Olhar de Cinema cria ponte entre passado e presente na Mostra Exibições Especiais

Anistia 79 fala sobre o fim da ditadura militar no Brasil – Foto: Divulgação Blog do Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Enviado especial a Curitiba

O passado é logo ali, dentro de uma sala de cinema. Em sua 15ª edição, o Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba aposta no diálogo com a história na Mostra Exibições Especiais, espaço dedicado a obras inéditas no Brasil dirigidas por grandes nomes do cinema mundial, assim como filmes brasileiros incontornáveis da última temporada que estrearam em outros eventos, mas chegam em Curitiba direto para o festival.

Um dos grandes pontos de contato da mostra acontece no diálogo direto entre “Anistia 79”  (Dir. Anita Leandro | Brasil | 2026 | 105’), “Barbara Para Sempre” (“Barbara Forever” | Dir. Brydie O’Connor | Estados Unidos | 2026 | 102’) e “Rita Moreira: Crônicas, Memórias e Videotape” (Dir. Sérgio Santos Barroso | Brasil | 2026 | 70’). Os três filmes partem de registros do passado para intervir no presente. 

Quando saímos do campo estrito da política institucional e entramos no cotidiano, “Histórias de um Bom Vale” (“Histoires de la bonne vallée” | Dir. José Luis Guerin | Espanha, França | 2026 | 122’) e “Flora & Airto: o Som Revolucionário” (Dir. Jom Tob Azulay | Brasil | 2026 | 98’) se aproximam pela ideia de comunhão e arte como refúgio e espaço de criação e expressão dos sentimentos mais profundos. Ainda somando à seleção, está “Futuro Futuro” (Dir. Davi Pretto | Brasil | 2025 | 86’), produção premiada no Festival de Brasília (Melhor Longa-Metragem) e que apresenta, a partir da realidade de Porto Alegre, uma ficção desafiadora construída em meio ao contexto das enchentes de 2024. 

Embora pertençam a gêneros, países e estéticas diferentes, os seis filmes apresentados compõem um mosaico que abrange algumas das principais tendências do cinema contemporâneo, entre a disputa pela memória, o uso e intervenção do arquivo como ato político, e a representação de diferentes formas de resistência (artística, social e existencial). 

“As Exibições Especiais tem um perfil, justamente, muito especial dentro do Festival, exibindo fora de competição obras muito marcantes e abrangendo desde homenagens a grandes artistas como Rita Moreira, Barbara Hammer, Flora Purim e Airto Moreira, até filmes de cineastas reconhecidos em todo o mundo como Anita Leandro, Davi Pretto, José Luis Guerin e Jom Tob Azulay”, afirma Gabriel Borges, co-diretor artístico do Olhar de Cinema. 

O jornalista Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Olhar de Cinema.

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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