Magia Negra celebra negritude com homenagem a Marku Ribas no Carnaval de BH

Por RUNAN BRAZ
Especial para Miguel Arcanjo
De Belo Horizonte
Foi em uma quarta-feira, mais especificamente na Quarta-Feira de Cinzas 18 de fevereiro de 2026, que o axé tomou conta das ruas de Belo Horizonte. Uai! Parecia uma imersão na reconexão com raízes culturais, como na letra “Banho de Folhas”, da baiana Luedji Luna.
Sentíamos uma energia pulsante. Era o Bloco Magia Negra, espalhando os sons dos tambores, do canto e do pertencimento em uma tarde quente e contagiante. Quem passava pelas ladeiras úmidas sentia a força coletiva. Quem ouvia seguia no embalo de xequerês, gongos e bumbos.
Ora a garoa fina se fundia com o banho de folhas benzedeiro das sambadeiras, trazendo proteção e cura. E assim, o mineirin foi sendo levado pelo ritmo da percussão, repleta de espiritualidade.
Aquilo tudo e muito mais era festa e celebração na Concórdia, bairro que é a Pequena África de BH — território de memória, resistência e celebração da cultura negra na capital mineira.
A cada esquina o som dos tambores trazia acolhimento e alegria a foliões e moradores. A vizinhança assistia das janelas, as crianças dançavam ijexás nas calçadas e os mais velhos sorriam com aquele ar de quem sabe que tradição não se explica: se vive.
Simplesmente é o espetáculo a reafirmação da identidade deste solo afro-mineiro.

Homenagem a Marku Ribas
Ali, entre banho de pipoca que renovava as energias, histórias de orixás e banhos de folhas, Marco Antônio Ribas (1947-2013), o Marku Ribas, era presença desta ancestralidade.
Em 2026, o cortejo do Magia Negra, bloco criado em 2013 para levar consciencia racial e exaltar a cultura negra, trouxe uma homenagem especial ao multiartista mineiro Marku Ribas, que tem como marca o talento e inovação musical a fusão da música negra das Américas como o samba e ritmos latinos, como merengue e salsa, além do jazz americano.
Lira Ribas, filha de Marku, recebeu a homenagem com emoção e reconhecimento da relevante trajetória político e cultural diante do público, na Praça Gabriel Passos.
“Ele valorizava muito a cultura afro-mineira. Então, hoje ele é muito importante para quem está aqui como referência dessa música ancestral exatamente por isso: porque ele não era só um homem preto que tinha essa ancestralidade, como ele tinha orgulho de valorizar, falar e levar isso para a obra dele”, afirmou Lira.
Lira tem levado o legado do pai como espécie de porta-bandeira de sua genial obra. Nos palcos, Lira dirigiu o espetáculo Marku Musical, uma autobiografia apresentada no CCBB de SP, em 2025, com sucesso de público e crítica que lhe rendeu indicação ao Prêmio Arcanjo de Melhor Musical Brasileiro.
Além de sua carreira musical, que inclui composições gravadas por artistas do gabarito de Elza Soares, Alcione e Paula Lima, Marku Ribas teve uma significativa atuação como ator, interpretando Carlos Marighella no filme “Batismo de Sangue” (2007) e participando de longas como “Chega de Saudade” (2008) e “Lula, o Filho do Brasil” (2009).
A lembrança do legado de Marku Ribas pelo Magia Negra não poderia ser mais simbólica. Já que o o bloco carrega no nome a força ancestral que move corpos e histórias, assim como Marku transmitiu para a arte a ousadia de inovar e construir sua diáspora sonora.

*RUNAN BRAZ é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e escreve mensalmente, como colunista convidado, no Blog do Arcanjo, sobre suas descobertas culturais e gastronômicas pela cidade de São Paulo, onde nasceu e vive. Siga @runan.braz
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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