O morro não tem vez? Centenário de Zé Kéti é pouco celebrado

Por Miguel Arcanjo Prado

Artista negro e do morro, Zé Kéti (1921-1999) terá seu centenário celebrado de forma tímida neste 2021. O músico e compositor carioca do icônico verso “o morro não tem vez” e que uniu morro e asfalto em canções emblemáticas como A Voz do Morro e Acender as Velas, até hoje muito executadas e revisitadas por novas gerações.

Zé Kéti ainda foi parceiro de palco de Nara Leão e depois Maria Bethânia no lendário show Opinião, dirigido por Augusto Boal em 1964. E também atuou com nomes como Paulinho da Viola, a quem chamava de pupilo e que o acompanhou em muitos shows tocando violão, além de Elza Soares, Elis Regina, Jamelão e Jair Rodrigues.

Apesar de sua importância crucial para o samba, a MPB e a cultura brasileira, poucas ações estão previstas para lembrar os cem anos de seu nascimento. O Blog do Arcanjo lembra que o apagamento histórico de figuras negras é uma constante do racismo estrutural.

Uma das ações que revisitam sua obra e prestam o devido tributo a Zé Kéti começa nesta quinta, 14, e vai até domingo, 17: a série de shows 100 Anos da Voz do Morro. As apresentações são no CCBB do Rio de Janeiro.

Segundo contou a filha do artista, Geisa Kéti, em entrevista ao jornalista Silvio Essinger, do jornal O Globo, a pandemia colocou pausa em um documentário sobre Zé Kéti: “Em 2020, iniciamos um documentário com meu irmão José Carlos, mas ele veio a falecer em maio, vítima de Covid-19, e tudo parou”.

Ela ainda disse que faz com ajuda de amigos um site para preservar a memória de seu pai: “Chamamos amigos do Brasil todo e da Argentina para fazerem rodas de samba em homenagem a Zé Keti”.

Que a chegada da vacina traga outras celebrações a Zé Kéti por todo o país e que grandes artistas de nossa música lhe prestem tributo. Ele merece.

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Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. Eleito três vezes pelo Prêmio Comunique-se um dos melhores jornalistas de Cultura do Brasil. Nascido em Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. É crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Passou por Globo, Record, Folha, Contigo, Editora Abril, Gazeta, Band, Rede TV e UOL, entre outros. Desde 2012, faz o Blog do Arcanjo, referência no jornalismo cultural. Em 2019 criou o Prêmio Arcanjo de Cultura no Theatro Municipal de SP. Em 2020, passou a ser Coordenador de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro e começou o Podcast do Arcanjo em parceria com a OLA Podcasts. Foto: Bob Sousa.

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