Eloína dos Leopardos e ícones trans vencem Prêmio Claudia Wonder

Eloína dos Leopardos ganha Prêmio Claudia Wonder – Foto: Annelize Tozetto – blogdoarcanjo.com

Por Miguel Arcanjo Prado

Ela foi a primeira rainha de bateria do Carnaval ao surgir sambando à frente dos ritmistas da Beija-Flor e inaugurando a função célebre na Marquês de Sapucaí, que depois virou sonho de consumo das famosas. E também brilhou na noite artística do Rio, com sua inesquecível Noite dos Leopardos. E ainda comandou um movimentado salão de beleza na zona sul carioca, como bem lembra Aguinaldo Silva em seu recente livro Vendem-se Corações Despedaçados. Depois de tudo isso, mudou-se de mala e cuia para São Paulo, onde tornou-se estrela da noite e da gastronomia paulistana e atualmente é a grande diva do Bar da Dona Onça, no Copan. Pioneira na representação trans e travesti nas artes, Eloína dos Leopardos, estrela do filme Divinas Divas, de Leandra Leal, foi uma das personalidades trans que receberam o Prêmio Claudia Wonder na noite da última quarta-feira, 4, no encerramento da 9ª edição da SP TransVisão, a semana de visibilidade trans realizada pela Adaap e SP Escola de Teatro.

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Dona de um corpo estonteante, Eloína dos Leopardos foi a primeira rainha de bateria do Carnaval ao desfilar à frente dos ritmistas da Beija-Flor – Foto: Arquivo Eloína dos Leopardos – blogdoarcanjo.com
Eloína dos Leopardos no lendário show Noite dos Leopardos, que entrou para a história das noites cariocas – Foto: Arquivo Eloína dos Leopardos – blogdoarcanjo.com
Eloína dos Leopardos vestida por Walério Araújo no show Divinas Divas no Theatro Municipal de São Paulo – Foto: Divulgação – blogdoarcanjo.com
Eloína (segunda da direita para a esquerda) no filme Divinas Divas, de Leandra Leal – Foto: Divulgação – blogdoarcanjo.com
Eloína dos Leopardos com as colegas Divinas Divas ao lado da diretora Leandra Leal na estreia do aclamado documentário – Foto: Arquivo Eloína dos Leopardos – blogdoarcanjo.com
Eloína dos Leopardos ao lado de Jane Di Castro e Divina Valéria e Marcia Dailyn e Divina Nubia em Divinas Divas no Theatro Municipal de São Paulo em 29 janeiro de 2020 – Foto: Bruno Galvincio – blogdoarcanjo.com
Marcia Dailyn e Eloína dos Leopardos no ensaio de lançamento da peça Entrevista com Phedra em 2019 no Bar da Dona Onça, no Copan – Foto: Annelize Tozetto – blogdoarcanjo.com
Eloína dos Leopardos e Sabrina Sato no Baile do Copa – Foto: Arquivo Eloína dos Leopardos – blogdoarcanjo.com

O Blog do Arcanjo conta todos os nomes que venceram o Prêmio Claudia Wonder, que traz o nome da grande artista trans e ativista histórica dos direitos LGBTQIA+ que morreu em 2010: Eloína dos Leopardos, Erika Hilton, Mariana Munhóz e Léo Paulino e as instituições Casa Florescer e Casa Chama.

Uma intensa programação agitou cinco dias da SP TransVisão, com apresentações artísticas, como a peça Entrevista com Phedra e Genderless e o filme Limiar, além de debates efervescentes sobre a visibilidade de pessoas transexuais e travestis. O troféu celebra nomes importantes da luta T que se destacam ao longo do ano ou por trajetória e legado, caso de Eloína.

Sob direção executiva de Ivam Cabral, a 9ª SP TransVisão teve direção de produção de Elen Londero e produção de Marcia Dailyn, com curadoria colaborativa trans, além de direção artística do show de abertura de Gustavo Ferreira, apoio de Rachel Rocha e Miguel Arcanjo Prado, arte de Tomaz Filho, vídeo de Henrique Mello e assessoria de comunicação de Luiza Camargo.

Kimberly Luciana, Ingrid Soares, Marcia Dailyn e Brenda Oliver apresentaram o Prêmio Claudia Wonder na 9ª SP TransVisão – Foto: Edson Lopes Jr. – blogdoarcanjo.com

As apresentadoras do Prêmio Claudia Wonder foram Marcia Dailyn, Brenda Oliver, Kimberly Luciana e Ingrid Soares, colaboradoras da SP Escola de Teatro e também artistas trans que fizeram suas performances musicais na abertura do evento, no último dia 29 de janeiro, Dia da Visibilidade Trans.

O Blog do Arcanjo conta, a seguir, um pouco mais sobre quem venceu o Prêmio Claudia Wonder 2021.

Casa Florescer é um centro de acolhimento para a população de mulheres trans e travestis em situação de rua. Podem ser acessados por meio de encaminhamentos dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros de Referência Especial de Assistência Social (CREAS), Centros POP, outros serviços socioassistenciais, demais políticas públicas e órgãos do Sistema de Garantia de Direitos.

Casa Chama é uma associação cultural de cuidados LGBTQIAP+ plural e fluida, que surgiu da necessidade de criar mais espaços de pesquisa, discussão e ação. A casa é um ambiente de convívio seguro que produz desde eventos culturais e grupos de estudo até projetos de cuidado e apoio jurídico. Para isso, fazemos uso de ferramentas de organizações civis para realizar ações colaborativas efetivas. Somos uma família aberta: nosso objetivo é crescer, criar mais suportes, compartilhar nossa infraestrutura para gerar autonomia por meio do afeto.

Erika Hilton é vereadora eleita da cidade de São Paulo. Negra e transvestigênere, foi a mulher mais bem votada em 2020 em todo o país, a mais votada do PSOL e é a primeira trans eleita para a Câmara Municipal paulistana, com mais de 50 mil votos. Foi co-deputada estadual em São Paulo pelo mandato coletivo da Bancada Ativista (PSOL). Ex-estudante de Gerontologia da UFSCar, é ativista dos Direitos Humanos, na luta por equidade para a população negra, no combate à discriminação contra a comunidade LGBTQIA+ e pela valorização das iniciativas culturais jovens e periféricas.

Eloína dos Leopardos é atriz e artista travesti e foi a primeira rainha de bateria do RJ da Beija-Flor. Nas décadas de 1980 e 1990, apresentava o show ”Noite dos Leopardos” um verdadeiro sucesso da noite carioca. Em 2017, participou do documentário Divinas Divas, de Leandra Leal, no qual aparece ao lado de Rogéria, Valéria, Jane Di Castro, Camille K., Fujica de Holliday, Marquesa e Brigitte de Búzios, consideradas a primeira geração de artistas travestis do Brasil.

Mariana Munhóz é cantora, cabeleireira e maquiadora, mãe protetora e amiga dos animais. É cantora transexual desde os 18 anos. Fez parte do Coral da USP, como soprano.

Léo Paulino é ativista de direitos humanos com ênfase em transgeneridades. Bacharel em direito. Assessor da Comissão de Direitos Humanos da OAB de São Bernardo do Campo. Coordenador do projeto/ON TRANSFORMAÇÕES – transformando vidas (Inclusão profissional), faz atendimentos jurídicos sobre as mais diversas demandas, desde retificação de nome e gênero, direito de família, imobiliário e penal. Durante a pandemia, ficou responsável pela cidade de Santo André na entrega de cestas básicas para a população LGBT em situação de vulnerabilidade. Por meio do Projeto Sobreviver, distribuiu mais de 2 mil cestas básicas para as travestis em prostituição, kits de higiene e beleza. Além disso, doou 2 mil máscaras em Santo André, kits de higiene para as travestis do Centro de Detenção Provisória de Pinheiros e 100 litros de água sanitária para limpeza do pavilhão. No final do ano, o projeto distribuiu presentes para as travestis e as mulheres cis em prostituição.

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Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. Eleito três vezes pelo Prêmio Comunique-se um dos melhores jornalistas de Cultura do Brasil. Nascido em Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. É crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Passou por Globo, Record, Folha, Contigo, Editora Abril, Gazeta, Band, Rede TV e UOL, entre outros. Desde 2012, faz o Blog do Arcanjo, referência no jornalismo cultural. Em 2019 criou o Prêmio Arcanjo de Cultura no Theatro Municipal de SP. Em 2020, passou a ser Coordenador de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro e começou o Podcast do Arcanjo em parceria com a OLA Podcasts. Foto: Edson Lopes Jr.

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