★★★★★ Crítica: Tim Maia – Vale Tudo, O Musical arrebata Guairão no Festival de Curitiba

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial ao Festival de Curitiba
★★★★★
TIM MAIA – VALE TUDO, O MUSICAL
Avaliação: Excelente
“Vou morrer de saudade, não, não vá embora”, implorava o público de mais de 2.000 pessoas do Teatro Guaíra, o Guairão, no 34º Festival de Curitiba ao fim das duas consagradoras sessões de Tim Maia – Vale Tudo, O Musical, após testemunhar Tim Maia ressureco no corpo e na grande voz do ator Thór Junior. Não à toa, o protagonista foi acertadamente eleito para o papel entre mais de 1.500 inscritos. Na plateia, o filho do cantor, Carmelo Maia, também produtor da superprodução ao lado da curitibana Adrianal Del Claro, chorava copiosamente. “O Guairão reproduziu fidedignamente o que era um show do meu pai”, disse, emocionado. Adriana Del Claro, por sua vez, se emocionava em voltar à sua terra natal, no maior festival das artes cênicas na América Latina, com uma superprodução sob seu comando. “Saí de Curitiba há 22 anos rumo a São Paulo com o sonho de fazer e viver de arte. Estudei muito, construí minha carreira degrau por degrau. Voltar a Curitiba, sendo um instrumento para tantos talentos, é mais que especial”, definiu, tomada de forte emoção. Assistir ao musical foi uma verdadeira apoteose de sentimentos e de reencontro com o dono da maior voz masculina que já existiu na música popular brasileira, que também foi um de seus compositores mais lendários, que conseguia falar diretamente ao coração do povo. E assim se repetiu no Guairão com o talentoso elenco em cima do palco, do qual não queria mais sair, em êxtase, ao fim do espetáculo. Exatos 28 anos após sua morte, Sebastião Rodrigues Maia reafirma, com este espetáculo, seu merecido lugar no panteão da cultura nacional. A montagem renovada é diferente daquela da que revelou Tiago Abravanel entre 2011-2013. Agora sob direção enérgica de Pedro Brício e calcado no texto espirituoso de Nelson Motta, advindo da ótima biografia que escreveu sobre seu grande amigo Tim, o espetáculo nos relembra o óbvio: a originalidade de Tim Maia sempre esteve em sua recusa em se aprisionar em molduras estreitas, com seu pendor à liberdade e à sinceridade. É preciso dizer que o espetáculo brilha em seu visagismo e nos 141 figurinos que funcionam como uma ampulheta do tempo, capturando a metamorfose do jovem da Tijuca, passando pela espiritual fase Racional e chegando ao artista que dominou com leveza as paradas de sucesso. Os 12 músicos que recriam a famosa Vitória Régia, banda que acompanhava Tim, seguram a onda com o melhor da música produzida pelo artista. Esta bateu fundo no coração dos curitibanos, que cantaram junto hits como “Azul da Cor do Mar”e “Não Quero Dinheiro”. O musical não é apenas uma biografia; é um lembrete necessário de que a cultura brasileira, em sua melhor forma, se sobressai quando é autêntica. Tim continua sendo o síndico de um edifício chamado Brasil, onde a festa, felizmente, ainda não tem hora para acabar. Foi lindo demais matar a saudade em duas noites históricas.
Nota do crítico: os cariocas ainda têm a chance de ver Tim Maia – Vale Tudo, O Musical até dia 12 de abril no Teatro Casa Grande. Depois, a superprodução segue para Niterói, RJ, cidade onde Tim fez seu último show, com sessões de 16 a 19 de abril.
Miguel Arcanjo mostra imagens de Tim Maia – Vale Tudo, O Musical no 34º Festival de Curitiba pelo olhar da fotógrafa Lina Sumizono



*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Festival de Curitiba.










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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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