★★★★★ Crítica: O Motociclista no Globo da Morte comove Festival de Curitiba com atuação sofisticada de Eduardo Moscovis

Eduardo Moscovis em O Motociclista no Globo da Morte no 34º Festival de Curitiba © Annelize Tozetto Divulgação para Miguel Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial ao Festival de Curitiba

★★★★★
O MOTOCICLISTA NO GLOBO DA MORTE
Avaliação: Excelente
Crítica por Miguel Arcanjo Prado

Com atuação sofisticada, o ator Eduardo Moscovis comoveu o 34º Festival de Curitiba em quatro esgotadas sessões de seu aclamado solo, O Motocilista no Globo da Morte, no belo e histórico Teatro Paiol, neste fim de semana. Na peça, Eduardo Moscovis é Antônio, um matemático regido pela precisão dos números e pela fuga do conflito. A bem escrita dramaturgia do solo é de Leonardo Netto, que constrói um texto cirúrgico e desprovido de gorduras ao criar um experimento sociológico de alta voltagem para investigar a pergunta: o que desperta a violência em um homem pacato? A narrativa precisa de 60 minutos tem na palavra sua força centrípeta, evocando tanto o cotidiano banal quanto imagens brutais, no vácuo do cenário despido, na estética minimalista e audaciosa do diretor Rodrigo Portella, um dos mais talentosos da atualidade, também diretor do igualmente excelente (Um) Ensaio sobre a Cegueira do Grupo Galpão, outro destaque inconteste deste Festival de Curitiba. Com assistência de Milla Ferraz, Portella aposta na economia de gestos para sustentar a tensão. O que se vê é o desnudamento de um homem que descobre, com horror, que a barbárie não é um fenômeno externo, mas, sim, uma semente latente sob sua própria pele. E há, obviamente, o mais importante do teatro: um ator repleto de talento e capaz de entender todas as sutilezas que o texto e a direção propõem. Eduardo Moscovis atua com a precisão de um grande intérprete, firmando-se entre os melhores atores de sua geração. A obra ainda tem trilha de André Muato, iluminação propositiva e às vezes até mesmo incômoda de Ana Luzia de Simoni, figurino de Gabriella Marra, sutil direção de movimento de Tony Rodrigues e efeitos visuais de Zezinho Mancini, além da produção executiva de Marcela Castilho e direção de produção de Silvio Batistella Sérgio Saboya, produtor ao lado de Moscovis. Excelente, O Motociclista no Globo da Morte é um dos melhores solos do ano.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Festival de Curitiba.

Miguel Arcanjo mostra fotos de O Motocilista no Globo da Morte no 34º Festival de Curitiba pelo olhar da fotógrafa Annelize Tozetto

Siga @miguel.arcanjo

APOIE o jornalismo!
Fazer jornalismo cultural de qualidade é nossa missão e seu apoio é muito importante! Você pode contribuir em nossa chave pix: [email protected]
Compartilhe nossas matérias e interaja em nossas redes sociais.
O jornalismo cultural independente agradece!

Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
© Blog do Arcanjo por Miguel Arcanjo Prado 2026 | Todos os direitos reservados.

Editado por Miguel Arcanjo Prado

Avaliações críticas:
★ Fraco
★★ Regular
★★★ Bom
★★★★ Muito Bom
★★★★★ Excelente

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *