Lucelia Sergio fala da volta das Terças Crespas ao presencial com Cia Os Crespos | Podcast do Arcanjo

Lucelia Sergio - Foto: Henrique Garcia/Divulgação - Blog do Arcanjo
Lucelia Sergio – Foto: Henrique Garcia/Divulgação – Blog do Arcanjo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

A atriz e diretora Lucelia Sergio Conceição é a convidada do Podcast do Arcanjo. A atriz e produtora cultural fala do trabalho desenvolvido com a Cia Os Crespos de teatro negro, que volta com as Terças Crespas ao presencial no Centro Cultural São Paulo nos dias 9 e 30 de novembro, às 19h30, com entrada gratuita (R. Vergueiro, 1.000, metrô Vergueiro). A nova temporada está repleta de convidados especiais e debate temas como a crítica negra e representatividade com importantes nomes da cena cultural.

“Buscamos discutir cultura negra, arte negra, falando sobre nossas questões e cumprir um papel de difusão e formação de nosso trabalho de arte negra, teatro, dança. E a gente está muito feliz em voltar”, avisa. “É importante as trocas multisensoriais na presença. É uma coisa insubstivel”, pontua.

Ouça Lucelia Sergio no Podcast do Arcanjo!

Lucelia ainda revela a Miguel Arcanjo detalhes da criação do grupo ao lado do ator Sidney Santiago Kuanza, nos tempos em que estudavam na Escola de Arte Dramática (EAD) da USP. “A gente conseguiu furar as barreiras e entramos na EAD. E formamos um grupo de estudos e desse grupo surgiu Os Crespos”, lembra. A artista ainda fala da importância da construção de novos espaços no teatro e da representatividade negra nos palcos. O Podcast do Arcanjo é feito em parceria com a OLA Podcasts. A Cia. Os Crespos de Teatro recebeu em 2020 o Prêmio Arcanjo de Cultura pelos 15 anos de trajetória.

Colaboraram Rafael Ferro e Rodrigo Barros.

Lucelia Sergio no Podcast do Arcanjo

Terças Crespas

Onde: CCSP (r. Vergueiro, 1.000, metrô Vergueiro, São Paulo).
Quanto: Grátis.
Quando:
9/11 – “A crítica e a performance Negra” com Kil Abreu, Miguel Arcanjo Prado, Bruno Cavalcanti, Edi Cardoso, Malu Avelar e Clayton Nascimento.
30/11 – “Questão de pele: Tonalidades e representações” com Rosane Borges, Salloma Salomão, e trechos do espetáculo “Stelas Pretas – Claridade e Luz” com Mawusi Tulani, Nilcéia Vicente e Lincoln Antonio.

Os Crespos venceramo Prêmio Arcanjo de Cultura na categoria Especial em 2020 pelos 15 anos de trajetória no teatro – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

Lucelia Sergio no Podcast do Arcanjo: “A crítica não pode mais fingir que não existimos”

No Podcast do Arcanjo, Lucelia Sergio destaca os trabalhos e processos realizados em 2020 e 2021 e revela a alegria em voltar com As Terças Crespas no Centro Cultural São Paulo, projeto qual ela é uma das curadoras.

Refletindo sobre a importância dos encontros presenciais depois de tanto tempo, ela destaca a importância do momento. “Nada como a presença dos corpos ali e mente junto no mesmo espaço. Trocando, não só palavras, mas impressões, despertando todos nossos sentimentos e sensações. Só o presencial consegue nos mobilizar dessa forma”.

Mas destaca a importância do online no momento vivido por todos e como foi crucial para não paralisar os trabalhos artísticos e de pesquisa. “A gente conseguiu conviver com o online durante todo esse tempo, entendendo a necessidade e gratos também pela possibilidade em manter esse contato com o público”.

Sobre a criação dos Crespos, recordou: “Um grupo que resolveu também ir para a prática após montagem de O Anjo Negro, de Nelson Rodrigues, e A Missão, de Heiner Muller. E depois a gente fez o nosso primeiro espetáculo autoral, Ensaio Sobre Carolina, em 2007. Desde então, a gente atua na cidade com espetáculos, intervenções, algumas obras audiovisuais e também com encontros como as Terças Crespas”, recordou.

E a partir daí ela fala sobre o surgimento da consolidada Terças Crespas, inspirada em encontros de artistas negros que se encontram em todo o país. “Do Fórum de Performance Negra, do último fórum, saiu a demanda de a gente construir dentro dos estados espaço para esse fortalecimento [do movimento artistíco e cultural negro]. Em Minas, a gente tem a Segunda Preta, no Rio, a gente tem a Segunda Black, em Salvador, a gente tem A Cena Tá Preta. Em vários lugares do Brasil a gente tem diferentes eventos que buscam discutir a arte negra, difundir arte negra e fortalecer a arte negra no estado”, revela.

Lucelia reflete sobre a importância desse tipo de articulação, onde artistas das mais diversas regiões promovem discussões locais e compartilham no fórum nacional. “É importante porque, principalmente, a gente consegue ver o que as outras pessoas estão produzindo e discutir essa produção que é pouco discutida nos meios”.

Ela ainda falou sobre a importância de uma nova crítica. “Esse encontro agora tem essa ideia de discutir a crítica, de como a crítica olha para os nossos trabalho. Como a gente tem construído uma crítica e como podemos ser provocados por esses artistas para pensar os agenciamentos que precisamos prestar atenção para falar de arte negra”.

Ela ainda destacou a importância de Miguel Arcanjo Prado para a crítica cultural e o protagonismo que trouxe neste espaço para as artes negras. “Você que é um comunicador que sempre trouxe essa bandeira da importância da arte negra para o cenário cultural e hoje isso é algo que não se pode negar mais. A crítica não pode mais fingir que nós não existimos”.

A atriz projeta quais são novos parâmetros para se avaliar e pensar a arte negra a partir desses movimentos. “Pensando que ela abre uma frente de fricção com essa arte hegemônica e que tem parâmetros muito fechados para se pensar. A arte a partir desse conceito de belas artes”.

Dentro desse assunto, Lucelia também aborda a importância de ter escritores, críticos e muita escrita feita pelo reflexo da sociedade e por pessoas pretas. “O povo preto construiu essa nação e por tanto a nossa característica cultural está muito marcada por essa influência. É muito importante que a gente entenda a construção de pais que foi feita a entenda também esse processo de reconstrução de uma identidade nacional que parte da valorização de outras histórias que foram soterradas. Negras, indígenas, por exemplo”, diz.

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O jornalista e crítico de artes Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Band e UOL. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo na OLA Podcasts. Foto: Edson Lopes Jr.

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