Ana Lúcia Torre faz Olhos nos Olhos no Tucarena: ‘Contadora da minha própria história’

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Entrando em suas últimas apresentações no Tucarena, o espetáculo solo Olhos Nos Olhos, protagonizado pela consagrada atriz Ana Lúcia Torre, encerra sua temporada paulistana no dia 2 de agosto. As sessões derradeiras acontecem às sextas-feiras e sábados, às 21h, e aos domingos, às 18h, com ingressos a R$ 150 (inteira) e R$ 75 (meia-entrada), além de valor especial de R$ 20 para estudantes, professores e funcionários da PUC-SP (compre seu ingresso). A montagem marca a celebração dos 80 anos de vida e 60 anos de carreira da artista, promovendo um regresso simbólico ao mesmo espaço universitário em que deu seus primeiros passos teatrais na década de 1960.
Com idealização da Morente Forte Produções Teatrais, de Célia Forte e Selma Morente, e dramaturgia e direção de Sergio Módena, a peça propõe um diálogo intimista entre as vivências da atriz e as composições poéticas de Chico Buarque de Holanda, seu antigo colega nos tempos do grupo de teatro amador da PUC.
Acompanhada ao vivo pelo pianista Diógenes Junior, Ana Lúcia declama as letras icônicas do compositor, como Atrás da Porta, Cálice, Beatriz, Geni e o Zepelim e Meu Guri, revelando novas nuances dramáticas sobre temas como afeto, resistência política, maternidade e a passagem do tempo.

“Sempre me fascinou o contador de história. Ouvir é um ato de aprendizagem, uma inquietação do espírito, uma escuta que traz curiosidade. E assim, de repente, me vejo na posição de contadora da minha própria história”, declara Ana Lúcia Torre.
O espetáculo resgata passagens de sua formação acadêmica, a experiência de ter vivido no exterior e o reencontro com os palcos brasileiros. “Eu só me dei conta desses números [80 anos de idade e seis décadas de palco] quando comecei a falar sobre isso. A gente não sente no dia a dia, você vai indo, vivendo e se sentindo bem. Eu estou aí e os meus anos estão aqui comigo”, reflete a atriz em conversa com o jornalista Miguel Arcanjo Prado.
A montagem celebra também os 40 anos de atuação contínua das produtoras Célia Forte e Selma Morente, vencedoras do Prêmio Arcanjo de Cultura em 2025. Para a atriz, a essência do teatro reside na coletividade e no respeito pelo fazer artístico. “Para eu subir no palco, pelo menos 20 pessoas trabalharam para eu chegar ali. O teatro é o espaço onde mais existe igualdade. Eu acho que cada pessoa tem uma forma de se expressar dentro da sociedade na qual está inserida, e o meu caminho sempre se deu na atuação”, destaca.
Indicada ao Prêmio APCA de Melhor Atriz em 2025 por este trabalho, Ana Lúcia Torre convida o público a compartilhar essas últimas sessões no Tucarena. Trata-se de uma oportunidade única para vivenciar um encontro direto e afetuoso com uma das maiores atrizes do Brasil, em uma produção emotiva que entrelaça memória pessoal e a história do país.

Olhos nos Olhos
Ana Lúcia Torre e letras de Chico Buarque
TUCARENA Rua Bartira, 347 – Perdizes, São Paulo – SP
Temporada: de 05 de junho a 02 de agosto de 2026
Sessões: sexta e sábados, às 21h. Domingos, às 18h
Ingressos: Entre R$ 75,00 e R$ 150,00 – Os alunos, professores e funcionários da PUC-SP pagarão R$ 20,00, a título de ingresso promocional, mediante comprovação, e respeitando o limite de 10% da totalidade dos ingressos e da capacidade do teatro.
Link de vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/119416/d/389334/s/2573880
Bilheteria: Atendimento presencial de terça a sábado das 14h às 20h. Domingo das 14h às 17h.
Duração: 75 minutos
Gênero: Drama
Classificação: 12 anos
Capacidade: 288 lugares
O tempo de tolerância para entrada é de 5 minutos, porém nos assentos que estiverem disponíveis no momento. Após esse tempo, não haverá troca do ingresso e/ou reembolso dos valores pagos.
Miguel Arcanjo mostra camarim exclusivo de Olhos nos Olhos com Ana Lúcia Torre








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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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