heróis do nosso panteão de ancestralidades, com a delicadeza de iluminar o que foi injustamente apagado. A montagem é contemporânea, pulsante, e brinca com imagens projetadas que invadem até os belíssimos figurinos de Rute Alves. Com dramaturgia de Claudia Valli e direção musical de Muato, o espetáculo costura arte, memória e ferida aberta. É bonito, é potente — e necessário. Porque há histórias que não aceitam mais ficar em silêncio.
Atitude de sobra
Eu vim de lá pequeninha e comi pelas beiradas. Assim se apresenta Maldita, destaque do 20º Prêmio APTR, que volta em 2026 ao cartaz de 3 a 12 de abril, no Ziembinski . Nascido na Escola Popular de Teatro da Baixada, do Instituto Cultural Cerne — indicado ao Shell por sua atuação contínua em São João de Meriti — o espetáculo carrega origem, identidade e atitude. Para contar as histórias de Édipo e de Antígona, reúne uma a rara trupe. São 21 artistas da periferia que sabem fazer releitura irreverente, atravessada por ironia, cultura pop e muito brilho drag. Tem paródia, tem música, troca de figurino. E muito, mas muito talento.

*CLAUDIA CHAVES escreve sobre a cultura e o teatro do Rio de Janeiro (e ocasionalmente de outros lugares) para Miguel Arcanjo. Carioca da gema, é doutora em Letras pela PUC-Rio, jornalista, publicitária, professora universitária de Comunicação, doutora em Literatura, bacharel em Direito, curadora, gestora cultural e de marcas. Atua como crítica de teatro e colunista cultural em veículos como Veja Rio, Lu Lacerda, Miguel Arcanjo, Jornal do Brasil, Correio da Manhã e Diário do Rio. Siga @claudiachavesdosaber e também leia as colunas de Claudia Chaves.
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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