★★★★★ Crítica: A Máquina exala vigor telúrico e é ovacionada no Festival de Curitiba

A Máquina no 34º Festival de Curitiba © Humberto Araujo Divulgação para Miguel Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial ao Festival de Curitiba

★★★★★
A MÁQUINA
Avaliação: Excelente

Crítica por Miguel Arcanjo Prado

Há um quarto de século, o Festival de Curitiba serviu de berço para A Máquina, uma obra que, sem saber, costurava o futuro do teatro, da TV e do cinema nacional. Em 2000, cinco jovens atores, Wagner Moura, Lázaro Ramos, Vladimir Brichta, Gustavo Falcão e Karina Falcão, apresentaram uma história de amor sitiada pelo medo da partida. Agora, em 2026, A Máquina ressurge na icônica Ópera de Arame, que foi criada por Jaime Lerner para o primeiro Festival de Curitiba, provando que clássicos não envelhecem; simplesmente trocam de pele. A nova montagem, sob direção do mesmo João Falcão, evita a armadilha da pura nostalgia e atualiza o olhar no presente. Ao optar pelo quarteto Alexandre Ammano, Bruno Rocha, Marcos Oli e Vitor Britto, do talentoso Coletivo Ocutá, que venceu o Prêmio Arcanjo com O Avesso da Pele, e pela presença magnética de Agnes Brichta, a peça é um teatro vigoroso, impactante e cheio de afeto. Esteticamente, a obra mantém seu lirismo resplandecente. A narrativa de Antônio, que constrói uma engenhoca para deter o movimento do mundo e manter sua amada Karina em Nordestina, serve como uma metáfora fulminante para nossas ansiedades. Nesta era veloz, seria preciso mecanismos que pausem a obsolescência das relações. A trilha de DJ Dolores assegura o pulso rítmico. O elenco jovem e competente injeta uma energia telúrica, transformando a peça em um manifesto sobre o direito de sonhar em meio à rigidez do cotidiano. A Máquina é um radar que detecta nossos desejos de pertencimento e permanência em um mundo cada vez mais mutante. O engenho de Antonio nos lembra que, embora a Terra gire tal qual a cenografia da peça, a arte é o único parafuso capaz de prender, ainda que por breves setenta minutos, a eternidade do palco. Pelo menos por mais 25 anos.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Festival de Curitiba.

Miguel Arcanjo mostra imagens de A Máquina no 34º Festival de Curitiba em fotos de Humberto Araujo

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado

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