No Festival de Curitiba, musical sobre Tim Maia confirma sua relevância 28 anos após sua morte

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial ao Festival de Curitiba
Reportagem de FLORA CARNEIRO
O 34º Festival de Curitiba recebeu o musical “Tim Maia – Vale Tudo” para duas apresentações arrebatadoras no Teatro Guaíra. Carmelo Maia, filho que administra o espólio do cantor, conta como a energia da plateia o tocou: “O Teatro Guaíra […] é o que me tratou fidedignamente o show do meu pai. Ontem eu vi de fato […] mais de 2 mil pessoas e uma senhora que levantou […] pensando que ela estava dentro da fantasia dela, com alguma trilha sonora passando dentro da cabeça dela em algum momento”.
A nova montagem, baseada no best-seller de Nelson Motta, busca mostrar mais de Tim Maia para além do personagem público. Carmelo destacou que sua prioridade era mostrar o homem real: “Eu já estava cansado de falar sobre o tipo de atitude que eu não conheço. Eu queria que falasse mais o homem atrás do mito. Do lado do Sebastião […] É muito fácil você ficar rotulando ele como o ‘doidão’. O doidão é fichinha perto de um cara altamente inteligente, um gênio fora da curva”.

Durante a coletiva, Carmelo revelou bastidores de uma longa negociação internacional que acabou ficando parada: “Eu já estava negociando há sete, oito anos com os americanos o musical do meu pai na Broadway. […] Era um projeto que começaria em Nova York, rodaria o mundo inteiro e terminaria no Brasil. Eles pediram para que não conflitasse com esse musical [brasileiro]. […] Essas negociáveis ficaram um pouco paradas […] Então eu dei início ao musical brasileiro”. Ele também completou revelando que o ator americano D’Angelo, falecido recentemente, era o nome cotado para interpretar o pai na época.
O herdeiro e o protagonista Thór Junior ainda relembraram como foi receber a notícia da escolha para o papel. “Olha, eu quero te agradecer. Mas a partir de hoje eu, infelizmente, não posso te chamar de Thór. A partir de hoje, você é meu pai”, disse Carmelo, após ver o teste do ator.

Para o artista, o papel é o auge da carreira: “Eu me sinto feliz, honrado e muito agradecido […] por poder trazer o pai dele de forma respeitosa […] O sentimento é: o cara que me representa muito em vários lugares, na comunidade, na nossa cultura preta”.
*Estudante de Jornalismo da Universidade Positivo sob supervisão de Miguel Arcanjo em parceria com a professora Katia Brembatti.
*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Festival de Curitiba.
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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