Will Smith analisa desigualdade na série EUA – A Luta pela Liberdade na Netflix

Por Zirlene Lemos

Nesta quarta (17), a Netflix lança a nova série documental EUA: A Luta pela Liberdade. Com produção executiva e apresentação de Will Smith e roteiro do vencedor do Emmy Larry Wilmore, a série conta com seis episódios e aborda a 14ª emenda norte-americana.

A lei impulsionou a luta por igualdade nos EUA, pois atribui direitos iguais a todos os cidadãos norte-americanos. Por outro lado também abriu portas para uma forte oposição.

O formato adotado pela série da Netflix traz várias personalidades como Samuel L. Jackson, Mahershala Ali, Diane Lane e Pedro Pascal, entre outras, que dão vida a discursos e textos tanto dos defensores, quanto dos inimigos da emenda.

Entre os discursos apresentados então os de Martin Luther King Jr, Frederick Douglass, Ruth Bader Ginsburg e Andrew Johnson. A série também vai mostrar comentários de vários líderes e especialistas da atualidade.

Ao abrir a série e falar sobre a emenda dentro da Constituição dos EUA, Will Smith já inicia com uma provocação: O que significa ser estadunidense? E o que significa ser um cidadão?

A 14ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos foi ratificada em 1868 Crédito: Hulton Archive/Getty Images

Na primeira cláusula, a 14ª Emenda dispõe formalmente sobre a cidadania estadunidense, garantindo, em tese, o direito e seus benefícios aos ex-escravizados, bem como a igual proteção das leis sem qualquer distinção, como também o direito de voto.

A lei foi muito importante, pois até então, decisões anteriores da Suprema Corte Americana como Dred Scott contra Sandford, em 1857, haviam estabelecido que os afro-americanos nunca poderiam ser cidadãos do país. A 14ª Emenda anulou isso se tornando o marco mais duradouro da democracia do país, que sofreu abalo recentemente com a recusa de Donald Trump em aceitar sua derrota nas últimas eleições.

É por meio da 14ª emenda que estão protegidos todos os direitos, como direito à igualdade racial, à igualdade matrimonial e cidadania igualitária das mulheres.

A série também demonstra como, infelizmente, ainda hoje, a Constituição original dos EUA é silenciosa no quesito de cidadania e não tem nenhuma declaração expressa que esclareça quem é cidadão e quem não é.  Portanto, na lacuna desse termo indefinido, o racismo tende a florescer, mesmo com a  14ª emenda sinalizando a promessa de igualdade para todos.

A série EUA: A Luta pela Liberdade promete estimular os espectadores a questionarem o real significado de cidadania nos EUA. Uma boa pedida para quem deseja refletir sobre os estranhos rumos das grandes democracias nos dias atuais.

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Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. Eleito três vezes pelo Prêmio Comunique-se um dos melhores jornalistas de Cultura do Brasil. Nascido em Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. É crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Passou por Globo, Record, Folha, Contigo, Editora Abril, Gazeta, Band, Rede TV e UOL, entre outros. Desde 2012, faz o Blog do Arcanjo, referência no jornalismo cultural. Em 2019 criou o Prêmio Arcanjo de Cultura no Theatro Municipal de SP. É coordenador de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro, colunista do Notícias da TV e faz o Podcast do Arcanjo em parceria com a OLA Podcasts. Foto: Edson Lopes Jr.

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